Cronologicamente, estamos atrasados, mas a mensagem continua atual.
Antes da chegada da mana Ana Sofia a Lisboa teve lugar a sua partida de Luanda, um momento nada fácil especialmente para ela, depois de tantos anos dedicados à missão.
Mas, sem menosprezar ninguém, a nossa mana Ana Sofia merece um especial destaque por dois motivos: porque é a missionária leiga que mais tempo dedicou a esta missão em regime de voluntariado (somando os dois períodos são mais de quatro anos) e porque a sua capacidade de adaptação e resposta aos vários desafios e apelos que a missão vai colocando são de sublinhar.
Nota de particular destaque merece a atenção que deu nos últimos meses na área da saúde (a sua formação é engenheira civil). Depois de deixarmos de ter voluntários nessa área sentimos um grande vazio porque são muitas as pessoas que acorrem à missão para pedir ajuda.
Já quando cá estavam médicas e enfermeiras a mana Ana acompanhava de perto e manifestava interesse. Depois, já sozinha, às vezes muito insegura e com algum receio, lá foi procurando dar as respostas que estavam ao seu alcance. Para isso perguntava aos enfermeiros e médicos de cá e também se manteve em contato com os de Portugal e com a própria mãe, D. Delfina, que também é enfermeira.
Onde faltavam conhecimentos, sobrou amor e compaixão. Alguns dos que estão vivos lho devem a ela.
Havia pessoas que vinham à Donga dizendo que vinham ao médico ao hospital. E o hospital é a sala onde tomamos as refeições; diga-se, um grande risco para nós… mas à falta de outro espaço… foi este que teve de servir.
Cada dia teve a sua história, o seu drama, o seu momento de alegria e vitória.
Fica a imagem da despedida no aeroporto de Luanda e a mana Ana com o meu Xará, Vítor, neto do catequista José Calei, que ela queria levar para Portugal na sua mala. Mas levou-o no coração! É filho da Eugénia, uma menina que tem alguma diminuição mental, sofre de epilepsia e aos 14 anos foi violada, dando origem a esta vida tão frágil e de que a Ana Sofia foi um importante suporte na gestação e nos primeiros meses de vida.
Um grande bem-haja, Ana Sofia, e que Deus te ilumine e conduza pelos seus caminhos.
P. Vítor Mira



















