sábado, fevereiro 16, 2019

Walale Portugal

Acordei às 5:30 da manhã para conseguir escrever qualquer coisa para postar que o trabalho aqui na missão não tem dado tréguas, mas tudo se faz!
Bom, dia 30, eram 8 da manhã, já eu tinha desembarcado e estava na alfândega de Angola na fila para mostrar o visto. Mais uma hora, menos uma hora, lá me despachei… Levantei as minhas malas, e depois de uns contratempos com um funcionário do aeroporto, saí para me juntar com a minha nova família.
Seguimos para fazer algumas compras e, já próximo da hora de almoço, fomos às instalações dos amigos da “Imomukua” para entregar algumas coisas e onde nos concederam a refeição.
Após o almoço faltava ainda uma coisa para finalizar as tarefas na zona de Luanda, o Altar de vidro em Viana que foi oferecido pelo amigo Vítor Moniz e seus amigos para a nossa capela na casa do Sumbe. Após carregado na Vidreira de Viana, seguimos viagem parando no habitual miradouro da Lua para a foto da praxe. Ainda deu para dar duas ou três bolachas aos nossos amigos macaquitos na travessia do rio Kuanza.
“CHEGÁMOS AO SUMBE!” – Eram já 23 horas passadas e muita vontade de dormir. Lá estavam as manas, o tio Batata, e o cão da missão à nossa espera. Umas saudações e uns cumprimentos rápidos para nos irmos então deitar.


Fui apresentado ao bispo do Sumbe num dia em que foi possível ser-me apresentada a cidade. Tive oportunidade de conhecer a Catedral, o Bispado, a beira-mar, enfim, tudo um pouco do que a cidade do Sumbe tem para mostrar pelas suas estradas sempre bem pavimentadas, ou não…
Antes da subida deu ainda para algumas tarefas preparativas… Substituir o pneu do cavalinho que tinha furado na viagem a Luanda.


No dia da subida, antes da missa na igreja da “Pedra Um”, logo pela manhã, deparamo-nos com mais um contratempo, partiram-se outra vez dois postes de madeira da linha que abastece a casa da missão, “Não tem problema! Vamos resolver!” e assim foi… Cavar… Levantar... Amarrar! Ficou resolvido. Na igreja celebrámos Eucaristia onde duas meninas foram consagradas irmãs Guadalupanas. Um missionário recém-chegado fica sempre deslumbrado com os cânticos deste povo nas celebrações!



Subimos então ao Gungo acompanhados pelo Vítor Moniz, amigo do grupo “Volta a África” que desejou ir ao terreno para perceber as necessidades. Ele levou a carrinha dele até ao Sapato, onde as condições da picada são ainda aceitáveis, depois juntou-se a nós no cavalinho branco.
Subimos até ao Uquende onde pernoitámos todas as noites até ao regresso.
Deu para subirmos ao monte “Kavinjo” para tirar algumas fotos antes de começar os trabalhos.




Estava planeado começar a erguer a capela, mas dadas as condições do BTC, que não curou o tempo suficiente e tanto a sua resistência como as suas medidas estavam ainda em evolução, tivemos de realizar outras tarefas. No primeiro dia, a equipa de trabalhos empenhou-se, juntamente com o amigo Vítor Moniz em nivelar o piso do alicerce da capela… Carro de mão para aqui, pazada para ali e, no segundo dia, tínhamos já o piso alinhado…


Sem os blocos de BTC para as primeiras fiadas o trabalho para a equipa estava a escassear e então surgiu a ideia de carregar o Unimog com terra para fazer blocos e ir descarrega-la à Donga. Por conseguinte, descarregar a terra e carregar o Unimog de blocos BTC para descarregar no Uquende para as fiadas superiores da capela. No sábado montaram-se as luzes “SUNIGHT” em casa do tio Roque e do tio Mariano. As luzes chegaram a nós através da Inês Figueiredo e têm a funcionalidade de captar energia durante o dia através de dois mini-painéis solares e durante a noite tem um LED que pode ser aceso através de um comando remoto.



Ainda no Sábado, já à tarde, foi altura de começar os meus primeiros trabalhos como serralheiro aprendiz! A moagem do Uquende - “Olumema Olumema” tinha uma fissura no triturador de milho e tive de dar uns pingos para fechar a fissura. O trabalho não está à altura de um verdadeiro serralheiro, mas por aqui faz-se o melhor que se pode…
No Domingo de manhã, celebrámos a Eucaristia e, à tarde, fui à lavra com a mana Teresa e com a mana Sílvia. Lá estavam os quatro sobrinhos da Teresa sozinhos (Todos com menos de 10 anos). Sozinhos colhem o que vão comer e cozinham o seu almoço, sujeitos a lidar com animais perigosos e a trabalhar de sol a sol. Enfim, algo que vou guardar na memória.

Na segunda-feira, pelas 10 da manhã, iniciámos a descida. A mana Teresa ficou na Donga para puder ir à escola e por lá vai permanecer no decorrer do ano letivo. No posto de saúde do Uquende transformámos o cavalinho em ambulância e transportámos um ferido de um acidente de mota. Tinha o pé em mau estado e precisava de intervenção. Foram horas de picada dolorosas para o homem. Já depois de lhe terem visto o pé diz que já não se lembrava da viagem que fez desde o Uquende até ao Sumbe… Tal era o sofrimento…
No Sumbe a minha preocupação era de fazer todas as tarefas que tinha planeado fazer quando estava no Uquende, mas já vi que isso não é modelo. Na missão não há dia nenhum que corra como planeado nem há um dia igual a outro.
Bom, como previa pintei o chapéu da admissão do Elefante com primário, mas como depois surgiu outra tarefa, foi assim que ficou, com o primário… Agora temos um Elefante que dá nas vistas! Com o chapéu laranja!



Ora qual foi essa tarefa que nos ocupou tanto tempo? Bom, após uma viagem com o cavalinho para comprar peixe, pediram-me para lhe dar uma limpadela nos tapetes da frente e de trás e quando levantei um bocadinho o tapete da frente vi que tinha tanta terra e tanto lixo das dolorosas viagens que já fez que até tinha já três ou quatro sítios com chapa completamente podre.
Objetivo: Tirar bancos, tapetes, cintos, quase tudo o que vai desde o volante até às portas da bagageira para reparar os podres e repintar com primário. Tudo apenas em dois dias como se já fosse eu bate-chapas há vinte anos… Depois do jantar da quinta-feira tive de pedir ao nosso “MC Gyver” de serviço, o padre David, para me ajudar. Foi até à meia-noite a pintar com primário o chão do chassis do cavalinho que agora se pode chamar de cavalinho laranja! Este é um trabalho que vai ter de ser concluído na próxima descida.

Na sexta-feira fomos à Conda (Eu, a mana Sílvia e a mana Fernanda) para nos abastecermos de água e foi no caminho para lá que andei na estrada mais bem transitável até agora em Angola (Condições semelhantes à da nacional 113 em Portugal, com os tradicionais buracos atempadamente). No regresso conduzi eu o cavalinho e entre os barulhentos “Olha o buraco, OLHA o buraco, OLHA O BURACO!” da mana Sílvia, lá havia um ou dois que não escapavam…

Agora cá estamos a apertar as últimas cordas no Unimog e no cavalinho para mais uma subida.

“Lalapo!” ou “Até já!”

Estamos juntos,
Humberto

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Voluntários Missionários em Formação - Formação FEC


Este fim de semana, foi um fim de semana diferente, pois foi o 2º encontro da FEC (Fé e Cooperação), intitulado como Cooperação para o Desenvolvimento. O encontro passou-se na Casa dos Franciscanos Capuchinhos em Fátima. A manhã de sábado iniciou-se com o acolhimento dos 12 grupos católicos presentes na casa, que perfez 38 pessoas.  A sessão iniciou-se por nos separarmos em diferentes grupos, tendo em conta o PIB e a riqueza dos cinco continentes. Chegamos à conclusão no fim do jogo que aquilo que pensamos nem sempre é aquilo que se passa na realidade. Tivemos o privilégio de ouvir logo pela manha a D. La Salete Coelho que abordou várias temáticas. O primeiro tratava-se das desigualdades existentes no “nosso” Mundo, que infelizmente são muitas e cada vez mais. Após este tema, falamos de Cooperação e de Desenvolvimento, temática que deve ser cada vez mais abordada em todas as comunidades, especialmente para quem parte em missão. Seguiu-se uma pausa, onde podemos partilhar aquilo que trouxemos. Agradecemos a Deus os bens que nos colocou naquela mesa farta, e depois partimos ao ataque. Após o almoço, continuou a formação, na qual vimos um filme “Shotting Dogs”, onde pudemos ver a coragem, força e resiliência de um missionário. Com este filme, podemos concluir que devemos de ir sempre em busca dos nossos sonhos e devemos sempre dar o nosso melhor em tudo aquilo que fazemos. Depois do filme, tivemos uma breve discussão e partilha de ideias. Depois do jantar, fomos presenteados com o testemunho do Vitor Santos, que nos fascinou e encorajou para o puder da missão.
No domingo de manhã, tivemos uma sessão mais teórica, onde a La Salete nos falou sobre a criação de projetos e as fases que são necessárias para conseguir elaborar um. Seguiu-se a Eucaristia, presidida e sempre animada pelo P. Joaquim, onde tinha um coro fabuloso que o pode acompanhar. Terminamos com o almoço e com partilha de ideias, esperando ansiosamente pela próxima formação.
Foi sem dúvida uma experiência muito enriquecedora! Bem-haja a todos aqueles que nos podem proporcionar estes momentos.

Obrigada!

Rita Oliveira


segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Jornal Ondjoyetu N.º 44

Saudações missionárias!

Apresentamos aqui a edição N.º 44 do jornal Ondjoyetu.
Para aceder ao jornal digital, clique, por favor, na imagem ao lado.

Esta edição constitui uma singela mas sentida homenagem à nossa co-fundadora e missionária Irmã Nancy, que em novembro rumou à sua terra natal, o México, para abraçar uma nova missão à qual foi chamada. O percurso de vida desta nossa mana contado na primeira pessoa, o Natal na Donga e outras notícias da Missão de S. José do Gungo, e dois testemunhos de missão, entre outros, é o que descobriremos nesta edição do nosso jornal.

A todos os nossos Mil & Tal Amigos, twapandula tchiwa. Muito obrigado.

sábado, fevereiro 02, 2019

Olha a notícia fresquinha! Venham ver, venham ver!

É verdade, parece que ainda foi ontem que nos despedimos das manas Carolina, Inês e Mónica e afinal, já contámos com mais uma presença e despedida dos amigos da UAASP. Mas não ficamos por aqui, o tio Carlos também já regressou ao “Puto” e, em troca, recebemos o novato da linha da frente, o nosso querido Humberto Ribeiro.
As manas foram e chegaram até nós 12 companheiros e companheiras da UAASP (União das Associações de Antigos Alunos dos Seminários de Portugal): Luís, Manuel, Vaz, Teresa, Cristina, Pedro, Avelino, Conceição, Raquel, Clara, Carlos  
e Pe. Artur.
Estiveram connosco a viver em comunidade durante 12 dias. Foram muitos os momentos em que puderam sentir e integrar a experiência da nossa missão. Além das rotinas normais, como cuidar da casa, da roupa e das refeições, ajudaram-nos na construção da casa para os catequistas na Donga, nos testes do BTC, deram uma nova vida ao assento do nosso “elefante”, na formação da Liturgia, formação para Acólitos e para a 1ª Comunhão, entre outros.
Na Sé Catedral, após a Eucaristia, partilhámos um momento musical com a comunidade liderado pelo amigo Luís Matias com a especial participação da nossa mana Teresa. Foi muito bonito assistir ao envolvimento de todos e sentir o carinho da população. O encontro com o Sr. Bispo D. Luzízila Kiala também foi a oportunidade de agradecermos o empréstimo de um jipe (um primo do nosso “cavalinho”) para as nossas viagens “em mares nunca antes navegados”.
Já de regresso a Luanda, passámos pelo santuário de Nª Srª da Muxima e, como não podia deixar de ser, peripécia do dia, um pneu furado. Deixámos os nossos amigos no aeroporto e fomos rumo à Imomukua, a empresa do Sr. Filipe Santos que nos acolhe sempre muito bem nas suas instalações.
Passados dois dias chegou a vez do mano Carlos partir… Já foram mais 4 meses que voaram e mais um lugar que à mesa da nossa casa Ondjoyetu sente saudade. Agora temos o mano Humberto, mal chegou e já colocou mãos à obra… Vejam a fotografia da nossa capela na casa da Pedra 1. “Está bonita de verdade.”
 E pronto, é assim que vai a nossa vida por cá. Agradecemos muito todas as mensagens e miminhos que nos fazem chegar, são um aconchego aos nossos corações.
Tukasi Kumosi!

A Linha da frente

terça-feira, janeiro 29, 2019

Festival de sopas... e outras coisas mais

Bom, aqui deveria estar exposto exclusivamente o tema do festival das sopas, mas entretanto muita coisa aconteceu, por isso cá vai.
Escrevendo aqui na cadeira da porta de embarque posso dizer que o festival das sopas foi um incrível sucesso onde não cheguei a sujar uma mão com um único feijão da sopa da pedra... É verdade! Ajuda não faltou e a única tarefa que desempenhei foi dar imagem ao grupo missionário Ondjoyetu!
Enfim, posso dizer que contámos com mais de 700 pessoas (até as taças se fizeram curtas e tivemos de emprestar pratos do salão...). Acabámos com muita pena ter de recusar pessoas com receio que não chegasse para todos... enfim! Para a próxima faz-se em plena rua e espaço não faltará! 😃
A todos agradeço, especialmente àqueles que fizeram parte da equipa organizadora! Com este evento o grupo missionário pôde contar com mais alguns donativos para a linha da frente!



Espero dar notícias em breve com a tão aguardada rede de água que recolherá água do rio perto da donga para desaguar na cisterna da missão.

Entretanto foi a eucaristia em que dei o “até já” da minha terra natal “Santa Catarina da Serra”... Foi muito bom receber a força de todos os vizinhos que me deram força para a partida...

Agora estou já de passaporte e bilhete na mão para entregar à porta do avião e não em tom de “Adeus” mas sim de “até já” venho cumprimentar-vos!

Breve darei notícias!
Bem haja!
Estamos juntos!

Humberto

Apresentação do trabalho realizado

ESTÃO TODOS CONVIDADOS
Primeiro vão ouvir-me sobre a missão onde estive em 2017/2018.
Vou PRESTAR CONTAS aos meus apoiantes.
Depois podem passar uma tarde divertida com a atuação do Grupo Musical Daniel Silva & Ana.
Peço-vos que, além de aparecerem, partilhem e convidem os vossos amigos.

João Antunes


sábado, janeiro 26, 2019

Inscrições para a 2 sessão de formação

Vem aí mais uma sessão de formação da FEC. 

Estão abertas as inscrições para a 2ª sessão de formação para voluntários com o tema “Voluntariado e Cooperação para o Desenvolvimento”, a realizar nos dias 09 e 10 de fevereiro de 2019 na Casa dos Franciscanos Capuchinhos (Fátima) (Morada: Av. Beato Nuno, 405 - 2496-908 FÁTIMA).

Por favor façam a vossa inscrição em: https://goo.gl/forms/xrQydBGQkqOfLGbR2

Para cada voluntário deve ser preenchido um formulário. Os dados a constar do formulário devem ser do voluntário (e-mail, telefone, ect) e não da organização!

Caso precisem de alojamento na sexta-feira (véspera da formação) deverão indicar no campo das observações. Se tiverem alguma condicionante alimentar (ou outra) devem colocar no campo das observações.

As inscrições serão encerradas no dia 31 de janeiro de 2019 às 12h.

O almoço do primeiro dia (sábado) será partilhado, pelo que todos devem trazer algo para partilhar.

Em caso de dúvida, contactar: catarina.antonio@fecongd.org

segunda-feira, janeiro 21, 2019

Convívio de Reis 2019

Bom, já lá vai quase um mês, mas nunca é tarde para se testemunhar... Jesus também viveu à 2000 anos e ainda hoje testemunhamos o dom da sua vida...

Bom, venho aqui escrever sobre o convívio de Reis que decorreu no passado dia 6 de Janeiro de 2019, Domingo. Tudo começou um pouco antes das 18.00h numa das capelas inseridas no Seminário de Leiria, onde se sucederam os ensaios para a Eucaristia da Epifania do Senhor. Um acorde acima e outro abaixo, uns em compasso ternário e outro em quaternário... Enfim, uma Eucaristia que não é perfeita, mas que é Humana, muito Humana, e é isso que interessa. E assim começou a Eucaristia celebrada pelo Padre Joaquim e "acolitada" por mim (Humberto) 😛. Lá soaram mais uns acordes da guitarra do padre Joaquim e da guitarra da irmã Susana. Chegada a altura da homilia, o padre Joaquim fez questão de doutrinar mais um pouco os presentes... Falou-nos do simbolismo daquele dia, da importância dos Reis Magos e das suas dádivas. A certa altura eu e alguns dos presentes na Eucaristia perguntavam-se onde estava o Sangue de Cristo ou melhor: "Onde está o vinho?" pensava eu. Ainda me cheguei a levantar para ir a correr à sacristia para trazer o bendito vinho, mas lá me fizeram sinal a indicar que já estava no cálice. "Sorte a do Padre que hoje tem de fazer pouco e eu mais que ainda tenho de fazer menos", pensei eu... 😃
Assim se passou e fomos então ao jantar partilhado. Tivemos oportunidade de comer de tudo um pouco! Cada um fez das suas mãos e assim provámos um pouco da obra de cada um. Até eu e a Rita se esforçámos muito a fatiar um bolo de compra e a colocá-lo num Tupperware para parecer que era caseiro, mas não correu bem a nossa ideia... Ainda assim só levaram 1 ou 2 fatias...
Já de barriga cheia e cada um com uma prenda que trouxe de casa feita pelas próprias mãos, chegou a altura de fazer a troca de prendas. Atribuiu-se uma peça de um puzzle com um número a cada pessoa e foi-se construindo o dito puzzle por ordem crescente de algarismo. O número mais baixo era quem oferecia a prenda ao número mais alto. Peça por peça via-se o puzzle a construir-se e os amigos secretos a revelarem-se.
No instante seguinte, e para terminar procedeu-se à gravação de uma mensagem de bom ano e de festejo da Epifania do Senhor por parte do Grupo Missionário Ondjoyetu em Portugal para a linha da frente, que guardo no meu telemóvel para mostrar na altura em que lá chegar.

Foram estes os acontecimentos do convívio de Reis que agora escrevo. Os vídeos não os revelarei porque permanecerão em segredo até a linha da frente os ver. 😃





segunda-feira, janeiro 14, 2019

Sakidilá...

“Sakidilá, sakidilá, sakidilá…zambiyétu”, “Obrigada, obrigada, obrigada senhor Jesus…” foi assim que se começou mais um ano na linha da frente, a ouvirmos palavras em kimbundo, uma das línguas mais faladas em Angola e bem diferente do umbundo que ouvimos no “nosso” Gungo. Foi então assim que celebrámos o início do ano de 2019 na paróquia de São Tiago no E-15 ao som de batuques, cânticos e um calor bem diferente do frio de janeiro, que se faz sentir em Portugal.


No dia 5 de janeiro iniciámos a nossa subida até à Donga. Apesar da ausência de chuva, que se tem sentido nos últimos tempos, ter facilitado a subida do cavalinho pela picada, é bem visível a falta que ela faz. Por isso, em cada oração, pedimos que a chuva venha e encha os rios, regue as lavras, faça o milho crescer e virar fuba, para que os irmãos camungungos possam saciar a sua fome comendo funge.
A nossa estadia no Gungo centrou-se principalmente na preparação do novo ano pastoral. A assembleia da missão reuniu os catequistas dos diversos centros do Gungo para fazer o balanço do ano que passou e preparar o próximo.

Durante estes dias as manhãs iniciaram às 5h40 com oração e trabalhos na lavra, antes das reuniões da assembleia.  
Para além das muitas consultas efectuadas e da continuação ddos trabalhos de mecânica e serralharia, juntámo-nos às diversas tarefas das mamãs e papás. Num dos dias debulhámos milho enquanto enxotávamos galinhas. É ‘só’ dar à manivela com um ritmo certo, deixar entrar a espiga direita para não encravar e não parar. Parece fácil! Noutro dos dias escolhemos ginguba, enquanto ouvíamos histórias contadas pelo Tio Zé, do “outro tempo” em que os montes do Gungo eram cobertos de girassóis e cisal, e, por momentos, somos também nós transportados para essa época e pensamos “Como é possível o ‘nosso’ Gungo ser ainda mais bonito?”.
No dia 10 de janeiro, chegou o dia da descida da picada. Esta foi a última descida das manas Carolina, Inês e Mónica. Ou talvez não tenha sido a última, pois os seus corações ficaram presos num embondeiro….talvez um dia elas regressem para os recuperarem.







Tukasi Kumosi!

domingo, dezembro 30, 2018

1ª sessão de formação

O novo ano vai começar com a primeira sessão se formação da fec.
Será no segundo fim de semana do ano, oprazo de incrições éapenas até ao dia 4 de janeiro às 12h mas é uma grande oportunidade de formação para o trabalho missionário.
Estão abertas as inscrições para a 1ª sessão de formação para voluntários com o tema “Voluntariado Missionário e Espiritualidade”, a realizar nos dias 12 e 13 de janeiro de 2019 na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) (Morada:  Estrada do Telhal, nº55 / 2725-588 Mem Martins).
 Por favor façam a vossa inscrição em: https://goo.gl/forms/q4pU28Y1bYAHQ1lv1

sábado, dezembro 29, 2018

Natal na linha da frente


Chegaram a Luanda, no dia 18 de Dezembro, as manas Carolina, Mónica e Inês. À sua espera tinham o Padre David, a mana Teresa, o mano Carlos e a mana Sílvia.
Depois de uns dias passados na capital e na cidade do Sumbe a ultimar as tarefas necessárias antes de partir para o Gungo, no dia 21, subimos finalmente para a Donga. Muitos irmãos camungungos percorreram longas distâncias para se juntar a nós para celebrar o Natal. Foram dias intensos de preparação espiritual e de preparação para os sacramentos que foram celebrados.
Muita gente acorreu à missão com problemas de saúde. Foram efectuadas mais de 100 consultas. Constatámos que, infelizmente, o paludismo continua a ser uma realidade no Gungo.
Foram possíveis dois momentos de formação com os jovens (um sobre a importância do envolvimento dos jovens na vida cristã e outro sobre o Natal). Com as crianças preparámos um presépio com figuras em capim para juntar ao de barro preparado pelos jovens.
Foi projetado o bonito filme deixado pelo Padre Joaquim sobre a vida de Maria de Nazaré, servindo este de base para reflexão e dramatização pelos jovens.
Na consoada não faltou o repasto preparado pelo avozinho Filipe, com direito a bacalhau e bolo rei (preparado pela mana Teresa). Seguiu-se a vigília de Natal, onde vivemos com muita alegria o nascimento do menino Jesus: Cânticos, batuques, palmas, danças e sorrisos marcaram a celebração campal, uma forte manifestação de fé que encheu os nossos corações.
Na missa de dia de Natal tivemos a celebração de 15 casamentos e 47 baptismos, bem como a 1ª comunhão de alguns dos noivos. Que alegria! O Padre David proferiu uma homilia interpeladora com desafios a serem assumidos neste Natal pelas crianças, jovens e adultos. O nascimento de Jesus tem de significar uma transformação na vida de cada um!
Por estes dias o mano Carlos foi sempre muito solicitado para o arranjo de motorizadas (o veículo mais usado na picada) e para a manutenção de equipamentos e veículos da missão. O novo soldador chegou intacto e será certamente uma mais-valia. A nova coluna de som foi já usada, com sucesso, nas festividades do Natal.
Com o fim das celebrações, as dezenas de camungungos que haviam subido à Donga regressaram para os seus bairros. No dia de Natal à noite houve trovoada e chuva, já há muito aguardada por todos. A cisterna encheu e o milho ficou bem regado!
A 26 de Dezembro, dia de celebrar o aniversário do Padre David, foi possível aproveitar a presença do elefante (o camião da missão) e efectuar 3 carregamentos de terra para fabricar blocos na Donga. Descemos até ao Sumbe e, no dia seguinte, seguimos para a Quibala para celebrar o Natal missionário. Um momento de partilha com os padres e irmãs missionários de toda a diocese do Sumbe e onde contámos com a presença do Sr. Bispo diocesano, D. Luzízila Kiala.
Assim segue a vida na linha da frente. No domingo, dia 30, partiremos para o Gungo para celebrarmos, na Tuma, a Festa da Sagrada Família!

Tukasi Tumosi!

quarta-feira, novembro 28, 2018

TWAPANDULA!


De 1 a 28 de novembro foi-me dada a graça de conviver de perto com a equipa missionária da vanguarda na missão de S. José do Gungo, na diocese do Sumbe, geminada com a diocese de Leiria-Fátima. De momento, de Leiria-Fátima, está o Pe. David Nogueira e os missionários leigos Sílvia Antunes, da paróquia do Souto da Carpalhosa e Carlos Santos, das Chãs, paróquia de Regueira de Pontes. Da diocese do Sumbe estão em missão em Leiria-Fátima os padres Rogério Chitapa, nas paróquias de Matas e de Espite e o Pe. Lucas Mendes na Maceira.






Uma coisa é ver imagens e ouvir falar; outra é tocar, sentir, cheirar, viver de perto a realidade. Centrados em Cristo e inspirados pelo Espírito Santo, os membros da equipa missionária e os seus colaboradores mais próximos alimentam a sua fé nos momentos de oração da manhã, da noite e na eucaristia que é sempre um alegre encontro com Cristo e com os irmãos vindos dos muitos bairros, dispersos pelas montanhas do Gungo. Depois do “mata-bicho” (pequeno almoço) são distribuídas as tarefas e, cada um, segundo os seus talentos, dá o seu contributo, com dedicação e amor. No centro da Donga, por exemplo, faz-se de tudo um pouco: a sementeira do milho e do feijão (agora é o tempo das lavras), a soldadura de peças de motos e do tractor, a moagem do milho, o telhado da casa do gerador, a mecânica e eletricidade, a descasca do milho e da ginguba (amendoim), o cuidado da horta e dos animais (dos porcos, cabritos e galinhas), a construção da nova casa de acolhimento para os catequistas, as consultas aos doentes, a pastoral da criança, a cozinha do “Chefe” avô Filipe; o fabrico de blocos de terra comprimida (BTC), as formações de jovens, catequistas, casais; as explicações das várias matérias da escola, as sessões de cinema… Esta é apenas uma lista das muitas actividades realizadas pelos missionários, por amor a Cristo e aos irmãos, com muita generosidade, alegria, entusiasmo, uma boa dose de humor, muito sacrifício e toneladas de paciência. Basta pensar nas horas de picada para chegar à Donga e não só…pois com a reparação da estrada nacional 100, grande parte do percurso entre Luanda e Benguela faz-se por picada, por causa dos trabalhos em curso.
Na vida também precisamos de lazer. Numa saída da equipa missionária foi-me dada a possibilidade de conhecer de passagem a cidade de Benguela, do Lobito, do Lubango e do Namibe e de passar uma tarde junto de umas belas quedas de água, nas Cachoeiras do Binga, numa tarde de avaliação e ao mesmo tempo de convívio.
Agradeço às dioceses de Leiria-Fátima e do Sumbe e aos seus respectivos pastores D. António Marto e D. Luzízila Kiala e à equipa missionária da missão de S. José do Gungo – Pe. David Nogueira, mana Teresa, avô Filipe, mana Sílvia e mano Carlos e seus colaboradores mais próximos por esta experiência na vanguarda da missão.
Que Deus a todos abençoe e conceda todas as graças e meios necessários para continuarem a servir o povo disperso pelas montanhas do Gungo. TWAPANDULA!

Pe Joaquim Domingos Luís

segunda-feira, novembro 19, 2018

Boa missão, Irmã Nancy!

Saudações fraternas!

A Ir. Nancy não vai só:
leva ao seu lado Nossa Senhora de Fátima.
E, na mochila às costas, leva a imagem desta.
Oferecida pelos seus amigos Ondjoyetu. Com muita Gratidão.
Ontem, a nossa querida Irmã Nancy deixou Portugal rumo ao México para responder a um novo chamamento de Deus: uma outra missão a espera, desta vez no âmbito da Pastoral Vocacional, na sede da sua congregação, as Filhas de Santa Maria de Guadalupe.

Depois de ser missionária em Angola, a Ir. Nancy chegou a Portugal no dia 22 de setembro de 1998, para a sua primeira missão na diocese de Leiria-Fátima. Durante 10 anos esteve integrada na comunidade das Irmãs Filhas de Santa Maria de Guadalupe, na cidade da Marinha Grande, tendo regressado em julho de 2013 para a sua segunda missão por terras lusas. Em ambas as missões, a Ir. Nancy desenvolveu a sua acção na Pastoral Social (visita aos doentes e idosos), Juventude Operária Católica, Catequese, celebração da Palavra nos lares, atendimento de cartório, entre outros serviços.Também colaborou com outras comunidades e em diversas actividades da diocese. Além disso, foi, com o Pe. Vítor Mira, co-fundadora do nosso grupo missionário, em agosto de 1999, participando desde aí na coordenação e nas diversas actividades Ondjoyetu. No ano 2000, esteve durante um mês em Angola, integrada na primeira equipa missionária do projecto ASA - Acção Solidária com Angola. A partir de 2002, participou assiduamente na missão anual realizada nas férias de Verão - a Missão no Alentejo, e, neste presente ano, em Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande.


Damos graças a Deus pela vocação da Ir. Nancy e pelo tempo de missão que viveu no nosso país. Pela sua alegria, humildade, simplicidade, generosidade, dedicação a Deus e aos outros, pelo seu testemunho de vida, por tudo o que fez na família Ondjoyetu, por tudo o que é, MUITO OBRIGADO, Irmã Nancy. Muitas felicidades e muitas bênçãos de Deus para esta sua nova missão. E aqui fica a nossa profecia: não há duas (missões em Portugal) sem três :) Hasta pronto! Estamos juntos.

O Grupo Missionário Ondjoyetu


Sempre acreditei que Deus tinha e tem um PLANO DE AMOR para todos e para mim também; tinha de encontrá-lo, abraçá-lo, amá-lo e segui-lo, sempre com espírito de Fé e Amor, de entrega ao Irmão, sem distinção de raça, de cor, porque Deus está nele e nele devo amá-Lo.
Irmã Nancy Ortiz Casas

domingo, novembro 11, 2018

Animação missionária no Centro de Estudos de Fátima - CEF

No contexto do Outubro Missionário, recebemos o testemunho da professora Maria da Graça Fevereiro sobre a animação missionária realizada em turmas de EMRC, no Centro de Estudos de Fátima – CEF.

Destacamos a participação dos Ondjoyetu Pe. Joaquim Domingos Luís, director do Serviço de Animação Missionária (SAM) de Leiria-Fátima, e Ir. Susana Salinas, da Congregação Filhas de Santa Maria de Guadalupe.

Aqui fica a partilha desse testemunho:
Inserida no mês missionário, realizou-se durante o mês de outubro, no Centro de Estudos de Fátima – CEF, a sensibilização para a missão e, este ano, respondendo também ao convite do Papa Francisco, que declarou o mês de outubro de 2019 “Mês Missionário Extraordinário». A iniciativa do Papa tinha por fim celebrar o centenário da Carta Apostólica Maximum Illud, de 30 de novembro de 1919, do Papa Bento XV, com o objetivo de despertar para uma maior consciência da missão e dar um novo impulso à transformação missionária da vida e da pastoral. Para isso, a Conferência Episcopal Portuguesa publicou uma Nota Pastoral para o Ano Missionário e o Mês Missionário Extraordinário, com o tema “Todos, Tudo e Sempre em Missão”, que decorre desde outubro de 2018 até outubro de 2019.

Assim, neste contexto de celebração e respondendo ao convite à missão, este ano o CEF recebeu vários missionários, nomeadamente, o P. Joaquim Domingos, SVD, responsável diocesano pela animação missionária nas escolas. E o P. Joaquim veio acompanhado por algumas religiosas: a Ir.ª Conceição Pena, das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias; a Ir.ª Adelaide, das Irmãs de S. José Cluny; as Irmãs Luciana, de Timor, e Rosa, das Escravas da Santíssima Eucaristia e da Mãe de Deus; e ainda a Ir.ª Susana, do México, das Filhas de Santa Maria de Guadalupe, que se encontram na Marinha Grande. Este grupo de missionários foi-se alternando pelas várias turmas do 9.º ano e das turmas do Ensino Secundário.

Foi uma partilha rica de experiências que não terá deixado de lançar sementes para a missão, no coração dos jovens que participaram nas ações de sensibilização missionária, realizadas durante as aulas de EMRC. De salientar que a turma C do 9.º Ano aprendeu o hino missionário, Portugal vive a missão, do compositor P. António Cartageno, surpreendendo e presenteando os animadores das ações com uma perfeita execução deste Hino! Obrigada a todos pela partilha!

Maria da Graça Fevereiro


Lembramos que o SAM está disponível, ao longo de todo o ano, para sessões de sensibilização missionária em paróquias, catequeses e escolas. Para esse efeito, envie, por favor, e-mail para animissionaria.leiria@gmail.com. Obrigado.