sábado, junho 04, 2022

Dois meses na Missão Católica do Gungo em Angola



                 Dois meses no Gungo com o Grupo Missionário Ondjoyetu, foi antes de mais a concretização de um sonho, várias vezes adiado pela pandemia.

                Não importa a origem da força que nos move. O importante é sentir essa força, reconhecer o que nos traz alegria e paz interior, liberdade e coragem para agir. Partir, sem grandes planos e objetivos, mas de coração disponível para viver o desafio de aceitar o que vier. Este foi sem dúvida o foco principal.

                Em cada dia passado em Angola, senti a força de uma frase do escritor moçambicano Mia Couto que passo a citar- “Só é olhado pelo céu quem olha as estrelas”. Em cada dia e nas mais diversas situações em que tantas coisas positivas aconteceram, senti esse olhar, que quero acreditar ter vindo do céu.

                 De facto, olhar as estrelas no silêncio do Gungo com tudo o que aquele enorme céu tem para oferecer é receber do Alto muito mais do que possamos imaginar.

                Olhar o pôr-do-sol naquele lugar, é sentir que uma luz Divina nos invade a alma como uma bênção, nos impõe silêncios mágicos em que sentimos o significado de “ser feliz com muito pouco”.

                No Gungo, aparentemente no meio do nada, é possível sentir tranquilidade e paz. Encontrar aventura e surpresa em cada quilómetro de picada percorrido, vida e beleza em cada quadro vivo que fica gravado na nossa memória.

                 Construir relação e comunicação em cada encontro feito de conversas, sorrisos rasgados, mãos agradecidas, olhares meigos de crianças sedentas de atenção e carinho.

                Mais importante que a avaliação do serviço que efetivamente prestei, foi sentir que o verdadeiro sentido da existência está em pequeninas coisas que podem fazer toda a diferença na relação entre povos, apesar da diversidade de hábitos e culturas. Perceber que a partir do pouco ou muito que fazemos e somos, se pode crescer e fazer crescer.

                Nesse sentido, o saldo foi francamente positivo. Regressei de coração cheio e agradeço a todos quantos proporcionaram a minha aproximação a este grupo missionário, a quem felicito na pessoa do Padre David Nogueira, pelo enorme serviço que actualmente presta à melhoria das condições de vida das gentes do Gungo.

                Termino recordando as palavras do Papa Francisco “Seremos julgados com base no amor. Não sobre os sentimentos, mas sobre as obras; sobre a compaixão que se torna proximidade e ajuda atenciosa”.

                Neste espírito, é tempo de projetar o futuro. Prestar atenção aos sinais que o nosso coração dá e acreditar que é possível fazer sempre mais em ordem à construção de um mundo melhor. O futuro a Deus pertence….

                Isabel Cabeleira

terça-feira, maio 24, 2022

Duas partidas e uma chegada

 



    Nos dias 12 a 15 de Maio, foi a última estadia do Padre Sebastião e da avó Isabel na missão do Gungo. O dia 13 de Maio foi passado a carregar pedras e o padre Sebastião soube usar a cabeça para esta tarefa. Tivemos a presença, na missão, dos membros dos movimentos apostólicos que já vinham preparados para esta tarefa. Arrancar pedras da montanha, carregar no camião transportar e colocar nalguns buracos que dificultam as viagens.

A avó Isabel ficou a apoiar as meninas lá de casa e a atender as consultas, pois a prática de algumas semanas ajudou a que ganhasse alguma à vontade para as situações mais simples.
    
       O serão foi dedicado à devoção Mariana com a procissão de Nossa Senhora de Fátima vivida com profunda devoção que veio a ser complementada com a manhã do dia seguinte de reflexão acerca da Mensagem de Fátima.

O domingo, dia 15, teve como ponto alto a eucaristia que foi momento de acção de graças pela presença destes missionários entre nós e, ao mesmo tempo despedida com o misto de emoções que sempre se avolumam de parte a parte. No final, tiraram algumas fotos para ficarem para a posteridade. Na tarde desse dia descemos ao Sumbe para arrumar as malas e partir no dia seguinte para Luanda.

Em Luanda pudemos usufruir da boa hospitalidade dos padres do Verbo Divino. No dia 19 de Maio, quinta-feira, a manhã foi passada no aeroporto a deixar dois passageiros numa porta a acolher uma passageira que chegava na outra porta, a Cristina Mão-de-ferro. Eis as suas primeiras impressões:

“Ao fim de quase 8 horas de voo noturno, acordo já sobre Luanda! O casario, denso e sobreposto, faz adivinhar uma cidade sobrelotada e confusa banhada pelo calmo oceano atlântico! A aterragem foi tranquila, a operação de controlo sobre o covid-19 rápida. Mais demorado foi conseguir o visto, mas tudo correu como esperado. Malas e documentos em ordem! Aí vou eu, Gungo!
Ver o Padre David à minha espera não foi só uma imensa alegria, como um grande alívio também! Faltava apenas o “cavalinho branco” e começaria então esta grande aventura!
O dia de quinta-feira foi longo, começara cedo, mas ainda encontrámos forças para irmos comprar algumas coisas que faziam falta na sede da missão, no Sumbe, e um passeio de reconhecimento por Luanda. 
Ao final da tarde voltámos para a Congregação do Verbo Divino, onde fizemos as nossas refeições e pernoitámos e onde, de resto, fomos carinhosamente recebidos. 
Sexta-feira foi dia de regressar ao Sumbe, não sem antes fazermos uma rápida visita ao colégio das Pequenas Irmãs da Sagrada Família e, de seguida, almoçarmos com grandes amigos da missão. 
O dia ía longo e o caminho para o Sumbe esperava por nós, pelo que nos fizemos à estrada ainda a tempo de ver o maravilhoso pôr no sol no cacimbo ao largo da ilha de Mussulo e de passarmos pelo miradouro da Lua.
Chegámos ao Sumbe tarde, noite cerrada, onde as pequenas luzes das casas pareciam pirilampos, deixando adivinhar a topografia da cidade.
Não posso deixar de confessar que aqueceu o coração chegar a casa, depois de tantas horas de viagem, onde uma sopa quentinha feita pela mana Teresa, nos esperava!
Agora é hora de tratar de questões pendentes, organizar os próximos dias e preparar a subida a Gungo!
Não vejo a hora de me meter ao caminho pela picada com o padre David e o avô Filipe, no cavalinho branco!“

A Equipa Missionária













quinta-feira, maio 12, 2022

Mais duas semanas...


                Mais duas semanas passaram… No dia 23 de Abril, partimos em direção ao bairro do Uquende que fica a meio caminho da Donga. Pernoitando na casa da missão, onde fomos carinhosamente recebidos pela mãe Carolina e uma comitiva de muitas crianças que vibram, cada vez que chegam os missionários.

                No dia seguinte, domingo, na capela improvisada e que em breve será substituída pela bonita construção já erguida no local, foi a vez do P. Sebastião presidir à Eucaristia, Para ajudar à preparação o P. David atendeu confissões. Uma vez mais a alegria manifestada através de cânticos e danças nos faz sair de nós e viajar por um mundo onde nos apetece permanecer. Depois do óptimo almoço oferecido pela comunidade, seguiu-se o encontro de catequistas com o P. David, o que nos permitiu a mim e ao P. Sebastião, acompanhados pela mana Teresa, fazer um passeio pelo bairro onde ouvimos um sem fim de “SIM”, “obrigado”… como resposta a uma saudação ou simplesmente a um acenar de mão. Ao final do dia subimos à Donga.

                A semana foi passada em atividades várias: trabalhos na horta, atendimento a pessoas que precisam ajuda para pensos, testes de malária, adquirir alguns medicamentos, ou simplesmente querem conversar e ficam felizes, porque alguém as escuta. Sem dúvida, sentimo-nos úteis.

                 Chegados ao dia 29, foi tempo de celebrar com a comunidade residente na Missão os 20 anos de ordenação do P. Sebastião, com a celebração da Eucaristia e, no final, os parabéns e a partilha do bolo.

                No domingo, dia 01 de Maio, pela manhã, uma parte da Equipa, partiu em direção ao bairro da Chitiapa conduzidos pelo mano Mário. Vivemos mais um dia inesquecível. Fomos recebidos em ambiente de muita festa por parte da comunidade e a Eucaristia foi muito participada e vivida de forma intensa. A alegria e calor humano que sentimos é impossível transmitir por palavras, apenas se sente.

                Depois de um excelente almoço oferecido por esta comunidade, a tarde foi feita de encontros. Inicialmente com um grupo de catequistas adultos que expuseram os problemas que enfrentam em relação à adesão dos jovens e, por fim, com os jovens que, para surpresa nossa, compareceram em grande número. Várias perguntas e um diálogo muito proveitoso para eles e também para nós.


                Nesse mesmo domingo, o Pe David Ficou na Donga para celebrar aí a Eucaristia e acolher a oferta e montagem de dois candeeiros fotovoltaicos que foram colocados no pátio da missão.


                Regressando ao silêncio da Donga, iniciámos mais uma semana. Segunda-feira, logo pela manhã, o silêncio é invadido pelo ruído da betoneira que anuncia o bom andamento da casa dos catequistas que em breve chegará à cobertura.


                Aqui todos os braços são úteis. Há sempre algo para fazer. Quanto mais não seja ouvir, escutar com o coração e responder a perguntas sobre o nosso país, já que a curiosidade sobretudo dos jovens é grande.

                 A chuva, contrariando o que é normal, teima em não cair e o novo feijão precisa de água. Foi necessário transportá-la com o camião e esticar mangueira até à lavra, para que ele floresça e dê boa colheita.



                Conforme previsto, o P. David acompanhou um grupo de 9 jovens do Gungo até à Conda, onde se realizou o Encontro Diocesano da Juventude, de 06 a 09 de Maio, chamado “Páscoa Jovem”, que contou com 562 participantes de toda a diocese; pelo que as celebrações do fim se semana, na missão, ficaram a cargo do P. Sebastião.

             Depois de 15 dias na Donga regressámos à cidade para contactar com o mundo, abastecer e tratar alguns assuntos. Aceitando o convite de algumas comunidades de religiosas que trabalham aqui na cidade com crianças e jovens aí nos deslocámos para as visitar e conviver. Fomos muito bem recebidos e saímos felizes ao constatar que a igreja católica continua a fazer um grande trabalho por estas paragens.

Pela Equipa Missionária

Isabel Cabeleira

sexta-feira, abril 22, 2022

Semana Santa e Páscoa na Donga


           
Em ordem à celebração da Grande Festa, todos os caminhos foram dar à Donga.

            O silêncio transformou-se num alegre coro de vozes. A nostalgia das pedras negras do Gungo tornou-se um quadro vivo, cheio de cor e beleza em que vida, comunhão e partilha, se fazem realidade e são fonte de verdadeira alegria.   

            Chegada a sexta-feira Santa, logo pela manhã foi tempo do P. Sebastian preparar e encenar com o grupo de jovens a Via Sacra, que tal como a Eucaristia com o ritual do lava-pés foi vivida intensamente por um enorme grupo de pessoas vindas dos mais diversos bairros.

            O recinto, foi albergando todos quanto chegavam e, rapidamente, um mar de gente ocupou o espaço da missão. Cada grupo, escolhendo o seu espaço e em volta da fogueira, conversava, preparava e partilhava as refeições. Aqui a palavra comunhão e partilha faz verdadeiramente sentido.

            Se acreditar é ter a certeza das realidades que os olhos não podem ver, aqui são os olhos do coração a fazer-nos sentir que Deus está verdadeiramente presente.

            Percorridos os passos próprios destes dias, foi em ambiente de muita fé que pudemos vivenciar a Sexta-feira Santa com a celebração da Paixão e adoração da Santa Cruz.

            Chegados ao Sábado Santo, tempo de vigília Pascal, em que os 53 catecúmenos receberam o Batismo, nem mesmo a chuva que começou a cair no final da celebração, que durou das 21:00h até às 00:40h, fez afastar os participantes que permaneceram em festa até de madrugada.

            Após um escasso tempo de descanso, no espaço em que cada um se sentiu confortável, amanheceu o grande dia: o Domingo da Ressurreição. Vestindo as melhores roupas em que as cores fortes são predominantes se fez o anúncio de um dia alegre e, cerca de 800 pessoas, celebraram a Ressurreição do Senhor.

            Presidida pelo P. David Nogueira e concelebrada pelo P. Sebastian a Eucaristia foi o ponto alto da festa. Nela receberam o Sacramento do Matrimónio os quatro casais que se vinham preparando ao longo do tempo e, de seguida, receberam o batismo os filhos destes casais, 6 crianças de colo. Entre cânticos, batuque e danças, foi uma verdadeira explosão de alegria. Nem mesmo as crianças manifestavam cansaço ou vontade de desistir.

            Após a celebração, chegou a hora de partir e aproveitar a vinda à missão para fazer uma consulta ou curar algumas feridas físicas já que as da alma estavam curadas pela felicidade sentida ao longo destes dias.

            Estar neste lugar, trocando as nossas certezas pelo desconhecido tão surpreendente, é sentirmo-nos gratos por estar aqui e vivenciar esta experiência.

 

Pela Equipa Missionária

Isabel Cabeleira










quarta-feira, abril 13, 2022

As "portas" da semana Santa

 

                No dia 9 de abril, sábado, a equipa missionária, conforme o programa, chegou à Tuma; uma comuna que fica a 90 km do Sumbe para celebrar o domingo de Ramos. Fomos recebidos com cânticos e danças que anunciavam as boas vindas. A tarde foi passada em atividades pastorais que consistiam em encontros de formação para os membros de Legião de Maria e catequistas, Missa vespertina e a recitação do terço.



                No domingo, a missa que se iniciou às 08h30, terminou pelas 11h30. A celebração foi feita na língua local, umbundo, e daí as leituras pareciam mais longas mas o povo escutava-as interessadamente. À saída da missa, a equipa missionária ofereceu às crianças, vestidos trazidos de Portugal o que as deixou muito contentes e mais coloridas. Manifestando gratidão, fizeram questão de acompanhar os missionários recém-chegados na passagem pelas suas ruas, à escolinha e ao campo da bola. Elas manifestavam expressa e inocentemente a saudade que tinham de outros missionários que passaram por cá. Foi um Domingo de Ramos bem diferente de muitos outros que já tínhamos vivido. A alegria, a viva participação, sem pressa, o convívivo entre gente que chegou de outras aldeias, algumas bem distantes, são aspectos que nos deixaram com pontos de interrogação e admiração. 


                Um Domingo de Ramos verdadeiramente diferente, onde a simplicidade e a alegria foi uma realidade que nos contagiou e nos fez antever uma Páscoa bem diferente.










Pela Equipa Missionária
Pe Sebastian Joseph

sábado, abril 09, 2022

Primeiras impressões em missão

Com o Pe Denis SVD Em Luanda

                 Depois de uma pequena pausa em Luanda e de uma noite na sede da missão no Sumbe, eis que chega a hora de partir rumo ao mundo que nos espera: o Gungo. Partimos ao final da tarde com o essencial para viver os nossos primeiros dez dias na missão, conduzidos pelo P. David Nogueira que nos foi falando da paisagem, da história e cultura deste povo.

                Dos 130 km que teríamos de percorrer, os últimos quarenta foram a serpentear em picada estreita, ladeada ora de capim bem alto, ora de árvores e vegetação exuberantes.

No Sumbe
na residência Ondjoyetu
                Já pela calada da noite, passando por várias aldeias, o ruido do novo cavalinho branco (o carro da missão) era o anúncio de que algo diferente estava a acontecer. Quem regressava da lavra, carregando à cabeça o produto do seu trabalho, alimento para a família, parava para nos dar passagem e de repente, vindo de um lugar que a escuridão não nos deixava decifrar, surgia um grupo de crianças, felizes e sorridentes acenando e dizendo chaué!...

                Sentir a alegria que a nossa passagem provoca é algo que nos toca profundamente e nos deixa de coração cheio. Um balão, um rebuçado ou simplesmente um adeus é ter como resposta um obrigado cuja autenticidade se sente no olhar de quem o pronuncia; é algo que não se consegue explicar.

                Depois de uma paragem no bairro de Uquende, serpenteando de novo pela picada cerca de mais de uma hora e meia, eis que chegamos à Donga. Acolhidos com cânticos de boas vindas e porque a noite era já uma realidade, cada um se despediu e ficou apenas o silêncio. Um silêncio que nos invade e nos leva a viajar por mundos onde aquele a que estamos habituados se desvanece por completo.

                Após algumas horas de descanso o canto dos galos e os passos de quem, bem cedinho, se dirige para os trabalhos nos campos, anunciam a chegada do novo dia.

Catecúmenos e padrinhos

                A primeira semana na Donga foi tempo para olhar, escutar, sentir e viver intensamente o que os olhos vêem, os ouvidos escutam e o coração sente. Uma tranquilidade que nos deixa perplexos e nos interpela acerca do nosso conceito de felicidade. Tempo para constatar que é possível ser feliz com muito pouco e tomar consciência de que sabemos muito menos do que pensamos saber.

A sementeira de feijão
                O enorme trabalho desenvolvido na missão em ordem a melhorar as condições de vida do povo, foi também motivo de admiração. Desde a prestação de cuidados básicos de saúde, construção de infraestruturas e implementação de vários projetos em ordem à sustentabilidade nas várias vertentes, nomeadamente a agricultura, a pecuária, a cantina onde é possível adquirir coisas básicas, são formas concretas de simplificar a vida deste povo, onde os meios de comunicação são precários.

                O segundo fim-de-semana na Donga foi repleto de atividades pastorais em ordem à preparação de catecúmenos para a grande festa a realizar na Páscoa. A partir da tarde de 6ª feira, dezenas de crianças, jovens e menos jovens carregando o suficiente para confecionar as refeições foram chegando ao espaço da missão. Um verdadeiro acampamento ao ar livre. Espaço de convívio, partilha, oração e aprendizagem que terminou com a celebração da Eucaristia numa igreja literalmente cheia, não somente de presenças físicas mas de ritmo, alegria e fé.

                Ao início da tarde foi tempo de mais uma caminhada de regresso às aldeias de origem o que para uma boa parte seria caminhar até ao dia seguinte.

                Com um adeus até nos voltarmos a encontrar para celebrar a semana santa e a Páscoa, também para nós foi tempo de regressar ao Sumbe, de onde sairemos para celebrar o domingo de ramos numa outra aldeia: a Tuma.

 


Pela equipa missionária

Isabel Cabeleira





sexta-feira, março 25, 2022

Missionários acabadinhos de chegar

 Saudações a todos os que passam por este espaço.


Venho partilhar convosco a chegada do Pe Sebastian Joseph e da Isabel, ambos vindos da paróquia de Minde. O Pe Sebastian, missionário do Verbo Divino ao serviço na diocese de Leiria-Fátima, na paróquia de Minde, e a Isabel, uma leiga empenhada na paróquia que pretende dar um pouco de si à missão. Ambos chegaram bem dispostos e prontos para dois meses de missão por terras de Angola colaborando em tudo aquilo que lhes seja possível.

Para nós que os acolhemos é uma alegria ter novos membros na Equipa e sentirmo-nos assim reforçados por aqueles que vêm e tantos outros que estão associados a eles e a nós também. Hoje, Sexta-feira, dia 25 de Março, estamos de partida para o Gungo para cerca de 10 dias de permanência por lá. Desejo continuação de Santa Quaresma.

Até breve

domingo, dezembro 19, 2021

Missa nova e outras novidades e um Santo Natal

 Saudações a todos os que passam por este espaço.

No fim de semana, 11 e 12, na sede da missão Donga, tivemos a alegria da celebração da missa nova de um padre que tem as suas raízes no Gungo. Não nasceu ali e apenas viveu lá poucos anos. É o padre Aguinaldo Muto. Seu pai é originário do bairro do Tombo no centro de Cabinda do nosso Gungo.

A acompanhar este acontecimento estiveram mais dois consagrados do Gungo, o padre Matias António e a irmã Cecília originária do bairro da Turma. Foi um fim de semana que aproveitámos para sensibilização vocacional com encontros de jovens com as irmãs e os padres. Também a comunidade tomou maior consciência da necessidade de se criar ambiente nas famílias para reflexão sobre a vida consagrada.

Antes deste domingo vivemos uma semana de trabalhos em que foi possível fazer crescer a casa de apoio aos catequistas até à terceira fiada e início da quarta. A serralheria trabalhou de segunda a sábado ajudando nas avarias dos motoqueiros, fazendo reparações numa pequena moagem que um cliente trouxe, fabricando as grades para proteger a nossa moagem do Uquende dos amigos do alheio. Até fizemos serralheria ao domicílio para soldar umas peças numa moagem no Ambande.

A agricultura esta temporada está a dar bons sinais. Tem chovido de feição e a maior parte do Gungo tem prespectiva de vir a comer os frutos da terra. Um dos desafios tem sido conseguir sachar tudo o que semeámos para que, livre do capim, possa desenvolver devidamente.

A nossa picada está melhor desde o Eval Guerra ao Uquende reduzindo para uma hora e quinze minutos um percurso que antes demorava no mínimo quatro horas. Vamos ver se não estraga muito com as chuvas grandes do próximo fevereiro e março. Por agora até os pequenos carritos estão a subir.

Aproveito para desejar a todos um Santo Natal e que o Deus Menino encontre em cada coração um lugar bem aconchegado para ser acolhido por cada um de nós.

Boa missão

pe David 

segunda-feira, novembro 01, 2021

Novo Cavalinho já chegou! Obrigado a todos!

Saudações, a todos os missionários que acompanham as novidades,

O novo cavalinho branco para a missão de S. José do Gungo já chegou. Na quarta-feira, dia 27 de Outubro foi-nos entregue o novo veículo para o qual se andou a trabalhar há cinco anos. A campanha de angariação iniciou em 25 de Setembro de 2016 e teve vários avanços e recuos que fizeram arrastar mais tempo.


Na sexta-feira, dia 29 foi aplicada a grelha superior, um dos extras que é de grande utilidade para a missão e, nesse mesmo dia, foi feita a primeira viagem de Luanda para o Sumbe.
Quando o recebemos tinha apenas 70 km. Oxalá possa fazer pelo menos tantos como o seu irmão mais velho que está connosco desde 2007 e conta já com 401 000 Km.


Aproveito para agradecer a todos os que colaboraram para que possamos ter ao dispor do povo do Gungo esta ferramenta pastoral tão importante e que teve a contribuição de tantas pessoas de boa vontade dentro e fora da diocese de Leiria-Fátima.


Um agradecimento especial à Liberty Seguros, SA que esteve no lançamento da campanha de angariação.
Uma paragem no miradouro da Lua



Um grande Bem haja a todos e a cada um que esteve em missão ao dar o seu contributo e continuará enquanto este veículo circular ao serviço da missão!



Entretanto vamos pôr o novo cavalinho em andamento. Hoje mesmo subirá à Donga para a sua primeira incursão missionária.





Twapandula Chiwa! (Muito obrigado! na língua Umbundo).
Que S. José, nosso padroeiro, e Todos os Santos que hoje celebramos nos acompanhem.

sexta-feira, julho 23, 2021

No Calipe, Chitiapa e Donga

 Saudações,


Na última quinzena, subimos à Donga, passámos a noite e, no dia seguinte fomos até ao Calipe. Há quase dois anos que não íamos àquele bairro. 

As visitas aos centros permitem estar mais perto das pessoas e elas sentirem a Equipa Missionária mais perto. É aí que se falam problemas e alegrias das comunidades que nem sempre chegam ao Conselho Permanente ou, por vezes, são falados sem os seus intervenientes directos. Administrou-se a Unção dos doentes a 3 idosos, fez-se reunião com os conselhos de cada aldeia, um encontro de jovens, encontro com os membros dos movimentos apostólicos, a celebração da Eucaristia, o sacramento da confissão, cadastramento de muitos fiéis que ainda não estavam no ficheiro da missão...

Para os que conhecem o Calipe: A tartaruga continua no cimo do monte e esta foto é do menino Valdomiro e a sua mana.

A meio da semana saímos do Calipe rumo à Chitiapa para aí estar até ao final da semana. A mesma proximidade, o mesmo género de actividades para contactar de perto com as pessoas individualmente e com a comunidade em geral. Na Chitiapa uma das particularidades foi o encontrar uma comunidade um pouco dispersa devido à passagem de um Quimbanda (bruxo) que deixou as pessoas confusas e divididas e até alguns litígios dentro de algumas famílias. Foi preciso, numa sessão comunitária falar das coisas abertamente e ajudá-los a perceber os enganos em que caíram. Já não foi a primeira vez que estive naquele centro e bairro a debater este assunto. É assim, no meio do povo, que vamos ajudando a lidar com os problemas e dificuldades do dia a dia. 

Da semana na Donga falarei depois...


sexta-feira, julho 02, 2021

Mais uma Quinzena em missão

Duas semanas se passaram e já voltámos à cidade do Sumbe, voltaremos a subir às nossas montanhas já sexta-feira dia 2 de Julho (Ups! Já é hoje!). Agora com a equipa reduzida sou eu e o avozinho Filipe por esta picada acima e abaixo e um ou outro passageiro que nos pede boleia...



Nesta temporada foram atendidos cerca de 130 doentes que apareceram na Missão a pedir consulta. Um pouco acima da média. Muitos destes casos eram de paludismo, cerca de 90. Infelizmente terminaram os testes rápidos que nos indicam com alguma precisão se as pessoas têm ou não paludismo porque esgotaram no armazém onde habitualmente conseguimos comprar. Mas a experiência vai ajudando a observar no organismo humano os sinais permitindo com alguma exactidão chegar ao diagnóstico ou despistá-lo.

Numa das consultas por volta das 19:00h: um bebezinho com 15 dias que deixou de mamar desde a manhã desse dia... Aparência de prematuro com boca bem pequenina… Um grupo de pessoas a acompanhar (12 adultos e alguns bebés cocados!) Parecia uma situação dramática… Depois de analisada a situação, uma primeira experiência: a mãe tirar leite e dar-se com uma seringa no canto da boca… E resulta! Ele está a aceitar… e duas e três seringadas (de 5ml). Depois chamámos a avó para ela experimentar fazer a operação e oferecemos à mãe copos e seringas para que ela pudesse tirar o leite e dar e ensinámos a esterilizar o material e todos os cuidados de higiene e nutrição necessários para ambos. O problema era apenas o bebé ter a boca ainda pequenina e, felizmente ali o remédio estava na mãe. Passado uns dias disseram que já estava a mamar por ele mesmo.

Também no campo da orientação para a vida e orientação espiritual vai sendo preciso ajudar alguns que vêm para partilhar e desabafar angústias e incertezas. É a saúde do espírito por vezes em perigo. Assim ajudamos a crescer por fora, mas também por dentro. Dar coragem para novas etapas. 

A nível da pastoral houve encontro do concelho permanente para planificar mais uma temporada, agora até ao final do mês de Agosto. Vamos aceitar o desafio de fazer visitas aos centros em tempo de pandemia com as adaptações necessárias. Num dos fins de semana na Donga tivemos um encontro para noivos, mas, estranhamente, só apareceu um casal mas receberam tudo a que tinham direito. No fim de semana seguinte foi a vez da preparação para o baptismo de famílias dos centros do Caponte, Ondjila e Calipe. Pais de cerca de 60 crianças (alguns com 2 e 3 filhos para o Baptismo) com algumas das crianças, cestos e panelas passaram 3 dias para viver mais um passo de preparação.

Em relação às obras, a equipa dos trabalhos avançou com os balneários públicos: terminámos a cofragem e betonagem da laje dos chuveiros, iniciámos o levantar das paredes e já colocámos tampas na fossa e caixas de passagem dos esgotos… Vão-se concretizando projectos que já passaram por muitas cabeças e mãos e contam com muitos contributos dos missionários que cá passaram desde as ideias, ao projecto ou à execução.

Na serralharia vão-se operando alguns pequenos milagres em que “a sucata vira mota!”. Já se tornou quase um lema quando os motoqueiros chegam com os chassis todos partidos e saem dali a aceleram para mais um tempo. Vão-se fazendo também alguns trabalhos para a “casa”.

No nosso estaleiro crivámos terra e estamos a produzir mais BTC (blocos de terra comprimida) a pensar na casa de apoio aos catequistas – nestas duas semanas produzimos mais ou menos 1200 blocos e a produção irá continuar até aos 8000.

Nas mecânicas: Umas afinações do Camião (Unimog mais conhecido por Elefante Branco) para que assegure os transportes entre os quais a tão preciosa água; Os geradores que teimam em querer também os seus mimos e as manutenções habituais no Cavalinho (jipe Land Cruiser) para que não nos falhe.

A moagem do Uquende Já vai revelando algum cansaço. O moleiro desalentado: “Porque as avarias só acontecem no meu turno!” veio à missão. O que será? Consegui um dia com disponibilidade para dar uma fugida. Parecia coisa “de feitiço” pois o motor não parava mesmo desligando no botão… Uma pequena peça saiu do sítio e desregulou a aceleração. Umas horinhas e afinações depois… e está a trabalhar como um relógio… Saltitão! As mamãs estão contentes!

O serviço de fotocópias continua a ser crucial para que mais habitantes do Gungo sejam cidadãos conhecidos pelo estado através dos registos de nascimento e atribuição de BI. Mas também internamente estas máquinas são uma grande ajuda. Nova edição do livro do culto dominical na ausência do sacerdote para ajudar os catequistas, o guia para o ensino da doutrina, as actas do Conselho Permanente, os programas mensais que vão para todos os centros. A isto se associam as plastificações.

Na agricultura já colhemos 230 Kg de feijão manteiga e iniciámos a recolha e descaroçar da jinguba. Para esta última cultura os sinais são pouco animadores porque não vingou bem dentro das vagens. O milho ainda vai esperar secar mais um pouco. No curral nasceram uns leitõezinhos e os cabritinhos continuam a saltitar. A horta tem agora novos viveiros de couve, repolho, tomate, beterraba, cenoura e cebola, pois dizem que é o tempo “das hortas” embora dê para ter horta o ano inteiro.

Bem, por agora vamos ficar por aqui no blog porque temos de trepar os morros. Boa missão para cada um!

A Equipa Missionária

sexta-feira, junho 11, 2021

Actualização

Saudações a todos os que passam por este espaço

Já lá vai algum tempo sem dar notícias através deste meio, mas é só sinal de muito trabalho por estas bandas e de não tirar tempo a outras coisas para dedicar à partilha. Todos os dias sobram tarefas, graças a Deus. Por vezes o nosso Kiko cão tenta ajudar, empurra pedras (para o meio do caminho), faz de porteiro (mas só vai ver quem lá está e não abre o portão), lava o prato (mas só o dele), vai para a horta (mas não arranca só as ervas daninhas), Mas como guarda é exímio
.

Mas passando às notícias mais sérias… Não conseguirei actualizar tudo mas faço um apanhado das atividades habituais. Apesar da pandemia temos reunido o Concelho Permanente mensalmente com a presença dos nossos catequistas visitadores sendo portadores de mensagens e informações de e para cada comunidade e partilhando o trabalho que eles mesmos realizam nos centros aquando das suas visitas mensais. Algumas das tarefas que fazíamos na sede da missão estão eles agora a realizar nos centros, nomeadamente a avaliação e acompanhamento de grupos de formação entre os quais os catecúmenos. Para ajudar a essa tarefa foram agraciados com um par de botas.

Ao nível das celebrações temos incentivado a que estas sejam o mais descentralizado possível: Sejam nos bairros ou ao nível dos centros. Aglomerações na missão apenas quando estritamente necessário como foi o caso da celebração da Páscoa ou a finalização de caminhadas de preparação e celebração de sacramentos ou os retiros para membros dos movimentos apostólicos.

No dia 25 de Abril estivemos unidos à diocese de Leiria-Fátima rezando pelo novo sacerdote, Jorge Fernandes que muitos aqui conheceram quando por cá passou, e no mesmo dia em união com a diocese do Sumbe que celebrou a ordenação de 6 novos diáconos.

 

No que toca à agricultura e pecuária ampliou-se o curral dos cabritos e, neste momento, eles já estão bem educadinhos para entrarem quase sozinhos ao final da tarde. Tivemos também o nascimento de 18 pequenos cabritinhos nos últimos meses. A reprodução chegou à pocilga mas o índice de sobrevivência é baixo. Os porquinhos da Índia passaram de 2 a 4, as galinhas não conseguimos acompanhar o número porque aparecem pintinhos mas há muitas aves de rapina que “regulam a população”.

Na horta grande as nossas árvores estão a crescer, fruto do trabalho continuado de plantio com a mão de vários voluntários que por aqui têm passado: mamoeiros, sape-sape, mangueiras, nespereira, sobreiro, oliveira, nogueiras, videiras, cana de açúcar, moringa e embondeiro são as espécies que vão teimando persistir naquele espaço. Na lavra temos agora o feijão a sair e já se rói maçaroca de milho. A jinguba ainda vai esperar um pouco para ser colhida.

 

Em relação aos serviços na missão mantêm-se. Tem havido sempre procura por consultas de saúde. Vamos fazendo uma média de 30 consultas por semana quando a equipa lá está. Tentamos sempre ajudar quem nos procura. A malária continua à cabeça das doenças mais frequentes e, por vezes, esgotam-se os testes rápidos. Parte importante do trabalho em saúde é a educação para uma melhor saúde e para a prevenção o que leva sempre muito tempo, mas é necessário.

A serralharia agora já com um espaço fechado continua a tratar da saúde das motas e de outras peças que ali vêm à reparação. Já se vão fazendo alguns trabalhos mais técnicos como é a abertura de roscas. Os serviços de fotocópia e plastificação, nos últimos meses, tiveram uma procura muito maior devido ao trabalho de massificação do registo de nascimento e da atribuição de BI ao qual nós temos dado apoio logístico às instituições envolvidas. Famílias inteiras dos avós aos netos têm-se “tornado cidadãos” deste país. E o único sítio das fotocópias é a missão! A cantina tem continuado a ser um local de abastecimento a preços acessíveis, mas temos notado a perda de poder de compra das pessoas devido a duas épocas agrícolas consecutivas sem produção. Muitos já só compram o “meio quilo” ou o “meio litro” e outras coisas vêm ao balcão mas voltam à prateleira. Na área do negócio investimos de novo no negócio do carvão para apoiar alguns produtores do bairro do Sapato.

As moagens (Uquende e Donga) continuam mas no Uquende temos tido algumas avarias com necessidade de parar até reparar e fazer devida manutenção.

O camião continua no sobe e desce para abastecer a missão e servir alguns clientes sendo sempre necessária a sua presença para abastecer a missão de água. Com o projecto de abastecimento por gravidade será liberto desta tarefa.

 

Ao nível das infraestruturas e outros trabalhos temos avançado na obra onde instalaremos 3 sanitas e três chuveiros com o reaproveitamento da água dos banhos para as sanitas. Está a ganhar jeito! Outro trabalho são os testes com novo tipo de terra para fabrico de blocos de BTC. Segundo o método chegaremos ao melhor bloco possível a utilizar na casa de apoio aos catequistas que tarda em sair da viga de fundação. Para além das obras vão-se construindo os funcionários que aprendem um pouco de tudo. Seja relacionado com a construção, serralharia, fusão de plástico para remendar cisternas, pintar à pistola, electricidade, canalização, elaboração e cumprimento de projectos…

 

Nas estadias na cidade do Sumbe também se vai avançando com alguns trabalhos práticos e de manutenção como é a reconstrução das grades “do lado do mar”, o aproveitamento de algumas ofertas como foi o caso de um vidro oferecido pela angovidro que deu uma bela mesa de tender o pão. Também alguns meninos, amigos da missão, passam por aqui e treinam algumas coisas relacionadas com a escola colaborando também nas tarefas da casa. O Sumbe é também lugar de contactos para a elaboração de projectos, o reatar de laços com nossos parceiros como a associação Atlas, o Move-te Mais, Volta a África e contactar com familiares e a nossa retaguarda em Leiria-Fátima. Aqui também se tratam todas as questões burocráticas do pagamento de impostos, contactos com a diocese e trabalhos de cartório.


 

Com as chuvas a picada sofreu e precisou de mobilização de algumas comunidades. Num dos dias de campanha também os trabalhadores e residentes na missão Donga trabalhámos tapando os buracos com pedras na área do morro do Calima. Este é daqueles trabalhos que todos os anos parece não ter fim e a esperança de ver uma estrada definitiva é apenas um sonho.

 

Partilho que o Covid também existe por cá, mas não há escala que escutamos nos outros países do mundo. Diariamente mantemos no nosso pensamento e orações de solidariedade.

Subiremos hoje novamente às montanhas do nosso Gungo. Esperemos que todos os amigos em Portugal estejam bem, estão no nosso pensamento. Juntos na missão e na oração. Tchauê!


 

V: S. José Protector do Menino Jesus!

R: Rogai por nós!

 

A Linha da frente com umas ajudas da retaguarda