quarta-feira, abril 29, 2020

José Calei e Ana Pereira - entrevista na Rádio Renascença

O nosso (grande!) catequista-geral do Gungo, José Calei, que esteve por terras lusas nos meses de dezembro e janeiro, foi entrevistado no programa «Porta Aberta» da Rádio Renascença. Juntamente com ele, foi também entrevistada a nossa missionária Ana Pereira.

Para ouvir a entrevista, clique, por favor, na seguinte ligação:

quarta-feira, abril 15, 2020

Chegada do Boaventura

No dia 14 de Abril o nosso voluntário Boaventura Batista chegou de Angola.
O estranho silêncio do aeroporto, a utilização de máscaras que mais faz parecer um baile de carnaval, dificultou um pouco o reconhecimento imediato, mas o sorriso de quem vem de missão é fácilmente reconhecivel. Os mesmos cuidados que temos em Portugal também ele tinha visto em Angola.
A maior do tempo de missão foi passado no Uquende na continuação da construção da capela  que avançou bastante. Foi uma experiência especial muito gratificante e que certamente depois dos 14 dias de quarentena  que tem que cumprir  irá partilhar mais histórias connosco.
Um bem haja ao Boaventura pela disponibilidade de estar este tempo com o povo do Gungo e agora o trabalho será mais de retaguarda no apoiodo lado de cá disponível para tudo o que puder.
Jacinta 

quinta-feira, abril 09, 2020

Saudações pascais


Directamente do Sumbe, Angola, a Linha da Frente saúda familiares e amigos Ondjoyetus!

Cá estamos para vos dar as novas em terras do Gungo. Após a partida para o Puto (Portugal) da mana Teresa Maria regressámos ao Sumbe, para, logo em seguida, subirmos à nossa sede na Donga, onde nos esperam sempre muitos afazeres pois a missão, como todos sabemos, é um trabalho de continuidade. De passagem apanhamos o avô Filipe e o mano Boaventura que tinham ficado para os trabalhos da capela no Uquende.
Então, no sábado dia 14/03, foi tempo de formação para catecúmenos e, no domingo, noivos. Houve celebração do 1º escrutínio, seguindo-se no Domingo, IIIº da Quaresma, a Eucaristia com o 2º escrutínio dos catecúmenos. No início da semana a equipa repartiu-se entre a Donga e Uquende. Assim o Pe. David e o avô Filipe seguiram para o Uquende e as manas ficaram na Donga com o Boaventura a cuidar de várias tarefas.
No Uquende o Pe. David dinamizou o fim do rejunte da capela e a conclusão do telhado que já se vê à distância!!! Entretanto, na Donga, os trabalhos não se fizeram esperar entre consultas que são sempre muito solicitadas pela comunidade, colheita do feijão na lavra, malhar e limpar o lixo. Dia 19/03, enquanto no Uquende se comemorou a festa de S. José, Padroeiro da missão, e o Aniversário da eleição do Papa Francisco, com a visualização de um filme sobre a vida do Papa, na Donga, esta mesma comemoração fez-se à volta da mesa num simples jantar/convívio com os trabalhadores. Em seguida, a equipa voltou a reunir-se na Donga, onde se realizou, no sábado dia 21, o Conselho Permanente. No domingo, IV da Quaresma, a celebração e o encontro de penitentes. 

Na semana que iniciou a seguir e com o mano Boaventura em pleno, os trabalhos recomeçaram com todo o entusiasmo e coragem e, assim, foi possível concluir a cerca da horta (cujos pilares já tinham sido feitos), as bancadas novas na cozinha (de vidro e cimento), melhoramentos no forno do pão (novo lastro, reboco e rede de protecção à prova de cabritos) e obras na capoeira das galinhas. Em viveiro ficaram também mais sementes para a renovada horta. Quanto aos nossos animais, temos a anunciar o nascimento de 2 cabritos e 4 porquinhos que se mostram com boa energia e prometem crescer e aumentar a população de quatro patas. Na lavra foi tempo de sementeira de feijão com o charrueiro e os bois e sachar a ginguba. Fizemos ainda uma visita ao bairro do Chimano mesmo aqui pertinho da Donga. Fomos recebidos com alegria e houve distribuição de balões que sempre fazem as delícias das crianças (agradecemos as dádivas dos balões).
Bairro do Chimano
 Durante este tempo (Como o nosso avozinho Filipe esteve um pouco incomodado (adoentado) e para lhe dar o descanso necessário para o seu restabelecimento), fomos também apaparicados com os cozinhados da tia Ção: pão, ginguba torrada e maçãs assadas usando o forno solar (agradecemos também ao doador do forno solar), bolas de Berlim, rissóis, etc… porque nem só de trabalho vive o homem!:D
Enfim, o regresso ao Sumbe para reabastecimento e porque as preocupações acerca da pandemia nos levam a tomar medidas e a fazer algumas alterações no programa de actividades relacionadas com a Páscoa… desejamos que todos estejam bem aí no nosso Portugalito, até breve, enviamos abraços virtuais de toda a equipa,
A Linha da Frente,
Ekolelo linene!
















quinta-feira, março 12, 2020

Apesar do calor as notícias frescas



Dia 21 de Fevereiro, depois do matabicho pelas 07:15 e da oração da manhã, iniciámos os preparativos para a subida ao Gungo. Após o almoço, confeccionado pelo avô Filipe, frango de churrasco, esparguete e funje, que estava uma delícia, começámos a carregar produtos alimentares, peças de mecânica, a bagagem pessoal de cada um de nós e, assim, o Cavalinho, deu início à nossa viagem por volta das 15:00. A galopar por caminhos sinuosos, buracos e mais buracos, charcos de água motivados pela forte chuva que caiu há dois dias atrás nesta zona da Província do Kuanza Sul. Chegando à localidade do Gundo, iniciou o pior troço da picada. Foi muito difícil todo o trajecto até à Donga onde, graças a Deus, chegámos pelas 2:00 madrugada.
Dia 26 de Fevereiro, 4ª feira de cinzas, fomos até ao Centro da Chitiapa para celebrar o primeiro dia da quaresma e, na Eucaristia, fazer a imposição das cinzas. A equipa foi recebida com cânticos de alegria e muitos sorrisos estampados no rosto das crianças, jovens e adultos. “Juventude de todas as idades” divertiram-se com jogos da bola nova! Depois do almoço, regressámos à Donga. Tanto na ida como na vinda o Cavalinho, viajou sempre de lotação esgotada. Ao final do dia, preparativos para a saída do Elefante em direcção ao Sumbe na manhã seguinte.
Dia 28 de Fevereiro, de manhã, Sr. Padre e mana Teresa Maria foram para a ponte da Donga desenterrar as pedras que ficaram submersas pelas águas do rio e desfazer tossas de capim e terra que impediam a água de circular livremente pelas manilhas. Enquanto isso, na missão, decorreu a formação dos líderes da pastoral da criança e a concentração de catecúmenos para mais uma etapa das suas caminhadas. Com a presença dos catecúmenos foi possível dar continuidade à apanha do feijão e conseguimos malhá-lo todo.
Nestes dias da presença da equipa missionária no Gungo a população recorre à missão para pedir auxílio e as consultas revelam que ainda há um trabalho muito grande a fazer no que diz respeito à prevenção. Sendo o serviço de saúde nacional um préstimo quase inexistente e quase inacessível, o melhor e mais viável é evitar as situações de risco e ameaça. Assim, a equipa esforça-se para informar e dar ferramentas às comunidades que as protejam. Coisas simples, como lavar as mãos antes de comer e depois de ir à casa de banho, dormir com rede mosquiteira e não estar exposto aos mosquitos nas horas mais críticas, ferver a água e/ou tratá-la com lixívia antes de se consumir, rehidratar com soro caseiro após uma diarreia, etc.
E agora não se assustem, mas temos uma novidade “fantabolástica” para vos dar, a nossa cozinha da Donga tem uma bancada nova, em vidro temperado, que vai facilitar o trabalho de alimentar e nutrir muito bem toda a equipa. TXANANNNN J
Mais um trabalho iniciado (há muito em lista de espera) foi a construção das vedações das nossas hortinhas. O Sr. Pe. David fez os moldes para os pilares de cimento que irão sustentar a rede e, neste momento, os pré-fabricados da Donga já começam a ter o seu lugar nos terrenos.
No sábado, o mano Boaventura esmerou-se com a dedicação ao melhoramento do nosso forno. Para tirarmos a prova dos nove, fomos logo testá-lo. Et voilá! Uma bela fornada de pão a sair que foi amassado pela mana Ção e cozido sob a vigilância e supervisão do mano Boaventura. Aos outros manos coube-lhes a árdua tarefa de provar. Equipa, é equipa! J Ao fim do dia assistimos à sessão dos «101 Dálmatas» com forte afluência de miúdos e graúdos e muitas risadas.
Domingo foi dia de celebrarmos a nossa Santa Missa e, à tarde, houve encontro dos penitentes.
Segunda-feira (dia 2 de Março) rumámos ao Uquende para mais uma semana de trabalho na capela e, no dia seguinte, foi colocada a primeira chapa na cobertura do telhado. Neste momento já foram colocadas todas as chapas só falta a cumeeira…
E agora outra novidade “cutxi cutxi”… (suspense) as crianças trouxeram um esquilo bebé que foi acolhido e adoptado pela mana Sílvia. O “Chico”, pequenino e frágil bichinho, vinha um pouco abalado com os saltos e piparotes das crianças, mas, rapidamente recuperou com os cuidados e alimentação.
Fizemos um curso de costura orientado pelas manas que decorreu durante 3 dias. Maioritariamente apareceram crianças e jovens que trouxeram as suas roupinhas para remendar (devido à época de trabalhos nas lavras as mães não compareceram). Uns com mais jeitinho, outros com algumas picadelas, mas tudo faz parte e revelou-se um momento de partilhas e muito divertido.
Como extras temos sempre o trabalho de cartório que continua sempre que as actividades o permitem e consultas “médicas” também no Uquende. Apesar de haver um posto de saúde, nem sempre o único enfermeiro consegue prestar os cuidados de saúde a todas as pessoas. Falamos da sede comunal onde existe um número aglomerado de pessoas maior e do único local em todo o Gungo cuja escolaridade vai até ao 10º ano, concentrando, como tal, mais estudantes.
E não podemos deixar de referir as actividades com as crianças que sempre nos vêm requisitar, quer para ajuda nas tarefas escolares, quer para enriquecimento curricular, lúdico e prático.
No Domingo, último dia da estadia no Uquende, depois da celebração, fomos visitar a Capela (em ruínas) na Pedra Gonga que, apesar do avançar do estado de degradação, estava “limpa” e sem capim a invadi-la.
A seguir ao almoço descida ao Sumbe - com as dificuldades da picada e da chuvada que caiu durante a noite!
O mano Boaventura e avô Filipe ficaram no Uquende cheios de coragem para dar continuidade aos trabalhos da capela. Durante a semana o telhado foi sendo colocado a um bom ritmo e vai-se dar continuidade ao trabalho de rejunte. As manas e a comunidade foram trabalhando ao longo da semana para deixar terra refinada e areia lavada para os mestres não terem de parar...
Igreja da Muxima
Assim, já no Sumbe, segunda-feira, após o almoço viajámos para Luanda. Passámos na Muxima a acender uma velinha e pedir pela nossa Missão e famílias.
Terça, regresso a Portugal da mana Teresa Maria que completou 3 meses com a Linha da Frente e agora continuará a missão no “tal é Puto”! Assim embarcou a nossa querida companheira que, já sabemos, chegou bem a casa.
A vinda a Luanda implica também a resolução de assuntos como compras e contactos de apoios para a missão. Desta vez trouxemos para manutenção o motor da nossa Mula (a carrinha Toyota Hylux) que coitadinha já está imobilizada há quase 6 meses…
Quinta-feira, 12 de Março, regresso ao Sumbe para nos prepararmos para a próxima subida à Donga na sexta e logo em seguida ao Uquende onde nos espera o resto da equipa.
Igreja da Pedra Gonga
E assim nos despedimos por agora! Não saiam dos vossos lugares porque nós voltamos sempre com novidades fresquinhas.
Tukasi kumosi!

A Linha da Frente

domingo, março 08, 2020

3.ª Sessão de Formação FEC

Walanga! Boa tarde!
A 3.ª Sessão do Plano de Formação de Voluntariado organizado pela FEC (Fundação Fé e Cooperação) realizar-se-á nos dias 21 e 22 de março, em Fátima, na Casa dos Franciscanos Capuchinhos.

Casa dos Franciscanos Capuchinhos, em Fátima

As inscrições poderão ser feitas até às 12H00 do dia 12 de março
Para esse efeito, preencha por favor o respectivo formulário de inscrição, clicando aqui.
Para algum esclarecimento adicional ou apoio, poderá contactar o Grupo Ondjoyetu ou enviar um e-mail para catarina.antonio@fecongd.org (Catarina António - FEC).


Apresenta-se a seguir o programa detalhado: 

Tema: Missão, Culturas e Religiões
Local: Casa dos Franciscanos Capuchinhos – Fátima

Sábado – 21 de março
09h30: Acolhimento
10h00: "OS ROSTOS DA MISSÃO HOJE"
10h45: Pausa
11h00: Trabalhos de grupo e plenário
12h00: TESTEMUNHO DA IRMÃ LURDES (República Centro Africana)
13h00: Almoço
14h30: Do "Evangelho e Cultura" ao "Evangelho nas Culturas"
15h15: Intervalo
15h45: TESTEMUNHO DO PE. MANUEL PINHEIRO (Colômbia e Zâmbia)
17h00: Debate - Mesa Redonda
19h30: Jantar
21h00: Testemunho Missionário   
    
Domingo – 22 de março
08h30: Pequeno-almoço
09h30: Missão e diálogo inter-religioso
10h15: Intervalo
10h30: Discussão aberta
11h15: Avaliação         
11h45: Intervalo: preparação da Eucaristia
12h00: Eucaristia
13h00: Almoço       


Formador
Pe. Fernando Domingues, MCCJ

Testemunho Missionário  
Paula e Neuza | Leigos Missionários Combonianos | Missão de 2 anos no Perú

Equipa Plataforma Voluntariado Missionário 
Catarina António e Susana Silva | FEC | 936 245 545


Inscrição na Formação FEC – 1 sessão = 10€; inscrição anual (inclui 5 sessões) = 20€
Estadia pensão completa em quarto duplo = 30€ 
Estadia pensão completa em quarto individual = 35€
Refeição = 10€  
Só dormida e pequeno-almoço (1 noite) = 15€ 
(o almoço do primeiro dia - sábado, dia 21 - será partilhado, sendo todos convidados a contribuir com algo)


© FEC - Fundação Fé e Cooperação

sexta-feira, fevereiro 21, 2020

Saudações Portugalito


A malta cá da linha da frente está toda bem e cheia de notícias fresquinhas para vos dar.
No passado dia 2 de Fevereiro saímos do Sumbe rumo ao Uquende para uma semaninha de trabalhos…
Estamos a continuar o processo de tratamento das chapas para o telhado da nova capela. Lixar, polir e pintar. Uma tarefa bem demorada, mas necessária. Nos intervalos para desanuviar fizemos novos "marcadores de guardanapo". Bem bonitos!
As novidades mais fantásticas e “mirabulásticas” da semana foram que já temos um quadro no nosso Uquende que deixou os olhinhos das nossas crianças a brilhar de tanta alegria. Obrigado Portugal por esta dádiva que chegou até nós com o Contentor (Julho de 2019). E o nosso tio Ventura fez uma chaminé que suscitou a curiosidade de toda a comunidade e que depois de ver a utilidade e de se perceber que o fumo “já era”, começaram a chover encomendas de chaminés para todas as mamãs do bairro.
As manas, exaaaaaaustas do trabalho burocrático de cartório foram exercitar as pernocas e apanhar abacates à lavra da mãe Carolina. Conhecemos uma nova fruta, “môiôiô”, mas é bem azeda e ácida… vimos os porcos, e os produtos da época na terra (canas de massambala e canas de açúcar, batata doce, banana, maçã, vários tipos de verduras, etc.).
Em casa o Sr. Padre David instalou um sistema de baterias que se encontram em fase de testes para depois se poder colocar painéis solares como alternativa à energia proveniente do gerador.
Dia 14 a equipa deslocou-se para a sede da missão, a Donga, pois, dia 15, sábado, tivemos encontro e avaliações para os catecúmenos.
Claro que o trabalho não falta por estas bandas e já iniciamos com as lavoiras da ginguba. Aqui continua-se a semear da forma tradicional – dois bois, uma charrua, um charrueiro, dois semeadores e muito suor a escorrer pelo rosto de todos, que o trabalho do campo é bem duro.
Nas nossas hortinhas perto de casa também temos recolhido alguns produtos bem deliciosos, alface, beringela, beldroegas, couve, maracujás gigantes, etc.. Também houve aumento na família, nasceram três bacorinhos e dois cabrititos.
Em relação à saúde dos nossos camungungos, continuam a chegar até nós muitos casos de paludismo. É uma situação que nos preocupa, mas o facto de virmos à cidade do Sumbe com regularidade permite-nos obter os meios necessários para ajudar as pessoas. Também na manhã do dia em que íamos regressar à casa Ondjoyetu (Sumbe) houve um acidente entre duas motas que colidiram, resultando disso alguns ferimentos que necessitaram da nossa intervenção. Felizmente nada de muito grave.
Este ano o nosso catequista residente na missão, que todos bem conhecem, Tio Calei, acolheu duas netinhas e uma chará da mãe Feliciana (sua esposa). As três meninas continuam à espera, bem como as outras crianças, do professor da 1ª classe que até então nunca apareceu… Assim, as manas aproveitam o tempo para fazer a iniciação através do grafismo. Obrigado à família Abílio Mena e Cátia, amigos do Lobito. E como a vida não é só trabalho, fizemos junto com as meninas umas pulseirinhas de “boa sorte” para o primeiro ano lectivo delas. Obrigada pelas linhas de croché que nos enviaram a partir de Portugal.
Dia 17, dia de viajar até ao Sumbe, pelo caminho “escapámos lá” de parar para comer umas belas espetadas. Pela picada, avistámos a jovem Celma que tinha caçado uma bela amostra de insectos com predominância de uns apetitosos gafanhotos J.
No Sumbe, estamos a preparar a nossa subida ao Gungo e aproveitámos para dar um pulinho à Catedral onde se consegue sentir a maresia e apreciar aquele lugar de encontro com Deus. Assim nos despedimos alertando para o facto de que a próxima temporada irá ser de duas semanas seguidas no Gungo. Portanto preparem os vossos corações que estamos a vir!

A Linha da Frente 











sexta-feira, fevereiro 07, 2020

Walalé Puto?!



Quanto tempo… É verdade já passaram umas semanitas e nem acreditamos que já é Fevereiro! O tempo urge nestas bandas.
Bom! Recuando… Dia 11 de Janeiro a equipa missionária subiu até à Donga numa viagem que se revelou muito difícil e exigente para todos. Está a chover e, como podem imaginar, a picada colocou as suas garras de fora! Connosco foram 5 seminaristas: 3 estudantes de Filosofia (João, Robertino e Aguiar) e 2 de Teologia (Isaías e Evaristo). Um caminho de 12 horas com desafios a cada passo. Nesta viagem o Unimog (o nosso Elefante) acompanhou-nos par e passo, puxando-nos 2 vezes, mas, mesmo assim, o Cavalinho (Land Cruiser) saiu muito cansado e ferido. Um pneu furou, um dos depósitos de combustível também, o apoio das molas de trás na parte onde fixa o amortecedor também quebrou do lado esquerdo, e no mesmo lado, mas à frente, o amortecedor também se separou.
Dia 12, Domingo, dia do Senhor, celebrámos a nossa Santa Missa e, à tarde, deu-se início à Assembleia da Missão que decorreu até dia 15. Daqui resultou a avaliação do ano transitado e o acerto das actividades a desenvolver neste novo ano. Depois disto, os nossos queridos seminaristas dividiram-se em duas equipas para cada uma visitar 4 centros diferentes e, no final de 3 ou 4 dias em cada Centro, regressaram à Donga. Entretanto, no Gungo, estava outro seminarista que terminou o seu tempo propedêutico e que resolveu juntar-se aos companheiros. O nosso querido Ângelo Guelenguele do centro do Chitonde.
Outras tarefas foram-se executando como o trabalho na horta, a continuação da recuperação da cisterna, desentupimento da canalização de esgotos, tirámos o motor da Mula (a nossa velhinha Toyota Hilux) para tentar reparar em Luanda, descamisámos e debulhámos milho, descascámos ginguba (amendoim), etc.
Entretanto, a mana Sírvia (como as crianças gostam de lhe chamar) ficou no Sumbe e com a jovem camungunga Cristina (que reside na nossa casa para conseguir estudar) ficaram com a missão de ir até Luanda buscar o nosso tio Calei. Foi um mesinho a Portugal visitar o netinho, o nosso querido pequeno Vítor e aproveitar para rever a família dos ONDJOYETUS e conhecer outros amigos e benfeitores. No regresso aproveitámos para a habitual fotografia no Miradouro da Lua.
Neste período, dia 15, em Luanda também acompanhámos e festejámos o dia em que Arnaldo Jansen fundou Verbo Divino. Mais um motivo de alegria foi a ordenação de 5 jovens para esta congregação de verbitas. Parabéns a si também Padre “Jaquim”! Uma vez acolhidas nesta casa a mana Sílvia foi passar o dia no CAAJ, um centro de acolhimento de crianças e jovens do sexo masculino que por variadíssimas razões ali foram parar. Sob a supervisão e orientação do Irmão Facatino, têm comida, cama, roupa lavada,… um lar onde viver! Além da possibilidade de estudarem também recebem apoios de voluntários, empresas e particulares que doam o que podem. Tempo, sopa, cursos de informática, aulas de reforço escolar, passeios, etc.
No Sumbe ainda houve tempo para fazer um bolinho com as crianças que frequentam a nossa casa para levarmos á equipa que já estava no Gungo, porém tivemos de o provar antes e estava uma delícia. Quem gosta de fazer bolos e mais ainda de os comer, fica a sugestão: Bolo Verde, mas com salsa e rúcula, e, por cima, uma cobertura de chocolate.
Dia 18, Tio Calei, mana Sílvia e mano Mário subiram até ao Gungo de Unimog ao encontro da restante equipa que se concentrou no Uquende para mais uma semana e meia de trabalho na Capela. As manas crivaram areia e convocada a comunidade decidiu-se fazer o altar de forma arredondada e o ambão e o altar em BTC (Bloco de Terra Comprimida). Próximos trabalhos para a nossa subida ao Uquende serão continuar a fazer o rejunte das paredes e tratar das chapas para o telhado.
Na cozinha foi feita uma base com blocos para se fazer fogueira e cozinha ao lume (que deixa a paparoca bem gostosa) e vamos tentar fazer uma chaminé por causa do fumo.
As manas ocuparam-se de manter a criançada activa numa época de véspera de iniciar o novo ano lectivo. Sabendo nós de antemão que nem todos vão poder estudar, ainda assim rezámos e rezaremos (pedindo que também coloquem nas vossas orações esta intenção) para que consigam vaga! Além dos B-A-“BA’s” também jogámos vários jogos didáticos e fizemos pompons com lã para enfeitar o nosso altar e ensinámos a fazerem pulseirinhas com linha de croché. Foi-se ao rio lavar roupa, fizemos pão e também se fizeram muitas consultas, com casos de paludismo, queimaduras, inflamações, feridas, tosse, dor de cabeça e barriga, etc.
Ainda conseguimos fazer equipas para: um dia ir até À Donga buscar blocos de BTC e carregar o Elefante com areia para os trabalhos da capela do Uquende; outro dia para carregar pedra na zona da Pamba, também para a capela; e mais 2 dias para carregar pedra na zona do Aweco e fazer trabalhos exclusivamente para a picada. Na picada houve vários sítios de intervenção, onde fizemos valas para a água poder escoar e cortámos capim alto e troncos que impediam a nossa passagem incluindo a das motas. Mas só nestas deslocações encalhámos em 3 vezes em sítios diferentes… Bom, mas o sítio de destaque foi mesmo o “Mameiro”, colocou-se 4 carradas de pedra (já em Outubro tinham sido postas 2) e cavaram-se mais valas por forma a impedir a acumulação de água. A verdade é que dá para passarmos, mas é um dos pontos que continua a apresentar muita dificuldade. É uma junção de terra e lodo que com uns pingos de água fica muito mole e faz “empapar” as rodas do carro, quando seco é tão rijo de cavar que ninguém acredita no que se transforma. Levámos algumas mães para cozinharem e muitas crianças para nos ajudar, almoçamos em partilha e foi muito divertido para todos para além do grande mérito que todos tiveram no empenho.
Domingo dia 26 fomos até ao Centro do Chitonde para celebrarmos a nossa Santa Missa e regressámos ao Uquende.
Terça dia 28, um dos dias em que fomos apanhar e carregar pedras no Aweco, encontrámos uma jovem em trabalho do seu primeiro parto desde o dia anterior. A família já tinha recorrido a um parteiro que foi fazendo o que podia com os meios ao seu alcance. A noite chegou e nós junto dos pais e marido levámos a menina ao posto de saúde do Uquende, mas as pessoas tinham-se deslocado para outras zonas. Tivemos o conhecimento de que no bairro estava um enfermeiro proveniente de outra localidade que prontamente se disponibilizou a ajudar-nos. A deslocação até ao Uquende já foi muito complicada e sabermos que chegar ao Sumbe iria ser muito pior. Mas em unanimidade decidimos arriscar a picada para salvar aquelas vidas. Saímos por volta das 3h da madrugada e chegámos ao hospital pelas 9h. Após alguns contactos já tínhamos uma equipa à nossa espera. Infelizmente o bebé já saiu morto, mas a mãe encontra-se bem e em recuperação. É mais uma das histórias do nosso Gungo. Já existe o Projeto da construção de uma UMIG Unidade Materno Infantil idealizada pela nossa querida “ondjoyeta” Inês Figueiredo, mas são coisas que não se implementam de um dia para o outro. Assim seguimos na esperança do seu avanço rápido e rezando para que possamos sempre acudir a todas as pessoas que se encontrem em momentos de aflição e sofrimento como este.
Dia 30 fomos para a Donga e no dia 1 de Fevereiro houve Encontro de Jovens guiado pelos seminaristas, avaliação de catecúmenos e Conselho Permanente para a programação dos próximos tempos da missão.
No dia seguinte adivinhem a nossa aventura!? Fomos caçar mel. É delicioso colher e degustar na hora esta dádiva das amiguinhas abelhinhas. Que sorte termos encontrado o tesouro delas! Tipo o desenho animado Winnie the Poo, até agora ainda nos devem estar a chamar de “gatunos” J
Dia 3 descemos para o Sumbe para vos partilhar as nossas andanças e preparar toda a logística da próxima subida que é já amanhã, sábado, dia 8. Nestes 4 dias, fomos ao peixinho do Quicombo num dos dias e noutro à água da Conda. E ainda: Atenção, muita atenção… fizemos pizzas que estavam uma maravilha e fizemos (invenção da mana Ção Julião) doce de maracujá gigante, que é tipo o “doce dos Deuses”.
Pronto, dizer-vos que estamos todos bem e animados, a sentir que o trabalho é muito e que o tempo já está a acabar. Em breve vamos regressar e fica tanto por fazer… Mas como se diz por estas bandas “catito, catito”. E cá vos esperamos também para dar continuidade a esta grande missão que é de todos nós.
Forte abraço da Linha da Frente