sábado, julho 20, 2019

Vida em Missão: da Pedra Um ao alto da Donga








Mudar o rumo do quotidiano, dar aos outros um pouco da nossa fé e do nosso tempo, foi o mote que nos levou à Missão ONDJOYETU, na Comuna do Gungo da Diocese do Sumbe, em Angola, superiormente dirigida e animada pelo Padre David Nogueira Ferreira, proveniente da Diocese de Leiria-Fátima.

A Casa da Pedra Um, no Sumbe, onde inicialmente fomos recebidos, situa-se num bairro em que a terra polvilhada de pó acolora casas de adobe, dá cor de suor às pessoas que andam e conversam nas ruas, na praça da fonte ou no mercado aberto em que o chão faz de bancada e de tudo se vende: farinha de milho, ovos, tomate, verduras, óleo de palma, pilhas, rádios, lanternas, batatas, mandioca, peixe seco, vestuário, calçado, enfim, aquilo de que as pessoas, na condição em que vivem, mais necessitam para o seu dia a dia.

A Casa da Pedra Um, como viemos a verificar, desempenha um papel vital na vida da Missão, pois, aí se faz toda a logística e armazenamento dos bens que são depois encaminhados para a sede da Missão, situada no alto da Donga, à "curta" distância de 130 kms da cidade do Sumbe, cujos 50 kms finais se tornam um verdadeiro calvário de estreitos caminhos de terra batida entre picos de íngremes subidas, salpicos de rochas graníticas que mordem, picam, furam e escorregam, apenas permitindo a passagem de pessoas, animais e veículos motorizados adequados à sinuosidade e precariedade do trajecto (motorizadas e jipes), perdurando o calvário, se nada de grave acontecer, como avarias de motor, furos, enjoos ou paragens de saudação e cumprimentos, a média normal de 8 a 10 horas.




O designado "cavalinho branco" - jipe Toyota Land Cruiser -, mal entra na picada, atravessa montes e vales, serpenteando os bairros escondidos entre capim, palmeiras, bananeiras e embondeiros, cruzando lavras e nacas, atraindo grupos de crianças mestradas entre pessoas adultas gritando XAUÉ, XAUÉ em que o "É" final ecoa prolongadamente num delírio colectivo saudando o Senhor Padre, PADRE, PADRE, num cumprimento de boas vindas e de um reconhecido e sincero OBRIGADO, OBRIGADO.





Bom de ver como toda a gente, ao cruzar, num tom feliz, carinho e sorridente, se saúda e cumprimenta, dizendo: "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "tás bem / bom ou boa", "xauéé", "xauéé", "obrigado/a", tratando os mais idosos, sabedores de vida e experiência, por "avô" ou "avó" e, entre todos "mano", "mana", algo que, na nossa terra, dita "mais civilizada", caiu em esquecimento e desuso, tornando as pessoas mais sisudas, acabrunhadas e distantes.

Como é bom, Senhor, viver com as gentes que puseste no nosso caminho de Missão.





Como projectado, na passada quinta-feira, 11 de Julho, seguido de um outro jeep, gentilmente cedido pelo Senhor Bispo da Diocese do Sumbe (Dom Kiala) e da designada mula (veículo de caixa aberta que transporta bens e mercadorias mais pesadas), o nosso "cavalinho branco" seguiu para a Donga e, após vários sobressaltos de subidas escarposas e escorregadiamente graníticas, o seu motor não aguentou e, da comitiva em paragem forçada, o Padre David, o voluntário Humberto e o motorista Mário, num esforço de monta e desmonta, abre, fecha e cola fios, lá descobrem a causa da avaria, permitindo, ao cabo de hora e meia, a retoma de marcha lenta, de sobe, salta e desce, vira à esquerda, torce à direita, olha o fundão, pára que não passa, desvia que aí vem mota, olha a mulher que aí vai na água e de carga à cabeça, mas, sobe, sobe, sobre, passa rio aqui e ali, pisa capim, desvia de ramo e entra em clareira onde, ao cimo se avista um pouco de luz e casario... era a Donga, era noite, eram 23,30 horas ... e lá estava a mana Teresa, rosto de simpatia, lábios de sorriso, "viagem correu bem? - óh, óh, se correu, "vamos que a janta está na mesa", e vai uma saborosa sopinha, pão e fruta como é de tradição.




O dia seguinte, 12 de julho, foi de conhecimento das condições da missão composto de cinco pequenos edifícios: um destinado a alojamento com quatro pequenos quartos, podendo albergar cerca de 16 pessoas; outro que serve de cozinha e sala de jantar; outro onde vive o catequista geral da Paróquia da Donga; outro onde vivem alguns trabalhadores da missão; e o edifício da capela que, além de ser o local de culto, é o centro de espiritualidade da missão, servindo para reuniões, formação, catequese, e ainda para acolher as pessoas que acorrem às celebrações religiosas e demais iniciativas da Missão, aí podendo pernoitar, descansar e guardar alguns pertences e bens pessoais ou das respectivas comunidades.



Ao mesmo tempo que íamos convivendo com as pessoas que vivem na Missão, logo nos apercebemos que a mesma desempenha um papel fundamental na formação e educação cristã das gentes que vivem na Comuna do Gungo, ocupando, em zona de montanhas e planaltos, uma área aproximada de 2.100 kms2, com a extensão de raio máximo de 82 kms.

Ao mesmo tempo, servida pelo Padre David, por alguns catequistas, trabalhadores e voluntários, a Missão desempenha, no contexto territorial em que se integra, um relevante e meritório papel nos sectores da educação e formação humana, instruindo crianças, jovens e adultos; da acção social, prestando assistência médica e medicamentosa a pessoas doentes e fragilizadas, e socorrendo com alimento, vestuário e calçado as pessoas mais pobres, famintas e doentes.

A Missão, através de algumas actividades que vai exercendo, tem ajudado a melhorar as condições de vida e habitabilidade das gentes do Gungo, requalificando o fabrico de materiais de construção (tijolo de BTC), fabrico de argamassas enriquecidas, captação, condução e armazenamento de água numa zona dela carenciada, requalificação dos sistemas de cultivo de bens essenciais (milho, batata, feijão, hortas), servindo de agente regulador de preços que muito tem contribuído para a melhoria do rendimento e sobrevivência das gentes do Gungo e das suas comunidades.

E, nesse contexto, foi bom ver como se cuida dos gados (porcos, cabras, galos, galinhas), se zela a terra de cultivo (lavras) da batata, milho, feijão, verduras, tomate, pepino, abóbora e outros produtos; se implementou e zela a pequena oficina de tijolos de BTC que tem permitido a edificação de casas e edifícios mais sólidos, robustos e mais resistentes à humidade e às águas da época das chuvas; a mana Teresa a socorrer doentes, medindo temperaturas, dando e ministrando medicamentos; o avô Filipe mestre de cozinha no sábio comando da confecção de refeições; a voluntária e atenta Sílvia a coordenar todos os trabalhos mais pormenorizados das casas, da cozinha, da capela, da logística de abastecimento; o voluntário Humberto e o motorista Mário a, numa noite escura, socorrerem uma jovem parturiente que deu à luz na Donga uma criança prematura de cerca de 7 meses, conduzindo, a toda a pressa e pela escurecida picada da noite, a mãe e filha ao Hospital do Sumbe, num dia e meio de viagem que terminou com a notícia de que mãe e filha estão bem! Sem dúvida, nessa noite, por intercessão de São José, Padroeiro da Missão, e de Nossa Senhora de Fátima, Deus protegeu sobremaneira aquela jovem mãe e a sua filha prematura.





No sábado, 13 de Julho, foi um fervilhar de trabalho na sede da Missão. O Grupo da UASP, sob orientação do Padre David, da Sílvia e do Humberto, dedicou-se à execução de tarefas diferenciadas.

Enquanto alguns se ocupavam da melhoria das instalações (limpeza e arrumação da oficina de tijolos BTC, limpeza dos alicerces do novo edifício destinado ao catequista para posterior isolamento e pintura, subida do tecto da latrina, limpeza da zona adjacente ao tanque de água), outros dedicaram-se à formação de acólitos, outros a trabalhos de costura e outros à formação bíblica de catequistas e à preparação dos catecúmenos.






O Domingo, 14 de Julho, dia do Senhor, iniciou-se com as laudes a que se seguiu a missa dominical, presidida pelo Padre Armindo Janeiro e concelebrada pelo Padre David, Pároco da Missão, nela participando centenas de pessoas, muitas delas jovens, vindas de diversos bairros da Paróquia da Donga, e que foi celebrada em umbundo (língua nativa local) e português, tendo sido brilhantemente animada por vozes naturalmente sonantes e musicais, cheias de ritmos e de profundo sentido cristão, retornando às suas casas de coração cheio para um viver mais solidário e feliz.





Na parte da tarde, foi o encontro e cruzar de famílias - famílias das comunidades do Gungo e das famílias que foram em missão, partilhando entre umas e outras as experiências de vida de casal, da formação e educação da família cristã, das vivências em família, as relações entre esposos, pais, filhos e avós, a entreajuda mútua dos esposos na construção de uma família mais sólida e feliz, a educação dos filhos, as dificuldades e preocupações que assolam as famílias, enriquecendo conhecimentos e experiências que nos ajudaram a compreender as diferenças culturais, sociais e humanas das famílias presentes, fazendo ressaltar o denominador comum da construção de uma família mais solidária e feliz na vivência do verdadeiro amor cristão.

Como nota final, o espírito de missão está bem presente na acção e nas atitudes dos servidores da Missão, tendo, à cabeça, o Padre David, sacerdote apaixonado que se dedica, de alma e coração, à causa da missão, à evangelização do povo e das gentes que lhe estão confiadas, sabiamente coadjuvado pelo conjunto de voluntários que, de tempo em tempo, o auxiliam nas tarefas da missão, sejam elas no campo religioso e espiritual, sejam elas mais centradas na acção social, humanitária, educacional ou laboral na criação de estruturas físicas que possam melhorar as condições da Missão, tornando mais profícua a sua acção missionária, alimentada pela oração e pelo sentido de ajudar e bem servir as populações e comunidades da Comuna do Gungo e da Diocese do Sumbe.

Pedra Um, 16 de Julho de 2019

quinta-feira, junho 27, 2019

De bairro em bairro e algo mais


Nova capela do Uquende
Mini pasteleiros
Mais uma semana se passou e cá estamos de regresso ao Sumbe para preparar mais uma subida, mas sobretudo para tratar de papelada, afinal de contas, o contentor está para chegar e com ele o grupo da UAASP (União das Associações dos Antigos alunos dos Seminários Portugueses) que acolheremos durante duas semanas, mas já lá vamos.
Como já sabem, o mano Humberto tem ficado pelo Uquende a ajudar os mestres a levantar as paredes da nova capela e felizmente já existe um buraco para as janelas e também para o portal de entrada! Isto é, o lintel do lado esquerdo e da frente da capela já têm betão e em breve os blocos chegarão à altura do telhado. Falta ainda chegar ao lintel do lado de trás da capela e do lado direito. Já se começou a preparar os ferros dos pilares para receber a estrutura metálica e, entretanto, será tempo de a colocar no ar. Está a ficar bem bonita! Já tem duas cruzes, uma cruz em cada lado do portal, que dão assim alguma identidade à capela.
Bairro do Lungenge

Bairro Bambi
Bom, entretanto a restante equipa subiu também ao Uquende onde pernoitou até quarta-feira, sendo possível dar uma ajuda no avanço da construção e na educação das crianças (com uma aula de pastelaria J). Seguiu-se a visita aos bairros do Chitonde. Nesses dias o mano Humberto permaneceu no Uquende a continuar a avançar com a obra e, no Sábado à tardinha, pegou na "Husqvarna" (mota da missão) e juntou-se à restante equipa já na Ndula.
Durante a semana a equipa pernoitou no bairro da Ndula, também denominado de Cacumba. É um bairro que já tem acolhido a equipa diversas vezes e onde mais uma vez, há sempre uma “mãe” para cuidar de nós com carinho, a Dona Imaculada com a jovem Isabel que ajudaram o nosso mestre cozinheiro, o avozinho Filipe.

Na quinta feira visitámos o bairro do Lundjenje (lugar de uma antiga fazenda), na sexta o Bambi e no sábado o bairro da Chipinga (um local conhecido por uma grande fazenda dedicada ao café). O domingo foi celebrado na Ndula onde se concentraram várias pessoas para o encerramento da visita ao Centro do Chitonde. Estiveram presentes ainda os representantes da Tuma e do Apostolado da Oração. Assim, tirámos a famosa fotografia de grupo e a tarde foi dos miúdos e graúdos que se fartaram de brincar, rir e pular (aproveitámos ainda para trocar conhecimentos, eles ensinaram-nos Umbundo e nós retribuíamos-lhes com o Inglês).
Comunidade na Ndula
Comunidade da Chipinga e Chitõla
As visitas aos bairros seguiram a estrutura habitual, recepção do “patele” (padre) e a Equipa pela comunidade com cânticos e muita alegria seguida de uma mensagem de boas vindas. Depois um momento destinado às confissões, a missa e o almoço, a ementa já sabem o que é: barriga de missionário, cemitério de … ? (Galinha!) Por fim reúne-se o Ondjango do bairro para discussão de vários temas referentes à comunidade. Neste espaço de tempo tenta-se concentrar as crianças num local mais recolhido para assim todos podermos aprender uns com os outros de uma forma mais lúdica onde os jogos reinam e as letras são o salva-vidas.
Encerrada esta etapa, voltámos a subir ao Uquende para, assim, preparar a nossa descida ao Sumbe. Algumas retificações, umas organizações de boleias, umas confirmações na obra da capela, mais umas manutenções à nossa moagem e siga! Vrrruuummm, vrruuuummm, Chegámos ao Sumbe.
Agora cá estamos em preparação para a receção do contentor. Estamos a fazer um barracão, a reorganizar o armazém e espaços de arrumos para conseguirmos mais espaço, a dar a volta à casa como aquelas limpezas a fundo de primavera, e a tratar de toda a papelada burocrática inerente ao processo do contentor e à recepção das nossas próximas visitas.
Xauééééééé.
A Linha da Frente

sábado, junho 15, 2019

“Em busca do vale encantado”

Olá amiguitos e amiguitas, lembram-se desse filme? Eram uns desenhos animados de dinossauros. As paisagens do nosso Gungo também são assim, encantadoras. Ora montanhas que se perdem de vista pela neblina matinal, ora montanhas radiosas iluminadas pelo belo pôr-do-sol. Ora vales viçosos e verdejantes, ora vales dourados pelo tom rosado da plumagem do capim. Ora florestas cerradas que nos cegam pela luz das suas reentrâncias, ora florestas abençoadas e desbravadas pela sua múltipla diversidade. Foi assim a magia da semana que deu início à visita dos bairros. Que poético, não é!? Mas, antes de vos contarmos mais, falta saberem do dia da criança…

Chegámos no passado dia 1 de Junho ao Uquende por volta da hora de almoço e, depois de almoçar,... FESTA! Não podíamos deixar os nossos camungunguinhos sem comemorar o Dia Mundial da Criança. Então fizemos um pequeno Peddy Paper de equipas onde, em cada estação, tinham que responder a algumas perguntas (ex: sobre a moagem, cultura, ciclo J (ex: teste à visão, olfacto e tacto; luta do lenço nas costas, …). Também tirámos uma fotografia a cada equipa com adereços e decorações feitos noutras estadias anteriores com as crianças. No final do dia, após a oração da noite, assistimos ao filme “O livro da Selva”. Ainda neste dia, quando estávamos na estação da nossa Olumema Olumema (moagem) tivemos uma bela surpresa, a visita do Biólogo Pedro Vaz Pinto (dedicado à Palanca Negra, símbolo de Angola) e do Ornitólogo Michael Mills (um Sul Africano de referência no mundo dos pássaros). Vinham à procura de um pássaro que só existe em Angola e como já está extinto em zonas que eles conheciam devido à intervenção do Homem (nomeadamente devido ao corte de árvores) queriam confirmar se ainda existia algum exemplar no nosso Gungo porque na última visita em 2005 encontraram-no.
Lonjuio

da água,…), pelo meio umas cantigas, e realizar alguns jogos educativos evidentemente
No Domingo os nossos novos amigos foram à procura do tal passarito pelas áreas da Chitiapa e Belém e nós fomos celebrar a nossa Missa e depois de almoço, como o Dia da Criança “cuiou”, teve “repete”. Mais umas cantorias, uns jogos (ex: transpor uma teia; rebentar balões com rebuçados de olhos vendados;…) e, no fim do dia, o filme “A Idade do Gelo”. Ao jantar os nossos amigos desvendaram-nos as suas aventuras na picada e a alegria de terem descoberto o celebre passarito.
Na segunda após a oração da manhã explicaram para a comunidade presente quem eram, o que faziam, como trabalham e mostraram as técnicas e equipamentos que os acompanham. Foi engraçado ver a reação das pessoas quando eles faziam ecoar os sons e cantos dos pássaros, rapidamente os identificavam e diziam os nomes no dialeto. Eles regressaram às suas vidas e nós continuámos com os nossos trabalhinhos…
A capela do Uquende já vai na 23ª fiada e em breve já estaremos a passar a parte das janelas.`
Pamba
Ahhh é verdade, ainda não dissemos, mas estamos todos bem e na esperança que vocês aí no nosso Portugalito também.
Na terça fomos visitar o bairro do Lonjuio (para quem conhece está o monte Ico ao fundo), na quarta o bairro da Pamba, na quinta o Eval Dungo e na sexta o Ulundo. O programa para as visitas foi atender às confissões em primeiro lugar, depois missa, almoço e, de seguida, reunião de Ondjango do centro para saber como decorre a vida comunitária de cada bairro. Todo o restante tempo foi dedicado às crianças e jovens com jogos de estimulação física e cognitiva independentemente das suas limitações, assim se procura sempre a inclusão e participação de todos.

Durante as nossas visitas tivemos a companhia do secretário do Ondjango do Centro do Uquende, o Isaac, e a mãe Carolina do Uquende também fez questão de nos acompanhar para nos apoiar na logística de algumas visitas.

Eval Dungo






Em todos os bairros na nossa receção e despedida fomos muito bem acolhidos com palmas e cânticos a acompanhar o trajeto do carro. As pessoas são muito atenciosas, mal desligamos o cavalinho (carro) já nos estão a oferecer a famosa cadeira com o belo copo de água. E toda a envolvência, a diversificada paisagem, o arco-íris de borboletas que se atravessam, as casas, a cor da terra, tudo, tudo é mágico.
Muito mais haveria a descrever, mas fica para a próxima… Vamos voltar já amanhã (15 de Junho) para o nosso Gungo, com destino ao Uquende, mas a semana será para percorrer alguns dos bairros do Centro do Chitonde.
Com muito carinho nos despedimos e já estamos a contar os dias para a chegada do nosso contentor.
Muito obrigada por nos acompanharem desse lado. Estamos juntos no mesmo caminho (ondjila)!

Saudações da Linha da Frente.
Ulundo

sexta-feira, maio 31, 2019

Saudações ao nosso Portugalito





Cá nos encontramos por estas terras longínquas, todos bem e com vocês no coração. Há algum tempo que não damos notícias, mas a vida aqui corre…
Desde a última publicação, tivemos pelo Uquende a continuar os trabalhos da capela e regressámos ao Sumbe a fim de estarmos presentes na peregrinação do 11 de Maio ao Santuário de Nossa Senhora Peregrina do Calulo. Participámos nas atividades propostas na paróquia de S. António do Libolo bem como na procissão noturna dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Connosco foram alguns representantes dos Centros do Gungo e num local onde se concentram tantas pessoas é sempre uma alegria encontrarmos amigos de outras terras e travar novas amizades. Aproveitámos a viagem e, pelo caminho de regresso, parámos para conhecer a missão da Kibala com o seu internato masculino dirigido pelo padre Geovany e a equipa sacerdotal eu o acompanha e auxiliados pelas irmãs da Visitação. Um pouco mais à frente, fomos visitar os Frades Menores, conhecidos comos franciscanos que nos mostraram o seu trabalho e instalações e nos ofereceram muitas coisas novas para semearmos nas nossas hortas.
Regressámos ao Sumbe e, no dia seguinte, os representantes, o avô Filipe, o mano Humberto e a mana Sílvia regressaram ao Uquende. O Padre David e a mana Teresa com o mano Mário ficaram mais uns dias para tratar da logística: compras, manutenções, cartório e outras papeladas…
No Uquende deu-se continuidade aos trabalhos da nova capela, fomos buscar água, fomos lavar roupa ao rio, fizemos pão, preparamos atividades para o Dia Mundial da Criança (1 de Junho) e ainda deu tempo para umas brincadeiras com os miúdos e graúdos J jogamos aos professores e até aprendemos inglês.
No sábado, dia 18 de Maio, já com toda a equipa junta, subimos até à nossa Donga para o encontro e avaliação dos preparandos da Primeira Comunhão. Tivemos reunião do Conselho Permanente, onde, em conjunto com os catequistas visitadores dos Centros, preparamos o programa mensal das atividades da nossa missão. Também houve encontro de jovens onde se abordaram temas como o voluntariado, as motivações, a parábola do “jovem rico”, os mandamentos da Lei de Deus, etc. E ainda fomos presenteados com o testemunho da Irmã Filomena Mulungo das irmãs Clarissas. Ela é natural do Gungo, do bairro do Uquende, e está no Lubango onde além de uma vida dedicada à oração também fazem trabalhos agrícolas e de costura para a comunidade.
É importante referir ainda que a nossa serralharia na Donga também já está a pôr-se de pé e se começam a ver umas paredes. Depois são os trabalhos habituais: produzir mais blocos de BTC; apoiar a comunidade na saúde; cuidar dos animais (galinhas, cabritos, porcos); trabalhar na lavra e nas hortas (apanhámos um candimba – coelho – bem grande e a mãe Feliciana deu-nos melancias gigantes bem dociiiiiinhas); reparações de serralharia; idas ao rio para trazer água (nesta época do ano o capim – ervas – está bem alto, perdemo-nos de vista, mas ao pôr do sol forma no seio da paisagem montanhosa umas searas cor de rosa tão boniiiiiitas); aulas de condução com a mana Teresa; apoio escolar; etc.
Damo-vos a conhecer também que temos um novo membro na família Ondjoyetu, o caseiro Raimundo Rita que vem para dar uma mãozinha ao nosso tio Zé Ngombe.
E assim se passou mais uma temporada no Gungo. Neste momento estamos todos separados… A mana Teresa ficou na Donga para frequentar a escola, o mano Humberto e o avô Filipe ficaram no Uquende para continuar os trabalhos na capela, a mana Sílvia ficou no Sumbe com as meninas e o mano Mário e o Padre David foi para um retiro do Clero diocesano no Calulo. Mas sexta-feira já vamos voltar a reunir-nos ao subir para as nossas belas montanhas.
Bye bye
Abracinhos para todos aqui da malta da linha da frente.

terça-feira, maio 28, 2019

Reunião mensal de junho

Walanga! Boa tarde!

Relembramos que a próxima reunião mensal se realizará neste sábado, dia 1 de junho, às 21h00, no Seminário Diocesano de Leiria.
Entre outros assuntos, faremos o balanço da nossa participação na Feira de Maio, a avaliação da preparação e carregamento do contentor, e o ponto de situação da preparação da missão que se realizará em Pedrógão Grande nas férias de Verão. Continuaremos também a preparar os 20 anos do Grupo Ondjoyetu.  Regista já na tua agenda: celebração de duas décadas de Ondjoyetu nos dias 13-14-15 de setembro, no Mercado de Sant'Ana, em Leiria ;)
Estamos juntos.