sábado, agosto 24, 2019

Caminhando e Trilhando



Durante o tempo que estivemos no Sumbe a preparar a nossa subida para o Gungo, no início de Agosto, aproveitámos para ir à cidade da Conda onde costumamos ir buscar água para beber. Lá, enchemos os nossos bidons, mais precisamente 48 bidons de água que têm cerca de 20L cada e que, ao final de uns 10, já mais parecem ter 50L… Assim, é uma realidade que nos leva a olhar as mulheres do nosso Gungo com mais consideração. É impressionante os quilómetros que elas têm de percorrer para irem buscar água e levá-la à cabeça para as suas casas. Água para beber, água para cozinhar, para a higiene pessoal e para tantas outras coisas que nos soam de banais… É bom ver e sentir serenas mudanças sociais que tranquilamente se vão instalando nas comunidades, como o facto de alguns homens apoiarem as suas esposas nesta tarefa, nomeadamente no transporte com o auxílio das motas.
Durante este período, o mano Humberto continuava os trabalhos na capela do Uquende e os manos Vítor e Aires foram até à nossa Donga para iniciar a recuperação da cisterna para podermos vir a receber água de uma nascente que fica sensivelmente a 1500m da missão.
Para já foi feito o trabalho de tratamento exterior da parede e a colocação dos tubos e torneiras que servirão para o novo sistema de enchimento e distribuição.
No dia 15 de Agosto subimos para o Uquende. Lá, estava a nossa mula e a nossa moagem a precisarem de uns salva-vidas e claro que depois de umas “cirurgias” complicadas e difíceis ficaram a funcionar na perfeição!
No dia 16, rumámos à Donga, de onde partimos em peregrinação para o Uquende num percurso de 17 km. Entre vales e montanhas, subidas e descidas, passo-a-passo caminhámos juntos. Por vezes suando, rezando e cantando. Pelo caminho, fomos encontrando pessoas de várias comunidades que se foram juntando a nós. Caminhou-se alegremente e sem percalços.
À nossa espera, no Uquende, tivemos um fabuloso almoço confeccionado pelo avô Filipe. Depois desta refeição tivemos alguns minutos de descanso e mais tarde um tempo de reflexão junto da comunidade sobre o que é a peregrinação. Por volta das 18h, o Padre David presidiu a celebração da Eucaristia. Seguidamente realizou-se a procissão de velas em Honra de Nossa Senhora que rumou até à capela/santuário da Pedra Gonga. No domingo, dia 18, também celebrámos lá missa e assim se marcou a despedida do Gungo para os manos Humberto, Aires, Vítor, João e Ana Rita. No final deste dia cheio de emoção, descemos de coração cheio até ao Sumbe.
Nos sítios por onde fomos passando, o mano João e a mana Rita foram empregando os seus conhecimentos para ajudar as pessoas que recorriam até nós para as consultas e, assim, se vai tentando melhorar a saúde do nosso povo do Gungo.
Na terça-feira, o Padre David e a Mana Sílvia rumaram a Luanda para levar os nossos irmãos sãos e salvos ao aeroporto, enquanto as manas Cândida e Rita permaneceram no Sumbe a tratar das questões logísticas da casa. Estas manas vão ficar em missão até ao final do mês de Setembro.
Nestes dias também se tem trabalhado no arranjo do nosso Unimog. É uma preciosa ajuda para a população, quer no transporte de coisas pessoais e agrícolas da comunidade, quer no transporte de mercadorias para a nossa cantina e de alimentação para os nossos animais. Já há algum tempo que o nosso Elefante está parado e a verdade é que está a fazer muita falta… “tá duro”!
Sábado, voltaremos a subir ao Gungo com destino ao Longundo e Caponte para mais uma visita aos bairros destes Centros.

Beijinhos e abraços!
Tukasi Kumosi (Estamos juntos)
A linha da frente
 


domingo, agosto 18, 2019

Missão Pedrógão Grande 2019 - testemunho

De 3 a 11 de agosto, uma equipa constituída por 13 elementos assegurou a missão anual do Grupo Ondjoyetu nas férias de Verão.

Aqui fica, sobre a missão em Pedrógão Grande, o testemunho destes nossos missionários 😊

Em Pedrógão Grande, momentos antes da Via Lucis
Do dia 3 a 11 de agosto, o grupo missionário diocesano Ondjoyetu esteve em missão na paróquia de Pedrogão Grande. Nela participaram os seguintes missionários: Pe. Joaquim Domingos Luís e Irmãs Susana, Elvira e Claudia, da Congregação das filhas de Santa Maria de Guadalupe; dois casais: Maria do Rosário e José Marrazes, e Lúcia e Carlos Ferreira; dois irmãos: António e Júlia Canhoto; e Emanuela Dias e seus filhos, Alexandre e Ana Luísa.

Visitámos as aldeias de Mosteiro, Troviscais, Graça, Atalaia, Derreada Cimeira, Escalos do Meio, Escalos Cimeiros, Soalheira, Covais, Nodeirinho, Louriceira, Vila Facaia, Picha, Pesos e S. Vicente.


Nesta missão constatámos que as pessoas, na sua maioria idosas, sofrem as consequências da desertificação e envelhecimento das populações do interior, do isolamento e da falta de assistência religiosa regular. Por isso, as pessoas têm fome de ouvir a palavra de Deus e participar na celebração da Eucaristia. Muitas ainda estão a viver o luto da perda de familiares, amigos e vizinhos nos incêndios de 2017. Todavia, sentimos a coragem com que continuam a enfrentar a falta de apoio social, religioso e financeiro, mantendo a esperança. Pediram-nos que voltemos mais vezes, pois trouxemos-lhes uma palavra de esperança, encorajamento e alegria.


Neste ano missionário e conforme a iniciativa do Papa Francisco que declarou outubro de 2019 mês missionário extraordinário e escolheu como tema: “Batizados e enviados - a Igreja em missão no mundo”, quisemos responder a este desafio do Papa e interpelar as comunidades que visitámos a serem elas mesmas Igreja em saída, Igreja missionária.


Agradecemos ao Pároco Geraldo Mário Kanjala, que foi recentemente nomeado para esta paróquia, e a todas a pessoas que deram do seu melhor para nos acolherem nas suas respetivas comunidades. 


Em Nodeirinho, no memorial às vítimas do incêndio de 2017

Estamos em missão
Nas aldeias do interior,
Com as nossas Irmãs
E também com o Sr. Prior!

Acordamos muito cedo,
Faz parte da missão.
Todos os dias fazemos
A nossa linda oração!

O nosso pequeno-almoço
É saboroso como o mel.
Até temos ovos mexidos,
Parece que estamos no hotel!
Em Louriceira

Somos um grupo animado,
Com muita dedicação.
Até temos GPS
Para nossa orientação!

Ao chegarmos às aldeias,
Acolhem-nos com muito amor.
As pessoas estão sedentas
Da palavra do Senhor!

Por vezes disse palavras
Para o grupo animar.
A todos peço desculpa,
Mas eu gosto de brincar!

Em Escalos Cimeiros
Quero a todos agradecer
Do fundo do coração.
Todos são bons companheiros
Para continuar a missão!



A equipa Pedrógão Grande 2019 
Pe. Joaquim Domingos Luís, Ir. Susana Juárez, Ir. Elvira Olivares, Ir. Claudia Martinez, Maria do Rosário Marrazes, José Marrazes, Lúcia Ferreira, Carlos Ferreira, António Canhoto, Júlia Canhoto, Emanuela Dias, Alexandre Moura e Ana Luísa Moura.

quinta-feira, agosto 15, 2019

Mais seis voluntários? É o quê? É…!


No dia 20 de Julho fomos até Luanda para nos despedirmos dos membros da UASP. Durante o caminho passámos pelo Santuário de Nossa Senhora da Muxima e rumámos ao aeroporto. Pernoitámos por Luanda, uma vez que estavam a chegar novos voluntários. Chegaram a Luanda meia dúzia de voluntários cheios de vontade de ajudar!

Primeiro chegou pela manhã do dia 21 a mana Ana Rita. Com ela fomos visitar a Irmã Tita, das Irmãs Guadalupanas. Fomos muito bem recebidos e tivemos direito a um segundo delicioso mata-bicho.

Durante o fim-de-semana aproveitámos para celebrar com os Padres do Verbo Divino na Paróquia do Cristo Rei e conhecer um pouco de Luanda.

Nos dois dias seguintes, chegou o mano Aires e o mano Vítor e por fim a mana Cândida, o mano João e a mana Rita Banza.

Seguimos até ao Sumbe e, por lá, permanecemos durante dois dias, de volta dos preparativos para a visita aos bairros. No dia 26, saímos, de manhã cedo, rumo ao centro da Chitunda, ao encontro do Bairro do Sondo. Durante o dia o tempo esteve agradável, no entanto as noites eram tão, tão frias, que fizeram lembrar o Inverno em Portugal. No dia seguinte fizemos uma caminhada de cerca de uma hora até ao Bairro da Banja.

Vivemos por lá dias em cheio. Fizemos de tudo um pouco como: brincar com as crianças, consultas médicas, formação de jovens e de famílias. Visitámos o Bairro da Banja e da Chiliva onde conhecemos pessoas maravilhosas.

No início da semana seguinte, dia 31 de Julho, subimos até à Donga. A viagem correu muito bem, e nós, os mais novatos, tivemos a oportunidade de experimentar a famosa “picada”. Chegámos à conclusão do quão difícil é chegar ao “paraíso” chamado Gungo, no entanto, quando lá chegamos, apercebemo-nos do quanto valeu cada salto que demos dentro do “cavalinho branco”. Tivemos connosco durante o fim-de-semana a presença da Equipa Diocesana do Apostolado da Oração com 7 membros vindos do Sumbe.
Parte da equipa missionária permaneceu na Donga de volta de alguns trabalhos, enquanto o mano Berto (Humberto), o mano Aires e o mano Vítor ficaram no Uquende a trabalhar na construção da capela. E que bonita está a ficar!.

No caminho de regresso para o Sumbe parámos no bairro do Sapato onde estivemos com a chará Rita. Foi oferecida uma galinha às duas manas “Rita” como manda a tradição.












Agora parte da equipa encontra-se no Sumbe e por aqui vamos permanecer durante alguns dias de volta de alguns trabalhos e na preparação das próximas visitas aos bairros.
Vamos dando notícias assim que possível!

Beijinhos e abraços!

Tukasi Kumosi (Estamos juntos)
A linha da frente (pela pena dos recém-chegados)

terça-feira, agosto 13, 2019

20 anos em missão: vamos celebrar!



O Grupo Missionário Ondjoyetu comemora, neste ano, 20 anos de missão!
A celebração deste aniversário terá lugar nos dias 13, 14 e 15 de setembro, no Centro Cultural Mercado de Sant’Ana, em Leiria.

O programa inicia-se com uma tertúlia subordinada ao tema “Voluntariado e Missão”, na sexta-feira, dia 13, às 21h30. No sábado, dia 14, a tarde trará até Leiria a cultura e as cores africanas, seguindo-se a celebração de uma missa de Acção de Graças, às 18h30, na Igreja do Espírito Santo (ao lado do Mercado de Sant'Ana). No domingo, dia 15, a partir das 12h30, realizar-se-á um Almoço Solidário - Festival de Tachadas, que incluirá sabores angolanos. Ao longo dos três dias, estarão patentes a exposição fotográfica e a banca de artesanato Ondjoyetu, e não faltarão os sons de África.

Vem celebrar connosco a festa dos 20 anos, a festa da MISSÃO!

A todos aqueles que nos acompanham e apoiam das mais diversas formas, ajudando-nos a cumprir esta obra que Deus nos confia, MUITO OBRIGADO por acreditarem connosco. Juntos, vamos contribuindo para a construção de um mundo mais justo e sustentável, onde todos temos lugar, onde todos somos verdadeiramente irmãos.

Continuemos a celebrar esta caminhada missionária, esta história de Amor que é de todos nós.
Tukasi kumosi. Estamos juntos.

P.S.1: Ajude-nos a divulgar este evento na sua paróquia. Para descarregar o cartaz (em versão pdf), clique, por favor, aqui. Muito obrigado 😊
P.S.2: Agradecemos ao nosso amigo e colaborador Samuel Pereira a elaboração deste belo cartaz. Twapandula tchiwa, Samuel 😉

segunda-feira, agosto 05, 2019

Ondjoyetu: 20 anos em missão

O Grupo Missionário Ondjoyetu celebra, neste ano, 20 anos de existência, 20 anos de MISSÃO! Assim, nos dias 13, 14 e 15 de setembro, no Mercado de Sant’Ana, em Leiria, realizaremos um grande evento comemorativo deste aniversário.

Destacamos, para já, o seguinte ponto do programa: Almoço Solidário - Festival de Tachadas, no domingo dia 15, a partir das 12h30.

Brevemente, daremos mais informações sobre estes três dias de celebração e acção de graças. Fiquem atentos :) 
Tukasi kumosi! Estamos juntos!

quinta-feira, agosto 01, 2019

Curso de Missiologia 2019


De 26 a 31 de agosto, vai realizar-se em Fátima mais um Curso de Missiologia promovido pelos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) com o apoio das Obras Missionárias Pontifícias. Esta formação visa a qualificação do missionário e, consequentemente, da Missão. O curso é bienal, correspondendo o ano de 2019 ao 2.º ano do ciclo. A inscrição é arbitrária quanto à ordem, 1.º ou 2.º ano. O diploma obtém-se após a frequência dos 2 anos.


Objectivos
- Apresentar as bases bíblico teológicas da missão ad gentes;
- Repensar a missão à luz do Vaticano II e dos documentos recentes do Magistério;
- Percorrer as etapas mais importantes da história da evangelização e da reflexão missiológica;
- Apresentar exemplos concretos da práxis missionária actual e preparar para os desafios da inculturação e do diálogo do Cristianismo com outras religiões.


Temas & Docentes
- São Lucas e a Missão - D. António Couto
- A Missão em Portugal e desde Portugal - D. José Cordeiro
- Espiritualidade Missionária - Dra. Teresa Messias
- Literatura e Teologia - Pe. Adelino Ascenso
- Missão e Diálogo - Pe. José Nunes
- Tertúlia missionária - vários intervenientes

Data
26 a 31 de agosto de 2019

Local
Missionários da Consolata, em Fátima

Inscrições & Informações
Online: clique aqui
Telefone: 249 539 430
E-Mail: cursomissiologia@gmail.com

Valor da inscrição
20€

Data limite de inscrições
16 de agosto de 2019

sábado, julho 20, 2019

Vida em Missão: da Pedra Um ao alto da Donga








Mudar o rumo do quotidiano, dar aos outros um pouco da nossa fé e do nosso tempo, foi o mote que nos levou à Missão ONDJOYETU, na Comuna do Gungo da Diocese do Sumbe, em Angola, superiormente dirigida e animada pelo Padre David Nogueira Ferreira, proveniente da Diocese de Leiria-Fátima.

A Casa da Pedra Um, no Sumbe, onde inicialmente fomos recebidos, situa-se num bairro em que a terra polvilhada de pó acolora casas de adobe, dá cor de suor às pessoas que andam e conversam nas ruas, na praça da fonte ou no mercado aberto em que o chão faz de bancada e de tudo se vende: farinha de milho, ovos, tomate, verduras, óleo de palma, pilhas, rádios, lanternas, batatas, mandioca, peixe seco, vestuário, calçado, enfim, aquilo de que as pessoas, na condição em que vivem, mais necessitam para o seu dia a dia.

A Casa da Pedra Um, como viemos a verificar, desempenha um papel vital na vida da Missão, pois, aí se faz toda a logística e armazenamento dos bens que são depois encaminhados para a sede da Missão, situada no alto da Donga, à "curta" distância de 130 kms da cidade do Sumbe, cujos 50 kms finais se tornam um verdadeiro calvário de estreitos caminhos de terra batida entre picos de íngremes subidas, salpicos de rochas graníticas que mordem, picam, furam e escorregam, apenas permitindo a passagem de pessoas, animais e veículos motorizados adequados à sinuosidade e precariedade do trajecto (motorizadas e jipes), perdurando o calvário, se nada de grave acontecer, como avarias de motor, furos, enjoos ou paragens de saudação e cumprimentos, a média normal de 8 a 10 horas.




O designado "cavalinho branco" - jipe Toyota Land Cruiser -, mal entra na picada, atravessa montes e vales, serpenteando os bairros escondidos entre capim, palmeiras, bananeiras e embondeiros, cruzando lavras e nacas, atraindo grupos de crianças mestradas entre pessoas adultas gritando XAUÉ, XAUÉ em que o "É" final ecoa prolongadamente num delírio colectivo saudando o Senhor Padre, PADRE, PADRE, num cumprimento de boas vindas e de um reconhecido e sincero OBRIGADO, OBRIGADO.





Bom de ver como toda a gente, ao cruzar, num tom feliz, carinho e sorridente, se saúda e cumprimenta, dizendo: "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "tás bem / bom ou boa", "xauéé", "xauéé", "obrigado/a", tratando os mais idosos, sabedores de vida e experiência, por "avô" ou "avó" e, entre todos "mano", "mana", algo que, na nossa terra, dita "mais civilizada", caiu em esquecimento e desuso, tornando as pessoas mais sisudas, acabrunhadas e distantes.

Como é bom, Senhor, viver com as gentes que puseste no nosso caminho de Missão.





Como projectado, na passada quinta-feira, 11 de Julho, seguido de um outro jeep, gentilmente cedido pelo Senhor Bispo da Diocese do Sumbe (Dom Kiala) e da designada mula (veículo de caixa aberta que transporta bens e mercadorias mais pesadas), o nosso "cavalinho branco" seguiu para a Donga e, após vários sobressaltos de subidas escarposas e escorregadiamente graníticas, o seu motor não aguentou e, da comitiva em paragem forçada, o Padre David, o voluntário Humberto e o motorista Mário, num esforço de monta e desmonta, abre, fecha e cola fios, lá descobrem a causa da avaria, permitindo, ao cabo de hora e meia, a retoma de marcha lenta, de sobe, salta e desce, vira à esquerda, torce à direita, olha o fundão, pára que não passa, desvia que aí vem mota, olha a mulher que aí vai na água e de carga à cabeça, mas, sobe, sobe, sobre, passa rio aqui e ali, pisa capim, desvia de ramo e entra em clareira onde, ao cimo se avista um pouco de luz e casario... era a Donga, era noite, eram 23,30 horas ... e lá estava a mana Teresa, rosto de simpatia, lábios de sorriso, "viagem correu bem? - óh, óh, se correu, "vamos que a janta está na mesa", e vai uma saborosa sopinha, pão e fruta como é de tradição.




O dia seguinte, 12 de julho, foi de conhecimento das condições da missão composto de cinco pequenos edifícios: um destinado a alojamento com quatro pequenos quartos, podendo albergar cerca de 16 pessoas; outro que serve de cozinha e sala de jantar; outro onde vive o catequista geral da Paróquia da Donga; outro onde vivem alguns trabalhadores da missão; e o edifício da capela que, além de ser o local de culto, é o centro de espiritualidade da missão, servindo para reuniões, formação, catequese, e ainda para acolher as pessoas que acorrem às celebrações religiosas e demais iniciativas da Missão, aí podendo pernoitar, descansar e guardar alguns pertences e bens pessoais ou das respectivas comunidades.



Ao mesmo tempo que íamos convivendo com as pessoas que vivem na Missão, logo nos apercebemos que a mesma desempenha um papel fundamental na formação e educação cristã das gentes que vivem na Comuna do Gungo, ocupando, em zona de montanhas e planaltos, uma área aproximada de 2.100 kms2, com a extensão de raio máximo de 82 kms.

Ao mesmo tempo, servida pelo Padre David, por alguns catequistas, trabalhadores e voluntários, a Missão desempenha, no contexto territorial em que se integra, um relevante e meritório papel nos sectores da educação e formação humana, instruindo crianças, jovens e adultos; da acção social, prestando assistência médica e medicamentosa a pessoas doentes e fragilizadas, e socorrendo com alimento, vestuário e calçado as pessoas mais pobres, famintas e doentes.

A Missão, através de algumas actividades que vai exercendo, tem ajudado a melhorar as condições de vida e habitabilidade das gentes do Gungo, requalificando o fabrico de materiais de construção (tijolo de BTC), fabrico de argamassas enriquecidas, captação, condução e armazenamento de água numa zona dela carenciada, requalificação dos sistemas de cultivo de bens essenciais (milho, batata, feijão, hortas), servindo de agente regulador de preços que muito tem contribuído para a melhoria do rendimento e sobrevivência das gentes do Gungo e das suas comunidades.

E, nesse contexto, foi bom ver como se cuida dos gados (porcos, cabras, galos, galinhas), se zela a terra de cultivo (lavras) da batata, milho, feijão, verduras, tomate, pepino, abóbora e outros produtos; se implementou e zela a pequena oficina de tijolos de BTC que tem permitido a edificação de casas e edifícios mais sólidos, robustos e mais resistentes à humidade e às águas da época das chuvas; a mana Teresa a socorrer doentes, medindo temperaturas, dando e ministrando medicamentos; o avô Filipe mestre de cozinha no sábio comando da confecção de refeições; a voluntária e atenta Sílvia a coordenar todos os trabalhos mais pormenorizados das casas, da cozinha, da capela, da logística de abastecimento; o voluntário Humberto e o motorista Mário a, numa noite escura, socorrerem uma jovem parturiente que deu à luz na Donga uma criança prematura de cerca de 7 meses, conduzindo, a toda a pressa e pela escurecida picada da noite, a mãe e filha ao Hospital do Sumbe, num dia e meio de viagem que terminou com a notícia de que mãe e filha estão bem! Sem dúvida, nessa noite, por intercessão de São José, Padroeiro da Missão, e de Nossa Senhora de Fátima, Deus protegeu sobremaneira aquela jovem mãe e a sua filha prematura.





No sábado, 13 de Julho, foi um fervilhar de trabalho na sede da Missão. O Grupo da UASP, sob orientação do Padre David, da Sílvia e do Humberto, dedicou-se à execução de tarefas diferenciadas.

Enquanto alguns se ocupavam da melhoria das instalações (limpeza e arrumação da oficina de tijolos BTC, limpeza dos alicerces do novo edifício destinado ao catequista para posterior isolamento e pintura, subida do tecto da latrina, limpeza da zona adjacente ao tanque de água), outros dedicaram-se à formação de acólitos, outros a trabalhos de costura e outros à formação bíblica de catequistas e à preparação dos catecúmenos.






O Domingo, 14 de Julho, dia do Senhor, iniciou-se com as laudes a que se seguiu a missa dominical, presidida pelo Padre Armindo Janeiro e concelebrada pelo Padre David, Pároco da Missão, nela participando centenas de pessoas, muitas delas jovens, vindas de diversos bairros da Paróquia da Donga, e que foi celebrada em umbundo (língua nativa local) e português, tendo sido brilhantemente animada por vozes naturalmente sonantes e musicais, cheias de ritmos e de profundo sentido cristão, retornando às suas casas de coração cheio para um viver mais solidário e feliz.





Na parte da tarde, foi o encontro e cruzar de famílias - famílias das comunidades do Gungo e das famílias que foram em missão, partilhando entre umas e outras as experiências de vida de casal, da formação e educação da família cristã, das vivências em família, as relações entre esposos, pais, filhos e avós, a entreajuda mútua dos esposos na construção de uma família mais sólida e feliz, a educação dos filhos, as dificuldades e preocupações que assolam as famílias, enriquecendo conhecimentos e experiências que nos ajudaram a compreender as diferenças culturais, sociais e humanas das famílias presentes, fazendo ressaltar o denominador comum da construção de uma família mais solidária e feliz na vivência do verdadeiro amor cristão.

Como nota final, o espírito de missão está bem presente na acção e nas atitudes dos servidores da Missão, tendo, à cabeça, o Padre David, sacerdote apaixonado que se dedica, de alma e coração, à causa da missão, à evangelização do povo e das gentes que lhe estão confiadas, sabiamente coadjuvado pelo conjunto de voluntários que, de tempo em tempo, o auxiliam nas tarefas da missão, sejam elas no campo religioso e espiritual, sejam elas mais centradas na acção social, humanitária, educacional ou laboral na criação de estruturas físicas que possam melhorar as condições da Missão, tornando mais profícua a sua acção missionária, alimentada pela oração e pelo sentido de ajudar e bem servir as populações e comunidades da Comuna do Gungo e da Diocese do Sumbe.

Pedra Um, 16 de Julho de 2019

quinta-feira, junho 27, 2019

De bairro em bairro e algo mais


Nova capela do Uquende
Mini pasteleiros
Mais uma semana se passou e cá estamos de regresso ao Sumbe para preparar mais uma subida, mas sobretudo para tratar de papelada, afinal de contas, o contentor está para chegar e com ele o grupo da UAASP (União das Associações dos Antigos alunos dos Seminários Portugueses) que acolheremos durante duas semanas, mas já lá vamos.
Como já sabem, o mano Humberto tem ficado pelo Uquende a ajudar os mestres a levantar as paredes da nova capela e felizmente já existe um buraco para as janelas e também para o portal de entrada! Isto é, o lintel do lado esquerdo e da frente da capela já têm betão e em breve os blocos chegarão à altura do telhado. Falta ainda chegar ao lintel do lado de trás da capela e do lado direito. Já se começou a preparar os ferros dos pilares para receber a estrutura metálica e, entretanto, será tempo de a colocar no ar. Está a ficar bem bonita! Já tem duas cruzes, uma cruz em cada lado do portal, que dão assim alguma identidade à capela.
Bairro do Lungenge

Bairro Bambi
Bom, entretanto a restante equipa subiu também ao Uquende onde pernoitou até quarta-feira, sendo possível dar uma ajuda no avanço da construção e na educação das crianças (com uma aula de pastelaria J). Seguiu-se a visita aos bairros do Chitonde. Nesses dias o mano Humberto permaneceu no Uquende a continuar a avançar com a obra e, no Sábado à tardinha, pegou na "Husqvarna" (mota da missão) e juntou-se à restante equipa já na Ndula.
Durante a semana a equipa pernoitou no bairro da Ndula, também denominado de Cacumba. É um bairro que já tem acolhido a equipa diversas vezes e onde mais uma vez, há sempre uma “mãe” para cuidar de nós com carinho, a Dona Imaculada com a jovem Isabel que ajudaram o nosso mestre cozinheiro, o avozinho Filipe.

Na quinta feira visitámos o bairro do Lundjenje (lugar de uma antiga fazenda), na sexta o Bambi e no sábado o bairro da Chipinga (um local conhecido por uma grande fazenda dedicada ao café). O domingo foi celebrado na Ndula onde se concentraram várias pessoas para o encerramento da visita ao Centro do Chitonde. Estiveram presentes ainda os representantes da Tuma e do Apostolado da Oração. Assim, tirámos a famosa fotografia de grupo e a tarde foi dos miúdos e graúdos que se fartaram de brincar, rir e pular (aproveitámos ainda para trocar conhecimentos, eles ensinaram-nos Umbundo e nós retribuíamos-lhes com o Inglês).
Comunidade na Ndula
Comunidade da Chipinga e Chitõla
As visitas aos bairros seguiram a estrutura habitual, recepção do “patele” (padre) e a Equipa pela comunidade com cânticos e muita alegria seguida de uma mensagem de boas vindas. Depois um momento destinado às confissões, a missa e o almoço, a ementa já sabem o que é: barriga de missionário, cemitério de … ? (Galinha!) Por fim reúne-se o Ondjango do bairro para discussão de vários temas referentes à comunidade. Neste espaço de tempo tenta-se concentrar as crianças num local mais recolhido para assim todos podermos aprender uns com os outros de uma forma mais lúdica onde os jogos reinam e as letras são o salva-vidas.
Encerrada esta etapa, voltámos a subir ao Uquende para, assim, preparar a nossa descida ao Sumbe. Algumas retificações, umas organizações de boleias, umas confirmações na obra da capela, mais umas manutenções à nossa moagem e siga! Vrrruuummm, vrruuuummm, Chegámos ao Sumbe.
Agora cá estamos em preparação para a receção do contentor. Estamos a fazer um barracão, a reorganizar o armazém e espaços de arrumos para conseguirmos mais espaço, a dar a volta à casa como aquelas limpezas a fundo de primavera, e a tratar de toda a papelada burocrática inerente ao processo do contentor e à recepção das nossas próximas visitas.
Xauééééééé.
A Linha da Frente