sexta-feira, novembro 15, 2019

“O Padre veio, o Padre veio”!

Visita ao bairro do Culembe

Boa noite Portugal, cá está a linha da frente a dar mais notícias da nossa Missão. Como sabem após a mana Sílvia ter ido a Luanda levar o Padre José Luís que celebrou o Dia Mundial das Missões no Gungo, no regresso trouxe o nosso Padre David. Com ele vieram também muitas prendinhas, muitas mensagens, muito carinho. Sabem, é como estar à lareira naqueles dias gélidos. É como sentir uma brisa fresca naqueles dias tórridos. É como comer um quadradinho do nosso chocolate preferido. É como sentir um abraço de quem já não vemos há muito tempo! A TODOS, e de TODOS, o nosso muito OBRIGADO! Ainda em Luanda deu tempo para uma visita “expresso” ao Sr. D. Filomeno, arcebispo de Luanda.
Bom, mas a missão não pára e, logo no Domingo dia 27 de Outubro, fomos celebrar Eucaristia ao Centro da Tuma onde fomos recebidos com muita alegria. A pequenada só corria gritando por todo o bairro “o Padre veio, o Padre veio”. E, assim, ecoando por todo o Gungo, marcou a nossa presença neste lugar mágico. No final da tarde seguimos para Benguela com o tio Calei para tratar dos documentos da viagem dele até terras lusitanas. É verdade, o nosso tio Calei vai a Portugal no próximo mês de Dezembro… deixem lá o “copo de água e a cadeira” (costume tradicional de acolhimento) e comecem já a preparar o bom Cozido à Portuguesa, a bela Sopa da Pedra, o Bacalhau à Braga, o Guisado de Borrego, etc., ah, e os doces! Aí os doces…
Em Benguela fomos acolhidos pelo Sr. Miguel das Terras Centro e ainda deu para visitar os nossos benfeitores, João, do Espaço Mecânico e a Mena (professora do ensino primário) com a sua filhota Cátia.
Regressámos ao Sumbe para preparar logo a subida no dia 1 de Novembro para o nosso Gungo. Destino: Donga! A fim de preparar e comemorar o Dia dos Fiéis Defuntos. Nesse dia rumámos até ao cemitério próximo da missão e, lá, as pessoas colocaram flores e novas cruzes nos seus entes queridos. A primeira paragem foi junto à sepultura de homenagem ao memorável e respeitado catequista António Jamba. A sua esposa, a Dona Carolina, pediu para acompanhar-nos nesta temporada pelo Gungo e assim viver connosco estes dias.
No domingo celebrámos a nossa santa missa e, à tarde, tivemos o nosso Conselho Permanente onde, em conjunto com os catequistas visitadores dos 11 Centros da Missão elaborámos o programa dos próximos tempos, recebemos as informações dos centros e tratámos dos pontos mais urgentes da missão.
Na segunda, fomos rumo ao Uquende para cuidar das feridas do nosso “Elefante” que tinha ficado lá avariado. Nos entretantos a mana Sílvia ia agarrando as crianças que não iam para as lavras (esta é a altura de sementeira em que é preciso enxotar perdizes e macacos) e aproveitava para os ensinar o B, A, BA… Agora o nosso Unimog já anda e corre pelas vias e picadas saltitando as pedras e levando às pessoas os bens de necessidade que urgem nesta época do ano… Chapas para cobrir as casas, arroz, massa, leite para as crianças, farinha, etc., etc., etc..
Quarta regressámos à Donga para uma paragem a meio caminho afim de quinta subirmos mais um pouco para Sul e interior do nosso Gungo até ao Centro do Culembe. No caminho deparámo-nos com os “nuestros hermanos” geólogos do Planageo que, de vez em quando, vêm até ao Gungo. O trabalho deles é percorrer as áreas e fazer o levantamento de dados geológicos de todo o país.
Dia 7, quinta, no Culembe, iniciámos a visita anual a este centro, reunimos com o Ondjango e ainda houve lugar para encontros com os catecúmenos, preparandos da 1ª Comunhão, comunidade em geral e com os responsáveis da Liturgia deste Centro. Fomos também visitar o bairro da Icacala no sábado e, no domingo, de regresso à Donga fizemos uma pequena paragem na antiga fazenda de sisal e de algodão no Chieque.
Visita ao bairro da Icacala
Dia 11, segunda, regressámos ao Sumbe onde nos preparamos para mais uma subida ao Gungo, desta vez para ir visitar os centros do Calipe e Chitiapa.
Tchauéeééé Portugaléééé!
Saudações da linha da frente










domingo, outubro 27, 2019

Reunião mensal de novembro

A próxima reunião mensal realizar-se-á neste sábado, dia 2 de novembro, às 21h00, no Seminário Diocesano de Leiria. Entre outros assuntos, faremos o balanço do Outubro Missionário e conheceremos as próximas movimentações para a linha da frente 😊. Seguir-se-á o habitual convívio com chá/lanche partilhado.
Continuação de boa missão 😉 Ekolelo linene! Muita coragem!

Para um cristão, não é possível imaginar a própria missão na terra sem a conceber como um caminho de santidade, porque «esta é, na verdade, a vontade de Deus: a [nossa] santificação» (1 Ts 4,3). Cada santo é uma missão; é um projeto do Pai que visa refletir e encarnar, num momento determinado da história, um aspeto do Evangelho. Papa Francisco, Gaudate et Exsultate, 19

sábado, outubro 26, 2019

Semana missionária no Gungo


Olá Portugalito. Por cá estamos todos bem e vamos começar a gravar os nossos camungungos a perguntar por vocês… “A mana Ana e Inês?”, “A Sónia?”, “O tio Diamantino?”, “A Inês cambutinha?”, “A mãezinha Angélica?”, “O mano Amândio”, “A professora Cândida?”, “E o Sr. Padre Vítor quando vai voltar?”, “A mana Vanda?”, “A Lina já casou?”, “O Padre André?”, “O mano Humberto já não vai vir mais?”, “A mana Elsa?”, etc, etc, etc! É verdade, as saudades são muitas e as pessoas não se esquecem. A maior riqueza são as partilhas e as amizades que ficam para toda a vida. Mesmo se distantes, o carinho da lembrança brilha nos olhos deles.
Sugestão da equipa da linha da frente: Escolham um lugar, façam o vosso farnel e partilhem-no num piquenique por aí. As memórias vão aparecer com muitas peripécias para contar e histórias de encantar. Esperemos que não tenham de regressar de barco :P . Bom! Tirem umas fotografias… Façam uns vídeozinhos… A malta daqui também quer ver as vossas chipalas, ou seja, as vossas carinhas larocas e saber como estão.
Pronto, agora, contando as novidades…
No Sumbe reunimos forças e fomos até à Conda buscar água para bebermos. Depois, foi ir às compras de mantimentos e preparar tudo para subirmos ao nosso Gungo.

Na sexta, dia 11, chegou o Padre José Luís de Luanda. É um padre bem conhecido do nosso Padre Joaquim, ambos pertencem à congregação do Verbo Divino. Assim, sábado, após o almoço, fomos até ao Centro da Tuma e demos início à nossa semana missionária.

Domingo de manhã, fizemos a nossa oração e, após o pequeno-almoço, houve tempo para as confissões. Depois, como habitual, às 9h celebrámos a nossa santa missa com lugar para a bênção das sementes. Após o almoço subimos para o Centro do Chitonde.
A picada deste troço está bem má. Saltita pedras, escorrega, desvia de buraco, cai noutro. Depois o carro inclina…! Enfim, não conseguimos subir até ao bairro com o Cavalinho (o nosso carro), mas fomos a pé. Jamais desistir de ir ao encontro das comunidades. Até foi divertido, fomos a cantar e levámos tudo à cabeça. Depois de nos instalarmos e de jantar fomos rezar o terço e foi muito bonito. Rezámos à volta de uma fogueira bem grande, sob um céu limpo e estrelado, e, no fim, a partilha dos mais velhos em que ficámos a conhecer a história daquele Centro.

No dia seguinte, o programa manteve-se, oração das Laudes, mata-bicho, confissões, missa e bênção das sementes. Depois do almoço, seguimos para o Centro do Uquende.
No Uquende fomos mostrar à nossa visita a nossa linda Olumema Olumema (a moagem) e dar uma voltinha até à capela da Pedra Gonga. Até subimos ao Monte Cavinjo! Onde a vista é de facto maravilhosa... Avista-se todo o bairro. Ao fundo as montanhas, de um lado a capela da Pedra Gonga, do outro pequenos bairros brotam entre as colinas, de trás vemos o imponente Monte Iko… É difícil descrever em profundidade tudo o que os nossos olhos alcançam. No dia seguinte tudo se repetiu e, depois do almoço, fomos rumo ao Centro da Chitunda.
O mano Mário veio ao nosso encontro já carregado com o material para fazer as manutenções necessárias na Donga. Entretanto, brincadeiras com as crianças até à oração da noite e, depois, mais animação com os jovens do centro que sempre nos recebem com boa disposição cantando e dançando ao som do batuque e com muita alegria à mistura.
Quarta, dia 16, as laudes, confissões, missa e a benção das sementes. A mana Sílvia ainda foi visitar os doentes e, depois do almoço, seguimos todos já para a nossa Donga. Dormimos e, no dia seguinte, fomos com a mana Teresa, o tio Calei e a nossa Julieta até à Chitiapa. Lá a recepção foi à moda tradicional. Mal chegámos dirigiram-nos de imediato para a casa que nos acolheria e deram-nos a famosa cadeira com um copo de água. Só no fim é que retirámos as coisas do carro e fomos preparar a missa. Enquanto a mana Sílvia brincou com a criançada, seguiu o momento das confissões e, por fim, a Missa. O almoço, com a moela da galinha para o Sr. Padre (sinal de respeito) e a lembrança da famosa frase “barriga de missionário, cemitério de galinha”.
De regresso à Donga o trabalho não para. À tarde a mana Sílvia foi com o tio Raimundo Rita buscar água ao rio enquanto o mano Mário fazia de médico para a nossa moagem da Donga. Assim, a nossa menina já trabalha e como alguém diz quando ouvimos um rum rum rum - “mais um cliente a caminho da satisfação”.
Dia 18, sexta, iniciou a formação orientada pelo Sr. Pe. José Luís sobre a Missão. Os temas foram variados, mas de forma simples, foi abordada a Carta Apostólica do Papa sobre o mês das missões e o que é a Missão. Todos nós somos chamados a fazer e a ser Missão. Assim sendo, o que podemos fazer pela nossa Missão de São José do Gungo, quais são os objectivos específicos, as prioridades, os desafios futuros, e sobressai a ideia de que “não podemos ser moles, devemos FAZER ACONTECER!”. Mais uma vez a mana Sílvia com o tio Raimundo foram à água desta vez com a pequena Mineuza que veio do bairro do Uquende. No período da tarde fomos carregar pedra para colocar no sítio do famoso mamoeiro (um dos pontos críticos da nossa picada, mesmo ao chegar perto da sede da nossa missão). Os motoqueiros iam parando e ajudando. Tem de ser assim mesmo, unir-nos, pois trata-se da melhoria das condições da via para todos e realmente está a precisar de muita intervenção. Para encerrar o primeiro dia de formação tivemos missa e, no fim, ainda deu tempo para irmos fazer pão quentinho…
No sábado, a formação continuou e deu-se o término com a missa das 18h. A mana Sílvia com o mano Mário junto do amigo Aleluia (João Chimbinda) foram até ao bairro do Setor carregar ginguba. E, de regresso, carregaram mais um monte de pedras para outro sítio perigoso da picada. Devido às brechas no caminho para nos desviarmos o carro inclinava muito, e a chuva está a vir cada vez vai tornando mais fundas as valas. Assim, se o carro escorregasse, poderia cair com uma roda lá dentro e ser muito perigosa a passagem. Junto com o tio Raimundo e o amigo Ñguali (do bairro do Aweco) descarregámos a pedra e tapámos tudo com uma brita fina que, depois, se irá compactar e deixar a via em condições. No final, ainda fomos cascar ginguba e medir milho para trazer para a casa do Sumbe.
Finalmente, domingo, dia 20, Dia Mundial das Missões. Fizemos a nossa oração da manhã, tomámos o nosso mata-bicho e, depois, a nossa celebração dedicada a este dia. Renovámos os nossos votos do batismo e dissemos “sim quero” ser missão! Abençoámos as nossas sementes para que, ao caírem na terra, morram para dar fruto. Tirámos uma fotografia de grupo e a mana Sílvia com os jovens foram plantar um embondeiro na horta marcando este dia e selando a amizade que os une. Depois do almoço, com o carro prontinho regressámos ao Sumbe. Mas… não sem antes fazermos um resgate! Na ponte da Donga estava preso na areia um camião. Assim o nosso super herói Cavalinho Branco foi salvar o dia.
Segunda-feira aproveitámos para descansar um pouco e recarregar baterias e, já com tudo preparadinho, fomos dormir. Terça, às 6h da madrugada, já estava a mana Sílvia ao volante para trazer o Sr. Pe. José Luís de volta a Luanda.
Assim, seguimos esperando o regresso do nosso “patele” (padre) David e as crianças correndo e gritando “o nosso padre, o nosso padre”.

A Equipa da linha da frente
Tukasi Kumosi


segunda-feira, outubro 14, 2019

Tá duro!


Olá amiguitos de Portugal e de todo o mundo. Aqui a linha da frente mantém-se ativa e de boa saúde. Dizem que o trabalho da saúde. Cá é coisa que não nos falta.
Após a ida do Sr padre David de férias e do regresso dos nossos companheiros a Portugal, de novo no Sumbe, fomos à pesca... A praia do Quicombo é o nosso sítio de eleição para comprar peixe fresquinho que depois tratamos e armazenamos na nossa arca.
Sexta-feira, dia 27 de Setembro, subimos até à sede da Comuna do Gungo, Uquende, e lá permanecemos até segunda. No sábado, junto com a comunidade, fomos varrer e limpar a capela da Pedra Gonga (muitos certamente que a conhecem, foi a capela onde o avô Filipe foi batizado). Esta capela é muito antiga e está a precisar de intervenção, porém é difícil atender com a brevidade com que deveríamos a todas as necessidades. E, assim, a opção foi fecharmos as entradas de maneira a que os animais não se apoderem do edifício e evitar ainda algum possível acidente devido ao chão de madeira do coro alto já estar em muito mau estado.
A capela está sobre uma grande, grande... pedra. Após uma noite bem chuvosa, as nossas crianças agarraram nas vassouras (feitas de vimes) e toca a varrer tudo muito bem. Arrancaram ervas, tiraram paus, desviaram ramos de palmeiras,... e, claro, ainda deu para brincar um bocadinho nas poças de água que se colocavam mesmo no caminho onde iríamos passar. Durante a tarde, fez-se pão caseirinho e aproveitámos o forno para fazer um bolinho de ananás.
No Domingo a comunidade reuniu-se para todos juntos vivermos o culto conduzido pelos catequistas e, no final, aproveitando a presença da equipa, houve a necessidade de cuidar de algumas pessoas com ferimentos. Cortes de catanas, tropeções em pedras, quedas de mota, joelhos esfolados, etc. De tarde a mana Sílvia foi à caça com a pequenada. Cada um com a sua fisga, pedrinhas nos bolsos, e siga… subimos à Pedra Donda (para quem conhece, a que fica ao lado do monte Cavinjo) e como a caça estava escassa, fomos até à lavra do pequeno Inácio. Éramos cerca de 40 e foi uma grande tarde de caça! APANHÁMOS: 2 tortulhos (cogumelos)!
Mas ainda a dor de cabeça estava por chegar… O nosso Elefante (Unimog), avariou! O mano Mário bem tentou, mas tivemos mesmo de o deixar para ser super-hiper-mega-vigiado e guardado pelos nossos “komolas” Ondjoyetus (crianças).
Segunda fomos para a Donga e lá permanecemos até à segunda seguinte. Foi uma semana muito intensa. Elefante (Unimog) avariado, Mula avariada (carrinha de caixa aberta), rebarbadora avariada, moagem da Donga parada à espera de peças, gerador a precisar manutenção, inventário da cantina da missão por fazer, tanques de água vazios, casa de adobes a ser construída para os membros do Apostolado da Oração e Legião de Maria, época de fazer testes na escola, a picada a precisar de intervenção, pessoas a necessitarem de consultas, a lavra e a horta a precisarem de ser cuidadas… enfim, podíamos continuar, mas já dá para terem uma ideia da azáfama por cá vivida. Mais à frente vão ver um esquema das viagens que o pobre do nosso cavalinho teve de fazer…
Terça a mana Teresa e a mana Sílvia foram a pé até ao bairro da Ngomã atender a uma situação. Um certo menino (o Caetano) que na aflição de apagar o fogo tinha uma faca e sem querer cravou-a na perna. Felizmente a situação já estava a ser supervisionada por um dos promotores de saúde e a recuperação está sendo favorável. Como agradecimento pela visita, foram oferecidos cachos de bananas, dendém, maboques, e até ofereceram uma galinha à mana Sílvia… pior foi o caminho de regresso com morros e atravessar rios e… Ai as nossas ricas perninhas!… Mas voltando às queimadas, infelizmente todos os anos ocorrem incidentes, apesar dos alertas feitos pela equipa e das formações que demonstram que há mais consequências que benefícios. Porém, são uma prática corrente pela população, quer como ferramenta agrícola para destruir o capim e vegetação densa por forma a desbravar as lavras, quer como meio de caça para apanhar animais e também para fazer rejuvenescer novas plantas que servirão de alimento e pasto. É mais uma mudança que se faz “catito a catito” (pouco a pouco).

 No sábado, a mana Sílvia com o avô Filipe e a mana Teresa foram a pé conhecer a lavra do tio Zé Ngombe. É tão distante… E perguntam vocês “porque foram mais uma vez a pé?”, porque para chegar a estes sítios não dá para ir de carro, nem de mota. Foi mais um dia bem passado e no regresso, chuva.

Bom, esquema de viagens e panorâmica da semana, visualizem: segunda, chegada à Donga e 3 viagens ao rio para ir buscar água; terça, deslocação a pé à Ngomã e à tarde mais 4 viagens ao rio; quarta, 3 viagens ao Uquende para transportar as coisas que vinham no Unimog com destino à cantina (safou-nos as crianças que logo se prontificaram para nos ajudar com as cargas e descargas); quinta, mais uma viagem final ao Uquende e à tarde 5 idas ao rio transportar água; sexta, 8 viagens ao rio, 1 à lavra da Teresa, 2 para carregar blocos de adobes, e 1 para lenha; sábado, 4 viagens para carregar adobes, deslocação a pé à lavra do tio Zé, e 1 viagem ao bairro do Aweco para dar boleia a uma família com bebés que andavam debaixo da forte chuva; domingo, após a eucaristia e manutenções ao cavalinho, mais 5 idas ao rio; e, por fim, segunda, 1 viagem até à lavra da mana Teresa seguida da lavra do tio Calei para carregar pedras para a picada (a quem nos acompanha nesta missão, já adivinharam que foram para o sítio do “mamoeiro”), mais 1 viagem até ao sítio do Cucole para transportar um bezerro que sofreu ferimentos no transporte e não conseguia andar mais. Após o almoço, descida para o Sumbe. Mas, as peripécias continuaram… Com a chuva, a picada já colocou as garras de fora e nós, lá fomos descendo, e deslizando, e patinando, e, e,… tivemos um furo! De noite e debaixo de cacimbo, toca a trocar o pneu. Ao passar o Quicombo, em estrada de terra batida, ficámos barrados pelos carros, carrinhas, camiões e autocarros que estavam parados e atravessados de modo a impedir o caminho. Devido à chuva escorregavam e não conseguiram avançar nas subidas provocando longas filas de engarrafamento. Mas o cavalinho é o cavalinho e quando já todos pensávamos que íamos ali dormir, abriu-se uma passagem e por volta 00h44min chegámos á nossa Ondjoyetu.
Na próxima subida ao Gungo, iremos com uma visita bem conhecida do nosso Pe. Joaquim. O seu confrade, Pe. José Luís do Verbo Divino em Luanda irá acompanhar-nos e celebrar connosco o Dia Mundial das Missões, dia 20 de Outubro.
Depois contamos-vos como foi!
Até breve,
Linha da frente. 

(pela pena da mana Sílvia)

quarta-feira, outubro 09, 2019

Calendários Ondjoyetu + Formação FEC


Calendário Ondjoyetu


Calendário das Sessões de Formação da Rede de Voluntariado Missionário - FEC
(para aceder ao folheto na íntegra e em pdf, clique aqui)

quinta-feira, outubro 03, 2019

Batizados e enviados | A Igreja de Cristo em Missão no mundo

Saudações missionárias!
Partilhamos aqui a mensagem do director do Serviço de Animação Missionária, Pe. Joaquim Domingos Luís, para este mês missionário extraordinário, bem como algumas palavras suas sobre as Jornadas Missionárias, que decorreram no passado fim de semana, em Fátima. Boa missão!


JORNADAS MISSIONÁRIAS 2019
No fim de semana de 28 e 29 de setembro, decorreram em Fátima as Jornadas Missionárias sobre o tema Batizados e Enviados: a missão evangelizadora do cristão. Participaram cerca de duas centenas de pessoas, entre as quais membros dos institutos e congregações missionárias e um número razoável de leigos.
Partilha missionária do nosso Humberto Ribeiro
nas Jornadas Missionárias [©OMP]
As jornadas foram iniciadas pelo Presidente da Comissão Episcopal de Missões, D. Manuel Linda, Bispo do Porto, com uma reflexão sobre o tema das jornadas: Batizados e enviados. A Igreja de Cristo em Missão no mundo. Porquê? Para quê? Seguiu-se uma reflexão sobre Missão como “intimidade itinerante” (EG 23) nas igrejas locais com vista à construção de “uma nova terra e novos céus” (Ap 21), pelo teólogo e padre Eloy Bueno de la Fuente; de tarde, o Pe. José Antunes da Silva, dos Missionários do Verbo Divino, falou sobre Missão intercultural. Como derrubar os muros da hostilidade que nos separam (cf. Ef 2, 14)? No final da tarde, D. António Couto refletiu sobre Como recuperar o eco do Pentecostes? O Espírito que se manifesta como força que convida a ir sempre mais além. À noite, tivemos um convívio missionário, que incluiu a partilha do Humberto do Ondjoyetu sobre a sua experiência em Angola. No domingo, D. José Cordeiro, Bispo de Bragança e Miranda, falou-nos sobre o tema Da Eucaristia à Missão. Para uma pastoral missionária “em saída”. O mesmo bispo presidiu à eucaristia de encerramento das Jornadas.


MÊS MISSIONÁRIO EXTRAORDINÁRIO
Estamos a iniciar o Mês Missionário extraordinário, convocado pelo Papa Francisco, com o tema Batizados e enviados: A Igreja de Cristo em Missão no mundo. O Papa Francisco pretende reavivar o espírito missionário em todos os cristãos, lembrando o centenário da Carta Apostólica de Bento XV, Maximum Illud, que apelava a um renovado vigor missionário, mesmo depois das terríveis consequências da I Guerra Mundial.
Cada um de nós é uma missão no mundo porque é fruto do amor de Deus e quem ama põe-se em movimento, sente-se impelido para fora de si mesmo; é atraído e atrai; dá-se ao outro e tece relações que geram vida.
Neste mês está a decorrer o Sínodo Especial sobre as Igrejas na Amazónia, que se estende por vários países. É um momento de graça para estes povos indígenas.
O Papa Francisco confia a Maria, Mãe da Igreja e nossa Mãe, este mês missionário e lembra a importância das Obras Missionárias Pontifícias: Obra da Propagação da Fé, Obra de S. Pedro Apóstolo, Obra da Santa Infância, e Obra da Pontifícia União Missionária.


Na diocese de Leiria-Fátima, este ano o Mês missionário será vivido mais intensamente nas paróquias da Vigararia da Marinha Grande, sendo de assinalar a 
vigília missionária, que terá lugar no dia 
18 de outubro, sexta-feira, às 21h00
na paróquia da Marinha Grande



Todas as paróquias receberam material de animação missionária e pedimos que dele façam uso. O Guião Missionário contém a mensagem do Papa Francisco para o dia mundial das missões e várias propostas de oração: terço missionário, via-sacra missionária e uma celebração para as crianças preparada pela Obra da Infância Missionária.
Em Portugal, o encerramento do ano missionário será feito em Fátima com uma peregrinação nacional no dia 20 de outubro, que será presidida pelo Senhor Cardeal Patriarca D. Manuel Clemente. Encorajo a todas as pessoas a participarem nesta festa missionária para manter o ardor missionário vivo nas nossas vidas e nas nossas comunidades.

Pe. Joaquim Domingos Luís
Director do Serviço de Animação Missionária da Diocese de Leiria-Fátima

quarta-feira, outubro 02, 2019

Reunião mensal de outubro

A próxima reunião mensal realizar-se-á neste sábado, dia 5 de outubro, às 21h00, no Seminário Diocesano de Leiria. Entre outros assuntos, ouviremos alguns testemunhos missionários e faremos o ponto de situação da preparação das diversas actividades a realizar no Outubro Missionário. Seguir-se-á à reunião o habitual convívio com chá/lanche partilhado.

Para todos, um bom Outubro Missionário, com a intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus e de São Francisco Xavier, padroeiros das Missões.

A minha incapacidade é grande, mas Deus é todo-poderoso; deposito n'Ele somente toda a minha confiança. São Francisco Xavier

terça-feira, setembro 24, 2019

… E a missão continua, desta vez para o Norte do Gungo.


18.09.2019
                 Ondjila e Cambinda esperavam-nos. Lá fomos, com o nosso cavalinho bem carregado: água, mantimentos, roupas, as coisas pessoais, etc. Na primeira noite, 6 de Setembro, pernoitámos na Donga. No dia seguinte, bem cedo, rumámos à Ondjila entrando no seu verde e rompendo montanhas com o nosso cavalinho. A picada mais parecia um carreirinho, por vezes visível, outras vezes desbravando capim. De um lado e do outro avistávamos palmeiras, bananeiras e tantas espécies de plantas que, com as imponentes cordilheiras montanhosas, embelezavam o nosso quadro. Distâncias longas, picadas desafiantes, dias repletos de carro para chegar ao destino. Assim é a missão.
                Paragem para almoço, num restaurante 5 *****, condecorado com “estrelas Michelin”, por suposto. Mais puro não existe… à sombrinha e na frescura de um pequeno riacho, cada um de nós com o seu prato na mão, enchíamos a barriguinha.
Bairro do Chitumalo, centro da Ondjila
                Retomámos o caminho, transpusemos pedras, pedrinhas, buracos, pontes de gravelhos, paisagens lindas, lindas, de “cortar a respiração”.
                Quase à noitinha, chegámos à Ondjila e, após o acolhimento inicial, fizemos a oração da noite. No dia 8, domingo, iniciámos com a oração da manhã e, depois, a eucaristia em dia de sair com as fatiotas mais brilhantes. Durante a tarde a mana Rita teve consultas e a mana Cândida acompanhou-a. Desta vez até o avô Filipe ajudou como tradutor do dialeto e mestre cozinheiro que ensinou os bons hábitos alimentares que muitas vezes são medicamento e prevenção para a saúde das pessoas. A mana Sílvia de abraço em abraço, de colo em colo, foi brincando com a criançada. O padre David reuniu com as famílias e com os catequizandos que frequentam as várias caminhadas: Primeira Comunhão, Crisma…
Encontro dos jovens na Ondjila
                Na segunda-feira, Dia 9, a manhã foi destinada aos jovens. As manas em conjunto foram tirando dúvidas e dando conselhos sobre os mais diversos temas resultado das preocupações características destas idades. Depois de almoço, mais consultas… À noite, aproveitámos alguns temas abordados na manhã com os jovens e passámos filmes sobre o nosso sistema imunitário, o exército de soldadinhos que nos protege. Mais uma vez a nossa igreja serviu de sala de cinema com a intenção de informar e educar para uma vida melhor e mais saudável. Ainda deu oportunidade de ver um pequeno documentário sobre a palanca negra e o nosso querido vídeo promocional “crianças como nós”. A palanca negra é um animal parecido ao veado que representa um dos símbolos de Angola. Após a guerra foi quase extinta e, graças ao amigo Pedro Vaz Pinto (que conhecemos no Uquende em Junho durante um dos seus trabalhos junto com o ornitólogo Michel Mills), foi possível fazer-se uma reserva dedicada a estes animais e à sua reprodução livre de caçadores e outras ameaças desta espécie.
formação das "matemáticas"
                Dia 10, terça-feira, a equipa foi visitar o bairro do Chitumalo. Foi celebrada eucaristia e, no final, com grande alegria e carinho todos dançámos a bem conhecida música “me mostra a sua amiga” e, como acontece no final de cada visita, o momento fotográfico da comunidade registando as “chipalas” (caras) com traços de alegria, outros de tristeza, da chegada e da partida da equipa. Regressámos à Ondjila para o almoço, já na mesa, preparado pelo avô Filipe e pela equipa de cozinha chefiada pelo pai António. Às 14h30, a mana Cândida foi tirar o pó das carteiras da escola fechada por falta de professores. Uma turma de miúdos e graúdos, dos 20 aos 60 anos. A mana Rita, com mais consultas… O padre David continuou a reunião do Ondjango do centro e a mana Sílvia esteve a orientar a cantina de roupa.
Bairro da Ondjila
                No Dia 11 foi dia de partida. 6h30 missa de despedida. Abraços, bejinhos, lágrimas no canto do olho e lá fomos rumo à Cambinda. Nestas paragens existem lugares estratégicos em altitude onde a rede telefónica é pontual, lá, lá, lá… no cimo daquela pedra, bem no seu crutinho. Especificamente, numa pontinha do bairro da Chipaca, junto a um forno. Como tudo pode acontecer, não há momento nem lugar certo, ser missionário é estar preparado para fazer tudo em todo o momento. Foi ali que encontrámos a necessidade de mais uma consulta e tratamento: Uma mãe com o seu “canéné” repousava e em conversa mostrou-nos o seu peito. Uma mastite num grau tão avançado que já tinha feito ferida. Foi tirar as malas da saúde e cuidar da situação. Acabámos por chegar a meio da tarde e logo descarregámos o cavalinho. O Pe David iniciou a reunião do Ondjango do centro e logo se chegou a hora da oração da noite. A seguir a refeição quentinha e “caminha” para descansar o corpo e a mente porque o dia que se seguia iria ser bem preenchido.
Chipaca - onde há rede
                Dia 12, quinta feira, a mana Cândida e a Sílvia ficaram com a tarefa da cantina de roupa, e a mana Rita de volta das consultas. 15h a mana Cândida, à sombra de uma grande mangueira, após a actividade de apanhar pauzinhos com a criançada, esteve a fazer contas e continhas auxiliando-os nas operações. Muitas destas crianças não frequentam a escola, umas por falta de identificação pessoal não se podem inscrever, outras porque a escola mais próxima fica a um dia inteiro de caminhada. Enfim, realidades de que só tomamos consciência quando estamos a dar o nosso contributo no terreno. Ao final da tarde, às 17h, missa.
Bairro do Catongo
                Dia 13, sexta, dia importante, formação de líderes da Pastoral da Criança de quem dependem muitas mães grávidas e crianças até aos 5 aninhos. Foi oportunidade para sedimentar e aumentar conhecimentos, desta vez com o apoio de uma médica que inspira com os seus conhecimentos. Na escola local, onde só é lecionada a 4ª classe, a mana Cândida foi convidada a ir dar uma aula de matemática. Foi fazer o gostinho ao dedo de ter na sua frente uma turma e sujar-se com giz. Uma escola feita de adobes, onde as cadeiras são pequenos cepos de madeira e a secretária as próprias pernas. Quando se quer aprender todas as condições são excelentes. Enquanto isto o padre David foi destacado para outra missão. Foi visitar o bairro do Catongo e celebrar com aquela comunidade a Eucaristia e ,depois no bairro do Belém, que fica na rota, administrar a Unção a 4 doentes. Nesse dia, há noitinha, veio a nossa mana Teresa a partir da Donga numa caminhada de 5 horas, a pé, para se juntar à equipa.
A turma na sala de aula
                Sábado, dia 14, durante a manhã líderes e jovens reuniram-se a fim de partilharem a formação juntos. Os temas eram comuns e importantes para o dia a dia de qualquer um. Falámos acerca do Suporte Básico de Vida, como ajudar uma pessoa que se engasgou, o que fazer se encontrarmos alguém desmaiado no chão e, claro, tempo para todos treinarem essas manobras. Noutro lado continuava a reunião do ondjango do centro. Há tarde, os grupos separaram-se. Os jovens foram com o padre David e a mana Sílvia para dar continuidade ao encontro e os líderes ficaram com a mana Rita, Cândida e Teresa para falarem de percentis e tabelas e números e medidas e pesos e grelhas e etc. Tudo para que se torne mais fácil avaliar e observar a evolução do crescimento das crianças e da saúde da grávida. Após o encontro dos jovens uma família preparou-se para os sacramentos do dia seguinte. O sábado contou ainda com missa às 18:00h e oração da noite.
Formação sobre a saúde
                No domingo dia 15: oração pelas 6h30 e, às 9h, missa campal. É incrível a quantidade de pessoas que vêm de todos os lados para se juntarem a nós para vivermos a Eucaristia. Nesta, realizaram-se 5 baptismos e 1 casamento. E ainda, foi nesta que se assinalou a despedida das manas Rita e Cândida, após uma missão de 2 meses, no dia 20, irão regressar a Portugal. A comunidade elaborou uma carta de despedida e agradecimento lida pelo jovem Alexandre dirigida às nossas queridas manas. O padre David, tomou a palavra e agradeceu também às manas a sua presença e acção e à população pelo acolhimento e todos os esforços em nos receber.
Bairro de Cambinda
                Agora estamos nos preparativos para ir para Luanda e entregar as nossas passageiras direitinhas no aeroporto. O padre David seguirá também com elas para, durante um mesinho, estar com a família, descansar e matar saudades do nosso Portugal. Mas, não ficamos por aqui: Duas meninas já conhecidas de todos vão juntar-se ao grupo aí no tal “Puto” para poderem avançar e progredir nos seus estudos. São elas a mana Rosa e a mana Celestina, oriundas do nosso Gungo de um bairro chamado Calipe que durante vários anos estudaram no Sumbe e residiram com a Equipa. É de coração aberto que a linha da frente as entrega sabendo que irão abrir-se muitas portas para o futuro destas meninas.
As 3 manas: Rita Cândida e Sílvia
                Na próxima semana a mana Sílvia subirá ao nosso Gungo e irá trazer mais notícias fresquinhas para todos.
Saudações da
Linha da Frente.
                Nota: Este texto foi escrito no dia 18/09 mas só conseguimos publicá-lo mais tarde.



Celebração do domingo em Cambinda

 





segunda-feira, setembro 23, 2019

Chegadas de Angola

No sábado dia 21 de madrugada chegaram as missionárias Cândida e Rita depois de dois meses de missão em Angola. Juntamente com a bagagem traziam as experiências vividas por aqueles paragens. O povo do Gungo deixaram-lhes muitas marcas e ficaram com um lugar especial no coração.
No dia seguinte recebemos também o padre David que veio de férias e a Rosa e a Georgina, duas jovens do Gungo que têm estado na casa do Sumbe para estudar na cidade e vieram para Portugal para prosseguir os estudos.


domingo, setembro 22, 2019

Jornal Ondjoyetu N.º 46

Saudações missionárias!

Apresentamos aqui a edição N.º 46 do jornal Ondjoyetu, uma edição especial, dedicada aos 20 anos de existência e de missão do Grupo Missionário. Para aceder ao jornal digital, clique, por favor, na imagem ao lado.

Uma breve história do Grupo Ondjoyetu, um artigo sobre os sonhos para a Missão de S. José do Gungo e vários testemunhos de missionários, entre outros, é o que descobriremos nesta edição do nosso jornal. Boas leituras ;)

A todos os nossos Mil & Tal Amigos, twapandula tchiwa. Muito obrigado!
Tukasi kumosi. Estamos juntos.

segunda-feira, setembro 16, 2019

Sessão de apresentação do Grupo Missionário Ondjoyetu





Já pensou dar algum tempo da sua vida ao Voluntariado Missionário? É agora o momento! 

Venha conhecer o Grupo Missionário Ondjoyetu, a sua acção missionária em Portugal e em Angola, a sua história, o caminho realizado, as dinâmicas de missão, os desafios actuais e futuros, e vibre com os testemunhos de missionários que deram algum tempo da sua vida à Missão.

A próxima sessão de apresentação realizar-se-á no dia 27 de setembro, às 21h00, no Seminário Diocesano de Leiria.

Este encontro termina com a possibilidade de cada um definir o grau de pertença e colaboração que pretenda, dentro da sua disponibilidade e boa vontade.

Se se sente interpelado pela vocação missionária e se quer integrar o Grupo Ondjoyetu ou simplesmente conhecer o trabalho por ele desenvolvido em Portugal e Angola, venha ter connosco e traga amigos. 

'tamos na tua espera ;)