Em vésperas de subirmos de novo ao Gungo, e mais uma vez para a Donga, queremos partilhar um pouco do que foi a nossa última estadia por aquelas belas montanhas.
A conversa que iamos mantendo no jipe foi interrompida quando começámos a escutar os cânticos de boas vindas, sinal de que estávamos no Caponte. Tinhamos percorrido 280 km em 10 horas.
Esse dia já só deu para arrumar as bagagens e rezar o terço.
O dia de sexta-feira foi ocupado com reuniões e atendimento de consultas. Ao fim do dia celebrámos a Eucaristia, o que não acontecia para aquele povo desde Setembro passado.
A manhã de sábado foi marcada pela continuação do atendimento de consultas. Outra parte da equipa deslocámo-nos para a aldeia da Hiquila. Há pouco tempo foi eleito um catequista para aquela pequena comunidade. Pretendiam que essa mesma comunidade tivesse o seu padroeiro. Por isso lá fomos. Depois de algum diálogo, a comunidade optou por S. Timóteo, uma vez que era o seu dia.
A missa foi celebrada ao ar livre, estando o altar debaixo de um pequeno toldo muito velho e bastante rasgado. No seu decurso dois idosos receberam a Santa Unção, e com que satisfação.
No fim o catequista partilhou connosco o desejo de ali fazer uma pequena capela para albergar a comunidade nas suas orações diárias. Mas primeiro é preciso que chova para se poderem fazer os adobes com a terra do local onde será feita a construção. Tudo muito simples e prático, porque assim pode ser.
A tarde de sábado continuou com reuniões de formação com vários grupos, entre eles o dos pais e padrinhos das crianças que iriam ser batizadas no dia seguinte.
Mas a missa de domingo, que deveria ser ao ar livre, acabou por ser dentro da capela de adobes e capim que ficou pequena para tanta gente. Durante a celebração receberam o batismo 12 crianças cujos pais já tinham feito o seu retiro de um total de seis dias.
O domingo de tarde continuou com as consultas - sempre muita gente a precisar de ser atendida - e mais algumas reuniões, entre elas uma com os jovens.
À noite éramos para ver um filme, mas o gerador do Sr. Verniz não dava mais de 160 volts e tivemos receio de que prejudicasse os equipamentos.
Na segunda de manhã celebrámos a missa às 6:00 h., matabichámos, arrumámos as bagagens e voltámos ao Sumbe, de novo "escoltados" desta por duas motorizadas durante cerca de 40 km.
Entre muitas coisas que nos impressionaram fica a generosidade deste povo, que sendo tão pobre e carente, ofereceu um total de cerca de 100 kg de feijão, fruto da recente colheita, e ainda cinco galinhas. Faz mesmo lembrar a viúva pobre de que fala o Evangelho.
Ficam as fotografias da missa na Hiquila e depois com a comunidade desta aldeia.
Um abraço, bom envio da Joana e boa festa das sopas em Urqueira.
P'la equipa,
P. Vítor Mira