Olá amiguitos de Portugal e de todo o mundo. Aqui a linha da
frente mantém-se ativa e de boa saúde. Dizem que o trabalho da saúde. Cá é
coisa que não nos falta.

Sexta-feira, dia 27 de Setembro, subimos até à sede da Comuna
do Gungo, Uquende, e lá permanecemos até segunda. No sábado, junto com a
comunidade, fomos varrer e limpar a capela da Pedra Gonga (muitos certamente
que a conhecem, foi a capela onde o avô Filipe foi batizado). Esta capela é
muito antiga e está a precisar de intervenção, porém é difícil atender com a
brevidade com que deveríamos a todas as necessidades. E, assim, a opção foi
fecharmos as entradas de maneira a que os animais não se apoderem do edifício e
evitar ainda algum possível acidente devido ao chão de madeira do coro alto já estar em
muito mau estado.



Segunda fomos para a Donga e lá permanecemos até à segunda
seguinte. Foi uma semana muito intensa. Elefante (Unimog) avariado, Mula
avariada (carrinha de caixa aberta), rebarbadora avariada, moagem da Donga parada à espera de peças,
gerador a precisar manutenção, inventário da cantina da missão por fazer,
tanques de água vazios, casa de adobes a ser construída para os membros do
Apostolado da Oração e Legião de Maria, época de fazer testes na escola, a picada
a precisar de intervenção, pessoas a necessitarem de consultas, a lavra e a
horta a precisarem de ser cuidadas… enfim, podíamos continuar, mas já dá para
terem uma ideia da azáfama por cá vivida. Mais à frente vão ver um esquema das
viagens que o pobre do nosso cavalinho teve de fazer…

Terça a mana Teresa e a mana Sílvia foram a pé até ao bairro
da Ngomã atender a uma situação. Um certo menino (o Caetano) que na aflição de
apagar o fogo tinha uma faca e sem querer cravou-a na perna. Felizmente a
situação já estava a ser supervisionada por um dos promotores de saúde e a
recuperação está sendo favorável. Como agradecimento pela visita, foram
oferecidos cachos de bananas, dendém, maboques, e até ofereceram uma galinha à
mana Sílvia… pior foi o caminho de regresso com morros e atravessar rios e… Ai as nossas ricas perninhas!… Mas voltando às queimadas, infelizmente todos os
anos ocorrem incidentes, apesar dos alertas feitos pela equipa e das formações
que demonstram que há mais consequências que benefícios. Porém, são uma prática
corrente pela população, quer como ferramenta agrícola para destruir o capim e
vegetação densa por forma a desbravar as lavras, quer como meio de caça para
apanhar animais e também para fazer rejuvenescer novas plantas
que servirão de alimento e pasto. É mais uma mudança que se faz “catito a
catito” (pouco a pouco).


Bom, esquema de viagens e panorâmica da semana, visualizem:
segunda, chegada à Donga e 3 viagens ao rio para ir buscar água; terça,
deslocação a pé à Ngomã e à tarde mais 4 viagens ao rio; quarta, 3 viagens ao
Uquende para transportar as coisas que vinham no Unimog com destino à cantina
(safou-nos as crianças que logo se prontificaram para nos ajudar com as cargas
e descargas); quinta, mais uma viagem final ao Uquende e à tarde 5 idas ao rio
transportar água; sexta, 8 viagens ao rio, 1 à lavra da Teresa, 2 para carregar
blocos de adobes, e 1 para lenha; sábado, 4 viagens para carregar adobes, deslocação
a pé à lavra do tio Zé, e 1 viagem ao bairro do Aweco para dar boleia a uma
família com bebés que andavam debaixo da forte chuva; domingo, após a
eucaristia e manutenções ao cavalinho, mais 5 idas ao rio; e, por fim, segunda,
1 viagem até à lavra da mana Teresa seguida da lavra do tio Calei para carregar
pedras para a picada (a quem nos acompanha nesta missão, já adivinharam que
foram para o sítio do “mamoeiro”), mais 1 viagem até ao sítio do Cucole para
transportar um bezerro que sofreu ferimentos no transporte e não conseguia
andar mais. Após o almoço, descida para o Sumbe. Mas, as peripécias
continuaram… Com a chuva, a picada já colocou as garras de fora e nós, lá fomos
descendo, e deslizando, e patinando, e, e,… tivemos um furo! De noite e debaixo
de cacimbo, toca a trocar o pneu. Ao passar o Quicombo, em estrada de terra
batida, ficámos barrados pelos carros, carrinhas, camiões e autocarros que
estavam parados e atravessados de modo a impedir o caminho. Devido à chuva
escorregavam e não conseguiram avançar nas subidas provocando longas filas de
engarrafamento. Mas o cavalinho é o cavalinho e quando já todos pensávamos que
íamos ali dormir, abriu-se uma passagem e por volta 00h44min chegámos á nossa
Ondjoyetu.

Depois contamos-vos como foi!
Até breve,
Linha da frente.
(pela pena da mana Sílvia)
6 comentários:
Pessoas espetaculares que merecem toda a nossa ajuda
Força manas e manos. Estamos juntos. Quem me dera estar aí a ajudar...
Um forte. Fraterno e missionário abraço a todos.
Força linha da frente. Um abraço a todos. 💖
Só o espírito missionário resiste a tanta adversidade.
Estamos juntos
Força!
Gente abençoada que merece a nossa admiração.
ALÔ LINHA DA FRENTE
Muito obrigado pela vossa maravilhosa descrição da Missão realizada.
Muito obrigado pelas fotos que nos ajudam a ver à distancia.
Muito obrigado por contribuírem para a ajuda do povo do Gungo.
O verdadeiro Missionário não volta as costas ás situações complicadas, e vós estais com algumas situações nada agradáveis como as avarias dos carros, mas com a ajuda Divina e o vosso esforço a Missão avança, porque vós sois os verdadeiros Missionários.
Que Deus vos proteja.
Estamos juntos
Um grande abraço Missionário para toda a Linha da Frente.
Tio Serra
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