
Durante o tempo que estivemos no Sumbe a preparar a nossa subida
para o Gungo, no início de Agosto, aproveitámos para ir à cidade da Conda onde
costumamos ir buscar água para beber. Lá, enchemos os nossos bidons, mais
precisamente 48 bidons de água que têm cerca de 20L cada e que, ao final de uns
10, já mais parecem ter 50L… Assim, é uma realidade que nos leva a olhar as
mulheres do nosso Gungo com mais consideração. É impressionante os quilómetros
que elas têm de percorrer para irem buscar água e levá-la à cabeça para as suas
casas. Água para beber, água para cozinhar, para a higiene pessoal e para
tantas outras coisas que nos soam de banais… É bom ver e sentir serenas
mudanças sociais que tranquilamente se vão instalando nas comunidades, como o
facto de alguns homens apoiarem as suas esposas nesta tarefa, nomeadamente no
transporte com o auxílio das motas.

Durante este período, o mano Humberto continuava os
trabalhos na capela do Uquende e os manos Vítor e Aires foram até à nossa Donga
para iniciar a recuperação da cisterna para podermos vir a receber água de uma
nascente que fica sensivelmente a 1500m da missão.
Para já foi feito o trabalho de tratamento exterior da
parede e a colocação dos tubos e torneiras que servirão para o novo sistema de
enchimento e distribuição.
No dia 15 de Agosto subimos para o Uquende. Lá, estava a nossa
mula e a nossa moagem a precisarem de uns salva-vidas e claro que depois de umas
“cirurgias” complicadas e difíceis ficaram a funcionar na perfeição!

No dia 16, rumámos à Donga, de onde partimos em peregrinação
para o Uquende num percurso de 17 km. Entre vales e montanhas, subidas e
descidas, passo-a-passo caminhámos juntos. Por vezes suando, rezando e
cantando. Pelo caminho, fomos encontrando pessoas de várias comunidades que se
foram juntando a nós. Caminhou-se alegremente e sem percalços.

À nossa espera, no Uquende, tivemos um fabuloso almoço
confeccionado pelo avô Filipe. Depois desta refeição tivemos alguns minutos de
descanso e mais tarde um tempo de reflexão junto da comunidade sobre o que é a
peregrinação. Por volta das 18h, o Padre David presidiu a celebração da Eucaristia.
Seguidamente realizou-se a procissão de velas em Honra de Nossa Senhora que
rumou até à capela/santuário da Pedra Gonga. No domingo, dia 18, também
celebrámos lá missa e assim se marcou a despedida do Gungo para os manos
Humberto, Aires, Vítor, João e Ana Rita. No final deste dia cheio de emoção,
descemos de coração cheio até ao Sumbe.
Nos sítios por onde fomos passando, o mano João e a mana
Rita foram empregando os seus conhecimentos para ajudar as pessoas que
recorriam até nós para as consultas e, assim, se vai tentando melhorar a saúde
do nosso povo do Gungo.

Na terça-feira, o Padre David e a Mana Sílvia rumaram a
Luanda para levar os nossos irmãos sãos e salvos ao aeroporto, enquanto as
manas Cândida e Rita permaneceram no Sumbe a tratar das questões logísticas da
casa. Estas manas vão ficar em missão até ao final do mês de Setembro.
Nestes dias também se tem trabalhado no arranjo do nosso
Unimog. É uma preciosa ajuda para a população, quer no transporte de coisas
pessoais e agrícolas da comunidade, quer no transporte de mercadorias para a
nossa cantina e de alimentação para os nossos animais. Já há algum tempo que o
nosso Elefante está parado e a verdade é que está a fazer muita falta… “tá duro”!
Sábado, voltaremos a subir ao Gungo com destino ao Longundo e
Caponte para mais uma visita aos bairros destes Centros.
Beijinhos e abraços!
Tukasi Kumosi (Estamos juntos)
A linha da frente
1 comentário:
Alô Linha da Frente, muito obrigado pela partilha que fizeram pois é muito bom relembrar todos os passos da Missão.
As fotos ajudam-nos muito a ter uma ideia de como se encontram os trabalhos Pastorais a Celebração na Pedra Gonga, trabalhos manuais. A Capela do Uquende e o tanque.
Um grande abraço Missionário para toda a Linha da Frente.
Estamos juntos.
Tio Serra
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