quinta-feira, agosto 07, 2014

Rumo ao Longundo

Olá, muito boa noite e votos de bem-estar.
Estamos de passagem pelo Sumbe. Chegámos ontem da Donga e amanhã já partimos para o Longundo, um dos centros mais distantes e isolados do Gungo. Para termos uma ideia, por lá ainda surgem esporadicamente casos de lepra. Mais uma vez, como acontece com o centro do Caponte, se as vias estivessem abertas, teríamos que percorrer cerca de 35 km para ir da Donga ao Longundo. Mas como isso não acontece, tivemos que vir ao Sumbe e daqui rumar às referidas paragens.
Para mim e para o resto da equipa é um novo desafio. Dos que aqui estamos só eu e a Teresa visitámos este centro em Setembro de 2012. Mas os dois fomos de mota pelos carreiros e capins do vasto Gungo. Para todos é a primeira vez que vamos de jipe, por estrada e por picada, até ao Longundo.
Sabemos que temos que ir pelo Seles e para lá sabemos o caminho. Esperamos lá encontrar o Genito Jaime, um cristão daquelas áreas, que será o nosso guia. Apenas sabemos que teremos várias dezenas de quilómetros de picada, em alguns sítios em muito mau estado. Depois contaremos como foi…

 Por falar em contar como foi…
O nosso trabalho na Donga correu muito bem, apesar de termos ido coxos, pois a Teresinha ficou no Sumbe, em casa de familiares, com paludismo.
A nossa caçula (a Tânia santos) adaptou-se muito bem. Teve uma plateia de cerca de 40 alunos a escutar atentamente as suas explicações no campo da saúde. Alguns até queriam continuar de noite, mas não dava mesmo. No tempo que sobrou não teve mãos a medir no atendimento de pessoas, num total de 103. As filas pareciam as do “médico da caixa”. Gente com paludismos, febres, infeções diversas, feridas, diarreias… e no meio disto, crianças, muitas crianças, a maior parte delas com doenças evitáveis, sem vacinas, sem os pais conhecerem as suas datas de nascimento… Mas a nossa mana, apesar de vir sozinha, tem sido corajosa e dado muito bem conta do recado.
Mas estes dias também foram de retiro para os casais da Igreja que preparam o batismo dos seus filhos, desta vez o segundo. Eram cerca de 100 pessoas. Também estiveram presentes dos Legionários e os catequistas visitadores que fazem parte do Conselho Permanente da Missão e que tiveram a sua reunião no domingo de tarde.
Pelo meio, houve trabalho de campanha: apanha de lenha, preparação de milho para a moagem (descasca para depois colocar na água), transporte de areia para as obras, limpeza de terrenos para as próximas sementeiras… também assim, com estes trabalhos de voluntariado se constrói a missão.
Em simultâneo continuou a funcionar a nossa cantina que dá um grande apoio às pessoas que se deslocam à missão
Na segunda e na terça deram-se mais alguns passos nas obras: realização da batmilha das duas casas que temos vindo a construir, colocação da cerca da futura pocilga e acabamentos do futuro armazém. Esta obra é muito importante e urgente. Este armazém servirá para guardar ferramentas e materiais de construção que estão num dos quartos. Ficando este liberto, irá servir de posto de atendimento de saúde, serviço que tem sido prestado na sala onde tomamos as refeições, o que não é muito aconselhável, mas tem sido a única maneira de atender as pessoas tão carentes nesta área.
Ficam algumas fotos que ilustram um pouco o que dissemos. Um abraço de todos nós e até segunda, se Deus quiser.

P. Vítor Mira

Missão no Alentejo - Apresentação

Saudações,

No passado domingo foi feita a apresentação da Equipa Missionária que está a desenvolver missão na área de Santo André, próximo de Santiago do Cacém. Esta apresentação foi feita na igreja paroquial, dedicada à Imaculada Conceição sob o título de Santa Maria.
A foto mostra a Equipa que foi no sábado, dia 02, enriquecida com um irmão vicentino, teólogo, que se juntou a nós para viver esta semana.
As actividades têm decorrido conforme planeado quer em Santo André, quer em Deixa o Resto (povoação vizinha).
Já foi possível realizar visitas domiciliárias, animação no centro de dia, encontros de reforço da devoção mariana, explicação do projecto missionário Ondjoyetu, visita à instituição O Farol...
Este está a ser um tempo de graças quer para a comunidade, quer para os membros da Equipa que se deslocaram para estas terras.

Continuem connosco!

sexta-feira, agosto 01, 2014

Missão no Alentejo

É já amanhã, sábado dia 2 de Agosto, que parte para S. André a equipa que vai assegurar a missão deste ano. Será um tempo para contactar com a comunidade de S.André e da povoação de Deixa-o-resto onde se desenvolverá a missão deste ano.
De 2 a 10 de Agosto estaremos  em colaboração com o pároco e com o apoio dos padres vicentinos a viver a fé com aquelas comunidades, fazer visitas domiciliárias aos doentes, fomentar a espiritualidade Mariana, visitar e animar o centro de dia, fazer uma vigília missionária...
Esperamos que seja um tempo de missão frutuoso para as comunidades e para a equipa que vai.

Aqueles que não vão presencialmente que nos acompanhem em pensamento e, se quiserem, na oração.

quarta-feira, julho 30, 2014

Solidariedade & Partidas


Olá, muito bom dia.
Do ponto de vista material, a nossa missão no Gungo só tem sido possível graças à solidariedade e apoio de muitas pessoas individuais, paróquias, grupos de pessoas, empresas, etc. Devido à grave situação que Angola viveu por causa da guerra essa solidariedade veio durante muito tempo a partir do exterior.
No entanto, a situação interna de Angola mudou e os tempos que vive já são outros, muito melhores pelo menos do ponto de vista do desenvolvimento material. Como se continuam a verificar grandes assimetrias a nível interno – com gente a viver já muito bem e outros ainda em grande pobreza – a nossa tarefa como missionários é continuar a despertar a solidariedade, agora também a nível interno.
Tudo isto vem a propósito de alguns apoios que a nossa missão tem tido a partir de Angola.
Recentemente abriu nos arredores do Sumbe uma fábrica de cimento, a FCKS (Fábrica de Cimento do Kwanza Sul). Fizemos um pedido apoio em cimento e foi-nos feita uma oferta de 40 sacos para as obras que estamos a fazer na sede da nossa missão, na Donga.
De assinalar que nesta fábrica trabalham dois conterrâneos nossos, o Luís Menezes, da Maceira, e o Anacleto Crespo, dos Marrazes, que também deram o seu contributo sensibilizando os responsáveis para a importância dessa ajuda. Também para eles o nosso bem-haja não só por esta ajuda como também pela amizade que partilham connosco. Há dias fui almoçar com eles lá nas instalações da fábrica e aproveitámos para tirar esta foto.

Depois desta partilha vamos continuar a arrumar as nossas bagagens para partir ainda hoje para a Donga. Será o batismo do Gungo para a nossa mana estudante de medicina Tânia Santos. Ela irá dar formação aos promotores rurais de saúde e também fazer atendimento de consultas. Também teremos um retiro de dois dias para os casais da Igreja que pediram o batismo para os seus filhos e a reunião do Conselho Permanente da Missão. Além disto continuaremos com os trabalhos nas casas e armazém que temos vindo a construir. Vamos ver se conseguimos concluir um curral que temos andado a fazer para os porcos que ainda estão à guarda da mão Carolina, no Uquende.
Se Deus quiser, regressaremos ao Sumbe na próxima quarta-feira.

Neste momento de mais uma partida queremos desejar uma boa viagem e uma boa missão ao grupo que está de partida para o Alentejo. Mesmo na distância, estaremos juntos e rezaremos uns pelos outros.
Um abraço para todos desta equipa reforçada.

P. Vítor Mira

domingo, julho 27, 2014

A Tânia Santos já está entre nós

Olá, muito boa noite.
Depois das subidas e descidas do Gungo na semana passada, a equipa missionária partiu para Luanda ao princípio da tarde da passada quarta-feira, em direção ao aeroporto de Luanda. Pouco tempo tivemos que esperar até que chegasse a Tânia Santos. Trata-se de uma voluntária da Associação Move-te Mais que vem a Angola por um período de cerca de um mês e meio. Terminou o quarto ano de medicina e vem partilhar os seus conhecimentos e dar ajuda na área da saúde durante o período das férias escolares.
Esta vinda vem na sequência de um acordo entre o Grupo Missionário Ondjoyetu e a referida associação que pelo quarto ano consecutivo envia voluntários na área da saúde para o Gungo. Costumam ser dois, desta vez veio só a Tânia.
O dia de quinta-feira foi passado nas habituais e periódicamente necessárias "voltas de Luanda" com compras, contatos, visitas, etc.

Sexta de manhã rumámos ao Sumbe e no sábado, também de manhã partimos para o Waku Kungo, cidade desta província que dista cerca de 240 km do Sumbe para interior. Fomos visitar o nosso amigo Luís Matias, que nos recebeu muito bem e com o qual tirámos destas duas fotos, uma com a ajuda do José, outra do tripé.
Hoje de manhã fomos à missa e o frei Celino, irmão do P. Rogério que está na paróquia de Maceira, teve a gentileza de nos oferecer o "mata-bicho".
Depois de almoço regressámos ao Sumbe onde já chegámos à noite.
Esta visita prende-se com a possibilidade de a Tânia vir a passar também algum tempo do seu voluntariado no Waku Kungo, no hospital onde o Luís Matias dá a sua colaboração.
Sentimos que aos poucos a nova voluntária se vai integrando e familiarizando com uma nova realidade.
Amanhã iniciamos a preparação do trabalho no Gungo, para onde partiremos na próxima quarta-feira.
Um abraço e boa semana.

P. Vítor Mira

sexta-feira, julho 18, 2014

De partida para o Caponte

Olá, muito bom dia.
Uma pequena saudação para darmos conta de nós, pois há uns dias que não dizemos nada.
No passado fim-de-semana visitámos o centro da Chitunda. Foi uma presença breve mas ajudou a comunidade a sentir-se um pouco mais reanimada na sua caminhada.
O resto da semana foi de trabalhos na Donga com o fabrico de fuba na moagem da missão, entre outros trabalhos. Também foi a oportunidade de ir buscar o camião a Benguela onde esteve a beneficiar de algumas melhorias e pequenas reparações na oficina do Espaço Mecânico. Depois foi a subida para o Gungo com 40 sacos cimento oferecido pela fábrica de cimento do Kwanza Sul. Também levou 440 litros de gasolina, 200 de gasóleo, os painéis solares, alguns bens alimentares, chapas de zinco, rede para a cerca da horta, bomba de combustível manual, entre outras coisas. Ia uma boa carrada!
A quarta-feira foi dia de ir buscar água a um poço e a levar para a cisterna da moagem e depois também para a missão. Este tempo do cacimbo é sempre mais crítico em relação à falta de água e também nisto o nosso Elefante Branco Mogui Mogui dá uma grande ajuda.
Ontem foi dia de preparativos e agora estamos quase a sair para o centro do Caponte numa viagem de cerca de 300 km, dos quais 115 de picada. Vamos os quatro de camião, um bocadinho apertados, é certo, mas vamos todos (avô Filipe, Joaninha, Teresa e eu. Aproveitamos para levar alguns bens de primeira necessidade como chapas de cobertura em zinco, arroz, açúcar, leite condensado, óleo vegetal, entre outros. No regresso contamos trazer alguns bens de produção agrícola que as pessoas têm dificuldade em escoar devido ao grande isolamento.
Se a picada da Donga para o Caponte estivesse aberta, seriam só 30 km de distância. Assim, tivemos que vir ao Sumbe e percorrer as três centenas de quilómetros para cada lado.
Regressaremos do Caponte na segunda-feira e, se Deus quiser, ainda passaremos pela Donga para acompanhar alguns trabalhos e dar apoio no transporte de areia e água para as obras que lá decorrem. Regressaremos ao Sumbe na terça-feira.
 
Aproveitamos para desejar uma boa celebração de envio no próximo domingo e continuação de bons preparativos para a missão no Alentejo. Mesmo na distância estaremos em comunhão de espírito. Também, desde já, damos as boas vindas à Tânia Santos que chegará a Angola na próxima quarta-feira. Lá estaremos em Luanda à sua espera.
 
Para todos um grande abraço e até à próxima.

P. Vítor Mira

segunda-feira, julho 07, 2014

Missa de envio missionário

 
Saudações a todos os membros Ondjoyetu, amigos e simpatizantes...
 
Venho por este meio dar a conhecer uma actividade próxima para a qual contamos com a presença de todos.
No próximo dia 20 de Julho, na igreja paroquial da Marinha Grande, às 19:00h celebraremos missa de envio missionário seguida de convívio partilhado.
Nesta celebração de envio será enviada a Equipa que partirá para o Alentejo em Agosto e também a voluntária Tânia Santos, da Associação Move-te Mais que partirá para Angola no dia 23 de Julho dentro da parceria que temos com esta associação.
É uma oportunidade de reunirmos a "família Ondjoyetu" e de reforçarmos a nossa consciência missionária. Esta celebração está aberta a todos os que queiram participar, pelo que, podem convidar quem quiserem.
 
A missão do Alentejo, este ano decorrerá na área de S. André. Ainda não sabemos ao certo quantos elementos poderão ir em missão devido às disponibilidades mas houve 12 que iniciaram e estão em formação. Nem todos conseguirão estar presentes.
 
A voluntária que vai para Angola chama-se Tânia Santos, é natural de Bragança e está a estudar medicina na Faculdade de medicina de Lisboa. Este é o quarto ano consecutivo em que temos presença de voluntários na área da saúde provenientes da Parceria com o Move-te. Tem sido uma experiência de grande apoio para o povo do Gungo e para a Equipa Missionária numa área tão sensível e necessitada como a área da saúde.
 
 
Pe David
 

terça-feira, julho 01, 2014

Novidades fresquinhas


Olá amigos, muito boa tarde.

Num “salto” ao Sumbe para fazer algumas compras para a nossa cantina e buscarmos outros bens de que estamos a necessitar na Donga, aproveitamos para partilhar um pouco do caminhar da nossa missão.

O domingo 22 de Junho já foi celebrado na Donga. Estiveram presentes mais de duas centenas de pessoas provenientes de todo o espaço da missão. Juntos celebrámos o “Corpo de Deus” e também fizemos a nossa procissão, ainda que pequena e apenas passando pelo espaço da missão. A simplicidade e pobreza material que caracteriza as nossas celebrações não impede a vivência e celebração da mesma fé.

A semana seguinte foi de trabalho duro. Retomámos as obras nas casas da missão e no armazém e começámos a colher a ginguba (amendoim). Graças a Deus, temos contado com a colaboração de muitas pessoas da comunidade. Como gratificação oferecemos pão cozido pelo avô Filipe e feito com a farinha oferecida na semana anterior. Também damos sumo que já nos tinham dado antes. Este ano aumentámos o espaço semeado e também a colheita é maior.

Na quarta e quinta-feira estiveram 85 catecúmenos em formação na Donga. Era para ser só para adolescentes e adultos. Mas esqueci-me de explicar o que são adolescentes e apareceram crianças que até andam na escola e faltaram para ir à catequese. Lá terei que escrever uma carta à direcção escolar a explicar o engano e a pedir desculpa… Todos eles também deram uma boa ajuda nos trabalhos que já referimos.

Na sexta de madrugada fomos para Canjala com 30 sacos de ginguba fresca em como, mas o negócio não foi tão bom como esperámos; por isso decidimos que o melhor é secá-la, descascá-la e vende-la em “grão”. Queremos que esta produção seja uma grande ajuda como contributo da comunidade para os projectos da missão.

No fim-de-semana fomos visitar o centro do Culembe. Dista 11 km. da Donga, mas a picada está tão má que demorámos uma hora e meia para cada lado, sem chuva.

É uma comunidade com muitas dificuldades e limitações; vamos tentando dar o nosso apoio e ajudá-la a caminhar na fé.

Entretanto, a Donga vai passando de um lugar deserto a um sítio cada vez mais bonito e acolhedor. Fica aqui uma fotografia da comunidade ali residente. Às vezes estamos todos, outras, só alguns; mas há sempre alguém na Donga o que vai fazendo dela um espaço cada vez mais acolhedor. Muito obrigado a todos os que têm vindo a contribuir para tornar este sonho numa realidade.
Ah, e as novidades também são fresquinhas porque estamos no tempo do Cacimbo, mais fresco, na Donga mesmo frio.
Um abraço e até breve.

 

P. Vítor Mira

terça-feira, junho 24, 2014

O apelo missionário na diocese de Providence

Saudações missionárias,

Como muitos estarão informados, estive por terras da Diocese de Providence, nos Estados Unidos da América, juntamente com o Sr padre Fernando Vieira Lopes, para estabelecermos contacto com sete comunidades cristãs daquela diocese. Um dos objectivos foi fazer o agradecimento pelo apoio que essas comunidades deram no ano 2008 quando o Pe Vitor Mira e o mesmo Pe Vieira Lopes se deslocaram lá. Outro objectivo foi falar dos avanços da missão e manter viva a consciência missionária bem como lançar novamente o apelo à colaboração económica e espiritual.
Muitos dos cristãos com quem contactei pessoalmente manifestaram o seu apreço pelo trabalho feito pela diocese de Leiria-Fátima neste projecto missionário. Também os alegrou saberem que a ajuda dada em 2008, e que foi utilizada para ajudar na compra do camião, continua a fazer crescer a comunidade do Gungo em Angola.
Tive a oportunidade de fazer o apelo missionário em três comunidades. O Pe Vieira Lopes ficou ainda naquela diocese para participar na Festa de S. Francisco Xavier e visitar mais uma comunidade no próximo fim de semana 28 e 29 de Junho. São sete comunidades que se unem à diocese de Leiria-Fátima para ajudar uma outra comunidade de outra diocese, a do Sumbe. Este é um testemunho da universalidade da Igreja e um sinal de que todos (Portugueses, Angolanos, Americanos) formamos um só Corpo como nos recordou a Festa do Corpo de Deus...
Bem haja a todos os que aceitam ser missionários nas mais variadas formas.
 
P. David
 
P.S. Na foto o Pe Fernando Vieira Lopes distribui a edição especial do jornal Ondjoyetu que teve direito a tradução em inglês sendo distribuído quer numa quer noutra língua conforme cada grupo da comunidade.

sábado, junho 21, 2014

De Regresso à Missão II

Olá amigos, muito… bom dia!
A terça-feira foi algumas voltas em Luanda, uma cidade de trânsito muito desordenado, às vezes mesmo caótico, mas em que só é preciso saber e cumprir as regras alternativas a que podemos chamar de sobrevivência. Nem se podem cometer erros muito graves, mas também não se podem cumprir todas as regras à risca, sob pena de nunca chegar ao destino. E depois há uma máxima: seja quem for e que faça o que fizer, o importante é não bater.
No pára-arranca de uma fila, via passarem à minha esquerda, na faixa de retorno, muitos veículos a alta velocidade que lá à frente se metiam à frente dos outros, abandonando o retorno e ganhando a dianteira aos que vinham a passo de caracol. Quando cheguei ao local houve uma senhora que "se quis meter" expressando um sorriso comprometido. Eu não deixei e fiz-lhe sinal que ali seria para voltar no retorno. Daí a pouco via-a ao meu lado esquerdo, com o vidro do "pendura" aberto, a dizer-me: “vocês lá em Portugal estão muito mal informados”. Ainda fui para lhe responder, mas ela fez deslizar o vidro para cima. Limitei-me a fazer o gesto com a mão de que ela não estava a ver bem, e continuámos o nosso caminho, nas calmas.
Depois de vários contatos e tarefas cumpridas, à tarde fui a um outro armazém de produtos alimentares e ali tinha à minha espera cerca de mil quilos de farinha de trigo. Uau, que bom! Assim já temos uma boa ajuda para pagar aos que vão colher a jinguba da lavra da missão. Os primeiros sacos, ainda os carreguei sozinho. Mas depois um funcionário do armazém encheu-se de compaixão e foi ajudar-me. No fim as molas do cavalinho denunciavam o peso. Apesar de ser tempo de Cacimbo fiquei bem transpirado e com muita farinha colada à humidade da roupa, mas o coração, esse pulava de contentamento.
Mais uma noite passada na casa da Bernardeth e do Carlos e na quarta de manhã, depois do mata-bicho e de carregar algumas coisas mais leves que tinham oferecido à missão no dia anterior, rumei ao Sumbe.
No percurso ainda fui mandado parar pela polícia três vezes. Um viu que devia “ser da Igreja” e logo me mandou seguir. Outro mirou e remirou a carga, também percebeu que seria missionário, manifestou admiração por viajar sozinho, mas mandou-me seguir com votos de boa viagem. O terceiro pediu documentos e informou-me que aquela viatura é de passageiros e por isso não pode transportar carga. La falámos um pouco e chegámos à conclusão que ambos conhecíamos D. Joaquim Gonçalves, atual bispo de Viana (nos arredores de Luanda) e antigo pároco deste agente de autoridade. Conseguida a sua benevolência, lá segui viagem. Um outro só se apercebeu da carga que levava muito próximo, ainda esboçou um gesto para mandar parar, mas era muito em cima... escapei.
Cheguei ao Sumbe pela hora do almoço e à minha espera estavam a Teresinha e o avô Filipe, acolhedores e bem dispostos.
De tarde foi o esvaziar das malas, separar as cartas, encomendas e miminhos e depois a preparação para retomar o ritmo habitual dos trabalhos por cá.
No dia seguinte veio visitar-nos a Imaculada, mãe afetiva do meu xará Vítor, que tem quase seis meses e está com bom aspeto. Também cá estava a mãe Maria e todos juntos tirámos a foto que podem ver.
Amanhã, quer dizer… hoje, partiremos para a Donga logo pela manhã. O jipe já está praticamente todo carregado. Só faltam as bagagens pessoais e pouco mais. Se Deus quiser, voltaremos dia 7 de Julho. Depois daremos conta destes dias.
Um abraço e até lá.

P. Vítor Mira

quinta-feira, junho 19, 2014

De Regresso à Missão I

Olá, muito boa noite.
Chegar a Luanda em Junho é mais suave que noutros meses do ano. É o tempo do Cacimbo (vai de Maio a Setembro), mais fresco, sem chuva. Mesmo assim sente-se um ar algo mais “pesado”, mais húmido, sem dúvida diferente do de Portugal.
A viagem decorreu sem sobressaltos. Quando estrei no autocarro que leva os passageiros do avião para a aerogare por cima da porta estava escrito a letras vermelhas: “para sua segurança o autocarro só anda com a porta fechada”. Mas ele avançou com ela aberta, com o ar a bater-me na cara. “Ok, estou mesmo em Angola”, pensei.
À minha espera estava o Carlos, namorado da Bernardeth. Saudámo-nos e seguimos para casa dele. Quando tentei por o Cavalinho Branco a trabalhar, não queria. Demos-lhe “um encosto” com outra bateria e finalmente pegou. Mas durante o dia só foi pegando com “encostos” e empurrões de voluntários caridosos. Nem a água destilada deu nova vida à bateria cansada. Ainda no dia da chegada fui a Viana visitar a ESTPOR, empresa que nos apoia, e entregar uma pequena encomenda. E que bom almoço me deram. No regresso passei por uma empresa do ramo alimentar e o jipe ficou quase cheio de comidas e bebidas diversas. Algumas nem as compramos, mas como são de oferta, não há como aproveitar para a nossa grande família. Ao chegar a casa, o Carlos e as sobrinhas dele ajudaram-me a descarregar o jipe que no dia seguinte teria que girar por Luanda e deveria fazê-lo vazio, tanto mais que havia promessa de mais doações.
Mas o pior ainda estava para vir: os vizinhos do Carlos convidaram-no para ir lá ver o jogo de Portugal contra a Alemanha. Eu fui com ele porque durante o dia nos cruzámos com esses vizinhos que reforçaram o convite. A expetativa era grande… a bandeira portuguesa estava hasteada à entrada do portão alto em ferro. Mas estava triste e caída porque não havia vento, faltava-lhe o espírito que a fizesse voar.
Foi assim com a Seleção portuguesa. No fim do jogo, no meio de tantos lamentos e frustrações, ainda gracejei que a única coisa que tinha aproveitado daquele jogo foi a Cuca bem fresquinha que bebi. E assim nos despedimos aliviando a dor da pesada derrota.
À noite foi o reencontro com a Bernardeth, alegre e bem disposta, ansiosa por ter notícias de uma terra onde viveu durante 10 anos. E recebeu-as. juntamente com muitos cumprimentos.
A terça-feira começou com… bem, amanhã há mais.
Um abraço e fiquem bem. Cumprimentos a todos.
 
P. Vítor Mira

P.S. - Por aludir ao Mundial, fica esta foto da porta de uma casa do Gungo, onde o Cristiano Ronaldo já era conhecido em 2006 (mesmo que o nome esteja mal escrito).

Regresso dos Estados Unidos

Saudações a todos os que visitam esta página.
 
Como muitos sabem, desloquei-me à diocese de Providence, nos Estados Unidos da América, para aí fazer um apelo missionário em sete paróquias e contei com a ajuda do Sr padre Fernando Vieira Lopes que trabalhou no Gungo no final dos anos 70 e princípio dos anos 80.
Durante a minha estadia,
visitei três paróquias, tendo o Pe Fernando visitado outras três. O Sr padre Fernando ficou ainda a continuar este trabalho de sensibilização e regressará no final do mês de Junho.
Durante a minha estadia, por essas paragens, foi possível conhecer algumas das paróquias portuguesas daquela diocese bem como os seus párocos e dar a conhecer o projecto missionário da nossa diocese e seus desenvolvimentos. Juntamente com o apelo missionário ficou um apelo à colaboração material e espiritual para com o nosso projecto missionário. Estas comunidades já tinham colaborado em 2008 quando o Pe Vítor Mira lá se deslocou tendo sido acompanhado, já na altura, pelo Pe Vieira Lopes.
Foi notável a alegria de algumas pessoas ao saberem que as ajudas dadas vão tendo aplicação e que o trabalho missionário tem tido seguimento.
Para mim pessoalmente foi uma nova experiência ou um conjunto de novas experiências.
Aos cristãos da diocese de Providence envolvidos e aos seus párocos eu digo novamente: Muito obrigado pelo acolhimento pessoal e pelo acolhimento pessoal de que eu e o Sr Padre Fernando Vieira Lopes pudemos ter.
Um grande bem haja por estarmos juntos neste projecto.

terça-feira, junho 17, 2014

P. Vítor de regresso à missão

Olá amigos!
No passado domingo o P. Vitor partiu de novo para Angola, depois de cerca de um mês em terras lusas, para algum descanso e também tratar de muitos assuntos da missão.
A sua viagem correu bem e à sua espera estava o Carlos (o marido da Bernardeth).

Ontem e hoje esteve em Luanda para tratar de alguns assuntos e amanha irá para o Sumbe, onde estarão a mana Teresa e o avôzinho Filipe.

Desejamos muita coragem à equipa missionária, agora muito reduzida, para realizarem o muito trabalho que têm pela frente.

Ao P. David, que se encontra de regresso dos EUA desejamos uma boa viagem.
ESTAMOS JUNTOS...
Um beijinho mana Ana

quarta-feira, junho 11, 2014

Um avanço técnico

Bom dia amigos e votos de bem-estar.
Como vos temos dado a conhecer, a nossa missão do Gungo temos vindo a fazer um esforço por desenvolver a agricultura em ordem à autossustentabilidade da missão. Por isso, na Donga temos vindo a alargar a área cultivada. Temos dado pequenos passos mas que nos ajudam a crescer.
Uma boa ajuda veio-nos deste debulhador manual de milho. Já chegou em 2011 e foi oferecido por uma família de Urqueira à qual muito agradecemos, de modo particular à D. Anabela.
Embora seja uma máquina manual, permite uma muito maior rapidez na debulha do milho porque antes tinha que ser à mão ou com a ajuda de malhos de madeira.
Nestas imagens vemos a sua estreia feita pelos missionários que lá estavam na altura. Depois os nossos colaboradores começaram a trabalhar com ela.
Um grande bem-haja.

P. Vítor Mira

sábado, junho 07, 2014

Vasos de Barro

No ano 2012 senti necessidade espiritual de dedicar algum tempo à Missão Diocesana Ondjoyetu, em Angola, mais propriamente nas montanhas do Gungo.
Conhecia o Grupo desde a sua formação, colaborava nas suas iniciativas e, logo que me foi possível, integrei-me nele com mais assiduidade.
Após alguns anos de caminhada nesta Missão, fiz a preparação adequada e parti confiante de que a minha vivência com aquele povo iria ser profícua para ambas as partes.
Chegada ao destino recebi, aí também, diretrizes no que respeitava às atividades que, dentro de dias, iríamos desenvolver nas aldeias.
Do dia 26 a 28 de Outubro vivemos com o povo da Chitunda, aldeia bela, tranquila, à semelhança das que já tinha visitado; povo simples, afável, genuíno, dedicado e grato para com os missionários, alegre e com uma fé que sabe louvar e agradecer a Deus, sempre em ambiente de festa.
Num dos encontros de formação, o Superior da Missão, naquela altura Sr. Pe. Vítor Mira, surpreendeu-me quando transmitiu aos participantes o meu desejo de trazer, como recordação, uma peça de artesanato do Gungo.
Perguntando se, nesse local, haveria alguém que se dedicasse àquele tipo de trabalho, foi respondido que não.
Agradecimento feito, deu-se continuidade à reunião, que terminou com uma oração e um cântico, como é hábito.
Dois dias depois, o "Pai” Luís Zeferino, senhor que faz questão em confecionar as
nossas refeições, ao ver-me, pela manhã, acenou-me para que me aproximasse, o que ele fez também.
No momento do encontro, estendeu as mãos, que serviam de berço a um volume envolvido num papel, material raro por aqueles lados.
Disse-me, então: "Avó Inês, trago aqui, para lhe oferecer, duas coisas que a minha esposa fez para si." Eram dois potes de barro. Fiquei abalada, confesso, com a inimaginável surpresa, com o cuidado que ele pôs em transmitir à esposa o meu desejo, que passou a ser, também, o seu desejo.
Pareceu-me inacreditável estar a viver aquele momento tão delicioso, tão significativo, tão fascinante...
Os corações daquele casal uniram-se para satisfazerem o anseio duma missionária que estava com eles pela primeira vez, que não conheciam de lado nenhum, levando-os a "meter mãos à obra". O que dois dias antes era impossível, surgia, agora, como um milagre!
Perguntei pela esposa, não só para lhe agradecer como para lhe dizer quão belos os potes de barro eram e que iriam merecer a minha maior estima entre as peças que decoravam a minha casa.
Passariam a ser, até, as peças mais valiosas.
Hoje, olho com frequência para os dois objetos, recordo esse momento de entrega daquilo que, não se tendo, se inventa, só para alegrar o outro, porque se ama o outro!

Maria Inês Lourenço

domingo, junho 01, 2014

O Apelo missionário já começou

Saudações a todos os "Ondjoyetus" simpatizantes e amigos que passam por este espaço,
 
Como foi noticiado, estou nos Estados Unidos da América, com o Sr padre Fernando Vieira Lopes para fazer um apelo missionário a favor da missão do Gungo.
Este apelo já teve início nas missas deste sábado, dia 31. Estive na igreja de Nossa Senhora do Rosário, a mais antiga igreja das comunidades portuguesas da diocese de East Providence. O Sr padre Fernando Vieira Lopes esteve na igreja de S. Francisco Xavier no centro de Providence Ao lado na imagem), onde estou alojado. O padre Vieira Lopes está alojado noutro local com o Sr padre Vítor Vieira, anterior pároco de S. Francisco Xavier
Esta diocese tem uma grande quantidade de luso descendentes, principalmente dos Açores e da Madeira. Nesta altura estão a celebrar as "Domingas" que são encontros de oração familiar para preparar a festa do Espírito Santo, cuja devoção nestas comunidades está muito arraigada. (ver foto do altar ao lado)
Após o primeiro apelo que fiz e, tendo falado da ajuda que ali foi recolhida em 2008 para a aquisição do camião da missão, veio ter comigo um dos paroquianos dizendo: "Não sabia que tínhamos lá um camião! Mas é muito bom saber." Juntamente com esta interjeição vieram muitas palavras de estímulo para a continuação do trabalho Missionário. Este bem haja é extensivo a todos os que têm colaborado para a continuação da missão.
 
Continuamos o apelo e a ligação entre comunidades que vivem a mesma fé e partilham com o próximo.
 
Estamos juntos!
Pe David

 

sexta-feira, maio 30, 2014

Em Missão na Terra do Tio Sam

Olá, muito boa tarde.
Votos de bem-estar a todos, no corpo e no espírito.
Aproveitamos este espaço para dar a conhecer a todos os nossos amigos e visitantes que o P. David está em missão especial no exterior, nos Estados Unidos da América. Com ele está o P. Fernando Vieira Lopes, que foi missionário no Gungo no início dos anos 70, mas nunca esqueceu aquela terra e aquele povo e por isso continua a apoiar este projeto.
A partida ocorreu ontem e o regresso do P. David está marcado para daqui a três semanas, enquanto o P. Vieira virá uma semana mais tarde.
Durante estas semanas estarão na paróquia de S. Francisco Xavier, em East Providence, estado de Rhode Island, onde serão acolhidos pelo P. Richard e terão o apoio do P. Vítor Vieira, antigo pároco e também nosso amigo.
O objetivo desta visita é essencialmente fazer um apelo à solidariedade missionária das paróquias da vigararia de East Providence a favor da missão do Gungo.
Já em 2008 fizemos uma visita idêntica, tendo sido eu que acompanhei o P. Vieira. Desta vez calhou ao P. David. Recordo que dessa visita resultou uma ajuda de 18.500,00 USD que foram uma preciosa ajuda para a aquisição do nosso camião Mercedes Unimog.
Importa referir que este contato nos veio através do P. Vieira Lopes, a quem muito agradecemos por este apoio bem como às paróquias que mais uma vez certamente nos irão apoiar.
Resta-nos desejar uma boa viagem e bom trabalho a estes dois missionários. Que Deus os abençoe e acompanhe.
Um abraço para todos.

P. Vítor Mira

sexta-feira, maio 23, 2014

Sessão de apresentação do Grupo Missionário Ondjoyetu





Walanga! Boa tarde a todos!

No dia 30 de Maio (sexta-feira), às 21 horas, terá lugar no Seminário Diocesano de Leiria mais uma sessão de apresentação do Grupo Missionário Ondjoyetu. Destina-se a todos aqueles que queiram conhecer a história, caminhada, desafios futuros do Grupo e todo o trabalho que desenvolve actualmente no Gungo - Angola e em Portugal. 

Não faltarão os testemunhos de missionários que deram algum tempo da sua vida à Missão, sendo de destacar nesta sessão a presença do Pe. Vítor Mira - Superior da nossa Missão de S. José do Gungo -, que se encontra neste preciso momento em Portugal. 

Se se sentem interpelados pela vocação missionária e se querem integrar o Grupo ou simplesmente conhecer o trabalho por ele desenvolvido, venham ter connosco e tragam amigos! A família Ondjoyetu espera-vos a todos de braços abertos e pronta a acolher no seu seio aqueles que dela desejarem fazer parte. 

Tukasi kumosi! Estamos juntos!


quarta-feira, maio 21, 2014

Formar para desenvolver

Olá, boa tarde.
Aproveitando mais alguma disponibilidade de tempo e a maior facilidade de acesso à Internet, vou partilhando aqui um pouco mais do que tem sido a nossa missão. Quantas vezes há o desejo de contar mais um episódio ou outro… e acaba por não ser possível. Por isso, não estranhem se vos contar umas histórias de há algum tempo.

Uma das grandes necessidades que sentimos é de gente formada que possa contribuir para os projetos que temos em curso na nossa missão e o seu progresso.
O Pedro Ernesto, de quem já vos temos falado, tem sido um dos grandes colaboradores da nossa missão e está sempre disposto a aprender mais qualquer coisa. Já é parteiro, pedreiro, padeiro, colabora em muitos e diferentes trabalhos que lhe são pedidos.
Na semana passada iniciou uma nova fase da sua vida: foi para Benguela (onde nunca tinha ido) para aprender mais algumas coisas, nomeadamente no que diz respeito ao trabalho com o ferro (soldar, rebarbar, etc.) e princípios básicos de mecânica para a manutenção das viaturas.
Este passo só é possível graças à colaboração da oficina “Espaço Mecânico” que tem à sua frente o Sr. Eng. Nuno Alexandre, de Albergaria dos Doze, e à equipa da “Pastoral da Criança” de Benguela, que dá hospedagem ao Pedro nas suas instalações.
Esta oficina tem sido um dos nossos benfeitores em Angola porque quando as nossas viaturas precisam vão lá e recebem reparações gratuitas, o que é para nós uma grande ajuda. Ao levar o Pedro levei também o nosso Elefante Branco Unimog que irá receber algumas melhorias e pequenas reparações.
Acreditamos que depois de duas semanas e meia em Benguela o Pedro irá para o Gungo com os seus conhecimentos mais enriquecidos e será um exemplo para muitos outros mais e menos jovens.

Um grande bem-haja à empresa “Espaço Mecânico”, ao seu responsável em Angola, Eng. Nuno Alexandre, e aos seus colaboradores por toda a ajuda que nos tem dado e por esta colaboração concreta na formação do Pedro Ernesto. Também a nossa gratidão à “Pastoral da Criança” e ao P. João Dele, seu responsável.
Aqui ficam as fotos de ilustram o que descrevemos.


P. Vítor Mira

segunda-feira, maio 19, 2014

Projetos de autossustentabilidade

Olá, muito boa tarde.
Já em Portugal e quase a tiritar de frio, gostaria de partilhar convosco alguns dos últimos passos dados pela nossa missão, algo que não tive a oportunidade de fazer ainda em Angola.
Um dos objetivos por que andamos a lutar é conseguir a chamada autossustentabilidade da missão. Por isso, a par de outras atividades de cariz pastoral e social, também temos vindo a trabalhar para a pouco e pouco darmos passos para atingirmos esse objetivo.
Recentemente demos esses passos em três frentes:

Alargámos a área cultivada e semeámos 100 canecas de ginguba (amendoim) e 70 de feijão. Em termos objetivos não é assim tanto, mas tendo em conta os meios que temos ao nosso dispor, já significou um importante avanço. Este passo também foi possível graças ao apoio de uma empresa do ramo alimentar que nos deu feijão e fuba de milho. Com esses bens implementámos o sistema de comida por trabalho, o que permitiu desmatar uma significativa área de terreno e também depois fazer a sacha dessas culturas. Apesar de alguma irregularidade do clima, temos esperança de poder colher alguma coisa.

Na zona mais plana do Gungo um dos modos de sobrevivência das pessoas é através da produção de carvão vegetal. Já há muito tempo que a equipa tem o hábito de transportar carvão para o Sumbe, sempre que tem lugar nas viaturas. A sua venda na cidade ajuda a angariar alguns fundos para a tal autossustentabilidade. No entanto, há muito que sentíamos necessidade de dar mais um passo para rentabilizar mais este “negócio”. Recentemente construímos um pequeno armazém em chapa de zinco na aldeia da Calunganga, junto à casa do catequista José Capoco, um local de passagem obrigatória nas viagens ao Gungo. O objetivo é ir com o camião Unimog  a zonas de difícil acesso, lá no meio das matas, onde o carvão é produzido, trazendo-o para a referida aldeia, rentabilizando assim o seu transporte e diminuindo os custos. É mais vantajoso do que comprar à beira da picada quando passamos. Quando o jipe passa pode levar alguns sacos para a cidade, consoante a disponibilidade de espaço.

Também a criação de animais está entre os nossos planos.Por isso, recentemente, desde que passámos a ter pessoas em permanência na Donga, começámos a ter lá cabritos e recentemente foi feito um abrigo para eles. Também já por lá temos umas galinhas que, à moda do Gungo, andam à solta. Mas a sua casa está quase pronta e em breve passarão a viver numa espaçosa capoeira. No Uquende também já temos há alguns anos, ao cuidado da mãe Carolina, alguns porcos. Tudo começou com a agora matriarca Angelicana, uma porquinha que foi oferecida à nossa missionária Angélica. A família cresceu e a mãe Carolina já se queixa para cuidar daquela bicharada toda. Por isso também foi já preparado um espaço amplo onde será colocada uma cobertura e uma vedação para a família suína.

E é assim que, a pouco e pouco, vamos trabalhando no sentido de fazer a nossa missão crescer também na área social para possa crescer e ser sustentável. Estes trabalhos também são um exemplo e por vezes um incentivo para que os nossos camungungos (habitantes do Gungo) façam o mesmo para melhorarem as suas condições de vida.

A terminar quero manifestar a minha alegria pelo que vi ontem em Urqueira: a máquina de BTC a produzir a sério e tanta gente presente a dar o seu apoio. Obrigado a todos os que acreditam neste projeto e de tantas formas o vão apoiando.

P. Vítor Mira

domingo, maio 18, 2014

Akombe weia Patele Vitor e Deolinda

Olá amigos!
Chegaram ontem à tarde, vindos de Angola, os nossos amigos P. Vítor Mira e Deolinda Ferreira. Vinham alegres, coradinhos e também um pouco cansados, como é próprio após uma longa viagem.
Partilharam conosco um pouco dos últimos passos da missão, mas estamos curiosos para saber um pouco mais por isso relembro o convívio logo as 15h30m na antigas instalações da Vigobloco, na Urqueira.
Partilho as fotos do momento da chegada.

À Deolinda desejanos um bom regresso ao "tal o Puto" e que a semente que lançou germine.
Ao P. Vítor desejamos umas boas ferias, para que recarregue a energias para continuar com a missão que Deus lhe confiou.
Estamos Juntos.

sexta-feira, maio 16, 2014

Maio: Ordenação de Diáconos e Peregrinação ao Calulo

Olá, muito boa noite.
Já foi comunicado em breve chegarei a Portugal para uns dias de reencontro com a família, amigos e algum descanso.
Mas antes, ainda queria partilhar convosco mais alguns passos da nossa missão.
Este início de Maio foi marcado por duas grandes celebrações de impacto diocesano. No dia 4 de Maio foram ordenados três diáconos, um dos quais natural do Gungo, o Matias. Foi motivo de festa e contentamento. As ordenações tiveram lugar em Porto Amboim, num santuário dedicado a Santo António, sob um calor muito forte.
Tendo em conta a ligação do Gungo a esta ocorrência, pedimos uma autorização especial à polícia e o nosso Unimog Elefante Branco serviu de autocarro para levar cerca de 20 pessoas às ordenações, tendo também o cavalinho dado a sua ajuda. Fica uma foto do grupo que participou na ordenação com o apoio da missão.
No fim-de-semana seguinte, de sexta a domingo, teve lugar a peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima Peregrina do Calulo. Estiveram presentes várias centenas de pessoas, entre elas uma delegação do Gungo. Nesta celebração foi feita menção à diocese irmã de Leiria-Fátima e ao fato de nesse dia ter lugar a ordenação de um novo padre, o Fábio.
Se Deus quiser, em breve daremos mais notícias. Um abraço e fiquem bem. Para muitos, até ao nosso reencontro que será em breve.

P. Vítor Mira

quinta-feira, maio 15, 2014

5.ª Sessão de Formação FEC

O Grupo Missionário Ondjoyetu vem por este meio informar que a 5.ª e última sessão do Plano de Formação de Voluntariado 2014, organizado pela FEC (Fundação Fé e Cooperação), realizar-se-á no dia 24 de maio, em Fátima, na casa das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres
As inscrições podem ser feitas até ao dia 19 de maio. Para esse efeito, contacte o Secretariado do Grupo Ondjoyetu ou envie um e-mail para a FEC (geral@fecongd.org), contendo o mesmo as seguintes informações: nome do(s) participante(s), organização a que pertence(m), tipo de estadia (completa, só refeições, só dormida…). 
Esta sessão estará subordinada ao tema Desenvolvimento Humano e Dádiva Cristã e desenvolver-se-á das 10h às 16h30, incluindo a celebração eucarística. O almoço é partilhado e aberto a todos os familiares e amigos dos formandos.

Logo que tenhamos acesso ao programa detalhado, actualizaremos este post com a publicação do mesmo.

http://www.fecongd.org/
Boa formação!

quarta-feira, maio 14, 2014

Convívio Ondjoyetu

Saudações a todos os membros Ondjoyetu e amigos que passam por este espaço.
 
 


 
 
Venho dar algumas informações e deixar um convite.
No próximo sábado, dia 17 de Maio chega de Angola o Pe Vítor Mira e a Deolinda Ferreira. O Pe Vítor vem para um tempo de descanso e a Deolinda regressa após três meses em missão. Chegam ao aeroporto de Lisboa às 15:55h.
 
 
 
 
 
No Domingo, dia 18, às 15:30 faremos um convívio para acolher estes missionários. O Convívio será em Urqueira, na antiga fábrica da Vigobloco. Fica a cerca de 800m da igreja de Urqueira no sentido de Caxarias. Aí escutaremos o testemunho do padre Vítor e da Deolinda que nos actualizarão sobre o andamento da missão.
Cada um poderá levar alguma coisa para fazermos um lanche partilhado durante a tarde.
Aos aficcionados do futebol informo que estamos a fazer todos os esforços para que possamos visualizar o jogo da taça de Portugal e continuar em convívio logo que o jogo comece.
 
 
 
A escolha deste local prende-se com o facto de aproveitarmos a ocasião para apresentar mais um projecto para a missão do Gungo que é o Projecto do BTC (bloco de terra comprimida). Nesta fábrica está o estaleiro com as máquinas que estão a ser testadas e aperfeiçoadas para depois irem para a missão. Faremos uma demonstração do seu funcionamento e o padre Vítor poderá explicar-nos melhor o enquadramento e a necessidade deste projecto.
 
Este convite é para toda a família Ondjoyetu mais ou menos cativos, mais ou menos colaboradores, simpatizantes, dos Mil e Tal Amigos, pessoas envolvidas no projecto do BTC... Quem quiser beber mais um pouco de missão que apareça.
 
Até lá!

quinta-feira, maio 08, 2014

Uma nova ferramenta... e o Gungo mais conhecido

Olá, muito boa noite.
Mais uma vez estamos no Sumbe, mas de passagem, porque no sábado vamos ao Calulo para participar na peregrinação diocesana ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima Peregrina.
Às vezes as nossas vindas ao Sumbe são tão rápidas e preenchidas que nem sempre dá para partilhar o que vamos vivendo por cá.
Desta vez partilhamos mais dois momentos que consideramos importantes.


No dia 25 de Abril o Gungo recebeu mais uma ferramenta de trabalho: uma moto de marca Husqvarna, de 125 cc.
Era um meio que de que já sentíamos necessidade há algum tempo. É mais rápido, ainda que implique alguns riscos, e permite acesso a locais onde nem os jipes chegam. Por vezes temos que pedir recados e boleias aos motoqueiros do Gungo e eles nem sempre estão quando deles precisamos. Por outro lado, como em praticamente todo o Gungo não há rede de telemóvel, quando surge a necessidade de tratar de algum assunto com urgência a moto permite ir mais rapidamente ao local onde há rede.
Há uns meses transmitimos esta nossa necessidade a um conterrâneo nosso, o Sr. Filipe da empresa “Motoshow”, que tem uma representação em Angola.
Ele foi sensível à nossa necessidade e por isso ofereceu-nos a referida moto que, embora usada, se encontra em ótimo estado.
Sr. Filipe, um grande bem-haja.

No domingo seguinte, 27 de Abril, fizemos uma visita à comunidade do Eval Guerra, uma aldeia que se situa junto à estrada que liga Luanda a Benguela, a 80 km a sul do Sumbe.
Quando chegámos encontrámos uma comunidade alegre e acolhedora, um calor abrasador, e música muito alta e de pouca qualidade, com um som bastante “roufenho”, muito próximo da “nossa” capela. Ali perto uns carros ligeiros, uma carrinha de 9 lugares e uma carrinha 4x4.
Logo nos disseram que era a “concorrência”, uma das mais de mil igrejas que existem em Angola, e que já ali estava desde o dia anterior. Incomodou, principalmente o ruído, mas não nos tirou a paz. Além do resto, a maioria dos seus “fiéis” eram os tais que vieram nas viaturas que ali estavam estacionadas.
Após algum tempo de atendimento de Confissão, preparámo-nos para a missa. Como o ruído continuava, enviei dois catequistas que fossem pedir para baixarem o som da sua aparelhagem. Disseram que o iriam fazer, mas nada mudou. A determinado momento da “nossa” missa a musica parou e começaram a falar dois homens, em umbundo, tipo parada e resposta, quase em género de despique. Mas o tom e musicalidade mais parecia de um comício político do que de um culto religioso. Depois continuou a “música” que se prolongou até ao início da tarde. Vim a saber que a “delegação” daquela igreja tinha vindo de Benguela. A líder local é uma senhora que era católica e que agora tenta cativar fiéis para a nova igreja porque parece que isso lhe traz algum benefício, mas ela própria ainda parece muito indecisa pois a “católica é a mãe de todas”. Enfim…

Ainda com aquele barulho de fundo, distribuímos sementes hortícolas e tivemos a reunião do ondjango (conselho pastoral) local. A terminar convocámos o soba e tendo recebido dele a autorização, fomos colocar uma placa que diz “Missão Católica – Gungo” junto à estrada de asfalto para que toda a gente que ali passa fique a saber para onde é o Gungo. Também pode ajudar algumas visitas nossas a lá chegar.

Por aqui fico e despeço-me com um grande abraço e deixando duas fotografias que ilustram as informações.

P. Vítor Mira

quarta-feira, maio 07, 2014

"Bicsionários" e a mana Ana

Saudações fraternas,
 
Na última reunião de grupo, em que escutámos o testemunho da mana Ana, tivemos a presença de alguns elementos da empresa INCENTEA.
A mana Ana brindou-nos com algumas fotos e o seu testemunho na primeira pessoa. Para quem já esteve em missão algumas das partilhas fizeram recordar a experiência vivida. Para todos foi um reforço de coragem missionária e também o reforço de que vale a pena e é necessário continuar este projecto.
Estiveram presentes alguns membros da Empresa Incentea pois, nesse dia, terminaram um percurso de bicicleta de três dias em que transportaram com eles o nosso projecto Ondjoyetu e, de modo particular, o projecto do BTC, (Blocos de Terra Comprimida), técnica que será utilizada para construir na missão do Gungo.
Esta foi uma forma encontrada por aquele grupo de amigos para darem mais conteúdo às pedaladas que tinham previsto. Cumpriram uma distância de cerca de 100Km e foram fazendo diferentes paragens onde aproveitavam para falar do projecto missionário da diocese de Leiria-Fátima e carimbando um passaporte preparado para o efeito.
Esta foi mais uma forma de fazer missão: de bicicleta e a pedalar. Por isso se achou por bem chamar-lhes: "bicsionários" Os missionários da bicicleta.
 
Pe David