Estamos de passagem pelo Sumbe. Chegámos ontem da Donga e amanhã já partimos para o Longundo, um dos centros mais distantes e isolados do Gungo. Para termos uma ideia, por lá ainda surgem esporadicamente casos de lepra. Mais uma vez, como acontece com o centro do Caponte, se as vias estivessem abertas, teríamos que percorrer cerca de 35 km para ir da Donga ao Longundo. Mas como isso não acontece, tivemos que vir ao Sumbe e daqui rumar às referidas paragens.
Para mim e para o resto da equipa é um novo desafio. Dos que aqui estamos só eu e a Teresa visitámos este centro em Setembro de 2012. Mas os dois fomos de mota pelos carreiros e capins do vasto Gungo. Para todos é a primeira vez que vamos de jipe, por estrada e por picada, até ao Longundo.
Sabemos que temos que ir pelo Seles e para lá sabemos o caminho. Esperamos lá encontrar o Genito Jaime, um cristão daquelas áreas, que será o nosso guia. Apenas sabemos que teremos várias dezenas de quilómetros de picada, em alguns sítios em muito mau estado. Depois contaremos como foi…
A nossa caçula (a Tânia santos) adaptou-se muito bem. Teve uma plateia de cerca de 40 alunos a escutar atentamente as suas explicações no campo da saúde. Alguns até queriam continuar de noite, mas não dava mesmo. No tempo que sobrou não teve mãos a medir no atendimento de pessoas, num total de 103. As filas pareciam as do “médico da caixa”. Gente com paludismos, febres, infeções diversas, feridas, diarreias… e no meio disto, crianças, muitas crianças, a maior parte delas com doenças evitáveis, sem vacinas, sem os pais conhecerem as suas datas de nascimento… Mas a nossa mana, apesar de vir sozinha, tem sido corajosa e dado muito bem conta do recado.
Pelo meio, houve trabalho de campanha: apanha de lenha, preparação de milho para a moagem (descasca para depois colocar na água), transporte de areia para as obras, limpeza de terrenos para as próximas sementeiras… também assim, com estes trabalhos de voluntariado se constrói a missão.
Em simultâneo continuou a funcionar a nossa cantina que dá um grande apoio às pessoas que se deslocam à missão
Ficam algumas fotos que ilustram um pouco o que dissemos. Um abraço de todos nós e até segunda, se Deus quiser.
P. Vítor Mira










